Opinião

Fortalecer o psicossocial é fortalecer Fortaleza

Saúde mental é urgência. Em 2025, nosso mandato trabalhou para fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial. A posse de 178 profissionais na RAPS reforçou serviços e ampliou atendimento. E seguimos defendendo três frentes para avançar ainda mais: presença no território, resposta 24 horas e formação permanente das equipes. vereadorvicentecosta@cmfor.ce.gov.br

Por Dr. Vicente
Fortaleza não cabe em discursos prontos. Ela se revela mesmo no cotidiano: na fila do posto, na mãe que procura um atendimento para o filho em sofrimento, no trabalhador que precisa de cuidado e busca a porta certa, no servidor que sustenta a rede pública com coragem e cansaço acumulado. Foi com esse sentimento de realidade que encarei os trabalhos na Câmara em 2025: um ano de trabalho intenso, de escuta e de insistência.

A política, quando vale a pena, é essa capacidade de transformar escuta em decisão e decisão em serviço público. No nosso mandato, desde o primeiro dia, escolhemos um foco: saúde mental como prioridade de cidade, compromisso permanente. Porque o sofrimento psíquico não espera agenda, não escolhe bairro e não combina horário. Ele pede acolhimento, continuidade de cuidado e uma rede que funcione com dignidade.

Política pública séria começa reconhecendo que cuidar é um verbo coletivo. Não existe rede forte sem trabalhadores, sem formação e sem planejamento. Também não existe avanço sem diálogo institucional. Por isso, em 2025, buscamos um caminho de construção: levar para o debate legislativo o que a cidade já dizia na ponta e ajudar a transformar prioridade em entrega.

A conquista mais palpável desse esforço foi a convocação de profissionais classificados no concurso para atuação na Rede de Atenção Psicossocial. Apresentamos a indicação, organizamos o debate, dialogamos com a gestão e acompanhamos o percurso institucional. O desfecho foi uma resposta efetiva do Executivo, liderado pelo prefeito Evandro Leitão: 178 novos profissionais empossados, reforçando equipes e ampliando a capacidade de atendimento.

Esse resultado nasce da combinação entre uma Câmara que propõe e uma Prefeitura que escuta, organiza e executa. Quando o poder público se alinha em torno da prioridade certa, Fortaleza avança. E avançar, aqui, significa proteger vidas, apoiar famílias e dar condições reais para que a rede pública faça o que ela sabe fazer: cuidar.

Com o reforço da RAPS, ficou ainda mais claro que fortalecer a saúde mental exige ir além do número de profissionais. Exige rede mais próxima do território, preparada para responder às crises e sustentada por trabalhadores bem formados. Foi com essa visão que defendemos três frentes que se complementam e apontam para o mesmo objetivo: fazer o cuidado chegar no tempo certo, do jeito certo, para quem precisa.

A primeira frente é a do acesso real. Fortaleza é grande e diversa, e a distância entre a casa da pessoa e o serviço público nem sempre é só geográfica. Às vezes é falta de informação, de tempo, de dinheiro para transporte, de alguém para acompanhar, ou o peso do estigma. Quando a gente entende isso, a política pública muda de postura: ela para de esperar que a dor chegue e cria condições para que o cuidado encontre a dor. É nessa lógica que defendemos o CAPS itinerante, uma unidade móvel de saúde mental, pensada para circular nos territórios, oferecer acolhimento inicial, orientar e encaminhar para a RAPS.

A segunda frente é a resposta qualificada quando a crise aperta. A vida não tem aviso prévio. A crise não escolhe dia útil e não combina horário. Quando ela acontece, a família precisa de um caminho de atendimento rápido, humano e tecnicamente preparado. Por isso, defendemos a proposta de uma unidade municipal de urgência e emergência psiquiátrica 24 horas, com equipe multiprofissional e cuidado humanizado. Uma porta organizada com a rede para acolher com rapidez, respeito e continuidade.

A terceira frente é o cuidado com quem cuida. Não existe rede forte se quem trabalha nela está sem suporte, sem atualização e sem condições de aprimorar práticas. Por isso, indicamos a criação de um plano de formação continuada em saúde mental para os servidores municipais. Formação permanente é estratégia de qualidade: melhora a escuta, integra equipes, atualiza protocolos e fortalece abordagens humanizadas. Quando o município investe em formação, ele multiplica efeito, fortalece o trabalho cotidiano, melhora a experiência de quem procura o serviço e reforça a confiança na rede.

Essas três frentes, acesso no território, resposta 24 horas e formação continuada, formam um desenho de futuro. Uma Fortaleza em que a saúde mental não é assunto lateral, mas eixo de dignidade. Uma Fortaleza em que o cuidado chega antes da urgência e permanece depois dela, com acompanhamento e continuidade.

É assim que temos que olhar para 2026: com a confiança de que Fortaleza está no caminho certo e com a certeza de que, quando a política pública escolhe o cuidado, ela entrega o melhor que uma cidade pode oferecer: presença, proteção e humanidade.

 

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