Em sessão especial, Jeanne Dielman é exibido no Cinema do Dragão
Por Reinaldo Oliveira
O Cinema do Dragão, que fica ambientado no piso inferior do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), em Fortaleza, exibiu no sábado (06/09), na sessão das 17:20, o filme “Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles” – mais conhecido apenas como “Jeanne Dielman”.
Filmado ao longo de cinco semanas em Bruxelas e financiado por uma bolsa concedida pelo governo da Bélgica, o longa-metragem – exibido na Quinzena dos Cineastas no Festival de Cannes em maio de 1975 – foi eleito o melhor filme da história pela revista de cinema Sight & Sound, editada pelo British Film Institute.
Em busca de um maior reconhecimento do cinema feito por mulheres, a revista tem indicado que a indústria cinematográfica tende a repensar o universo predominantemente masculino das últimas listas publicadas pelo veículo em que o longa ocupava o 35º. lugar na publicação de 2012. Agora é a primeira vez que o filme da cineasta belga aparece em primeiro lugar na lista cuja publicação ocorre desde 1952 e é organizada a cada 10 anos, contando com 1.600 jurados (cineastas, escritores, críticos e técnicos de cinema).
Com 193 minutos de duração, o filme, que se caracteriza por um ritmo contido, com tomadas longas e trabalho de câmera estática, traz uma dona de casa viúva, interpretada por Delphine Seyrig, que vive com seu filho adolescente em um apartamento em Bruxelas, capital da Bélgica, e que ao longo de três dias organiza seu tempo de forma minuciosa e sabe o que vai fazer a cada hora do dia (cozinhar, fazer recados, limpar e cuidar do filho), recebendo – em horário combinado durante três vezes por semana – um homem em seu lar para se prostituir quando nunca atinge o orgasmo, mas quando o contrário ocorre, ou seja, o clímax é atingido em determinado encontro, o equilíbrio de sua rotina se despedaça, demonstrando que seus hábitos concorrem para o desmoronamento até o ato final.
Escrita e dirigida pela belga Chantal Akerman (1950-2015), que tinha quase 25 anos no ano de lançamento do filme, a produção franco-belga, que tem no elenco – além da francesa Delphine Seyrig – Jan Decorte, Henri Storck, Jacques Doniol-Valcroze e Yves Bical, será relançada no Brasil na quinta-feira (11/09) em versão restaurada pela distribuidora FILMICCA e entrará em cartaz no Cinema do Dragão conforme declarou Fábio Rodrigues Filho, curador do espaço.

