Favela nas redes sociais: Instituto Pensando Bem leva comunidade para as redes e soma 3,6 milhões de visualizações
O Instituto Pensando Bem, organização dedicada à transformação social da comunidade no Ceará, também se dedica a levar essa transformação para o meio digital através das redes sociais, onde já soma mais de 80 mil seguidores e 3,6 milhões de visualizações.
Em meio aos estereótipos que persistem nas favelas, o instituto vem quebrando barreiras e redefinindo a imagem das comunidades. E um desses meios são as redes sociais. Com câmeras nas mãos e criatividade de sobra, eles gravaram conteúdos para mostrar ao mundo que as favelas são espaços vibrantes de cultura, trabalho e solidariedade. Ao retratar atividades realizadas no Beco Céu, onde há lugar para arte, empreendedorismo e alegria, desafiando a narrativa de violência e diversidade que marca muitas dessas regiões.
Raynara Garcia, coordenadora de marketing do Instituto Pensando Bem, destaca que uma estratégia de redes sociais da organização é construída a partir de dois pilares fundamentais: transparência e conexão com a favela. “Não se trata apenas de comunicar, mas de estar presente, sentir o território e garantir que tudo seja contado com dificuldades e transparência. Nossa comunicação nasce do dia a dia da comunidade, das ações, rotina, eventos e mobilizações que acontecem aqui, do olhar atento para as pequenas e grandes transformações que ocorrem”, explica.
Ela enfatiza que as redes sociais possuem um enorme poder de aproximação e mobilização, o que faz com que o IPB trabalhe para equilibrar informação, alcance e impacto. “Queremos que cada produção, cada postagem e cada campanha toquem as pessoas de verdade, gerando identificação e incentivando a participação. Além disso, usamos as redes como ferramenta de transformação social.
No começo de 2025, o instituto viralizou com um vídeo que apresentou um antes e depois do Beco Céu e foi repostado por um dos principais perfis do Ceará, que é o Fortaleza Ordinária, que possui 2 milhões de seguidores.
Sobre a responsabilidade de representar a comunidade em um meio com milhares de acessos, Raynara define como “uma grande responsabilidade e um privilégio”. Segundo ela, “representar a favela e o que fazemos aqui através do digital significa muito mais do que apenas publicar conteúdos, significa ter a responsabilidade de comunicar a história de cada pessoa e o propósito da nossa missão, garantindo que seja contado com transparência e criatividade”.
Ela pontua que as postagens feitas nas redes sociais do IPB precisam ser fiéis ao que é vivido na comunidade. “A gente não romantiza as dificuldades, mas também não reduz a favela aos seus desafios. Pelo contrário: mostramos o que já está mudando, o que já está funcionando, o impacto das iniciativas e o quanto a comunidade é simultânea de criatividade e evolução. Não comunicamos a pobreza, comunicamos a potência. É sobre mostrar que a favela tem talento e tem muita gente fazendo acontecimentos, desde os parceiros, doadores até os moradores. Ter milhões de pessoas acompanhando isso significa abrir os olhos do mundo para o que está sendo construído aqui. E mais do isso significa criar redes para que mais pessoas possam fazer parte dessa transformação, seja apoiando, fazendo ou até mesmo mudando a forma como enxergamos territórios como o nosso.”
Além da visibilidade, as redes sociais também têm indicadores para campanhas de arrecadação de recursos e divulgação de oportunidades para a comunidade. “As redes sociais têm sido fundamentais para fortalecer o impacto do Instituto Pensando Bem. Através delas, conseguimos mobilizar recursos, conectar novos apoiadores e garantir que oportunidades cheguem à favela e aos bairros próximos.”
Raynara explica que as campanhas de arrecadação são essenciais para que mais pessoas conheçam e apoiem os projetos do IPB, viabilizando ações que transformam vidas. “Essas ações, workshops e mobilizações chegam até a favela, beneficiando os moradores em diversas esferas de suas vidas. Mas não é só sobre recursos, conseguindo através das redes divulgar cursos, ações e iniciativas de forma mais rápida e impactar mais pessoas que desejam se qualificar e participar.”
Com uma presença digital forte e estratégica, o Instituto Pensando Bem segue mostrando que a favela tem voz, potência e um futuro transformador, tanto dentro quanto fora das redes sociais.