Economia

Drex ou Raíz? Caminhos para um Brasil mais eficiente e inclusivo

Por Rogério Morais

O Banco Central do Brasil está desenvolvendo o Drex, nome dado ao Real Digital. Trata-se de uma moeda digital oficial, que será emitida e garantida pelo próprio BC. Seu acesso se dará por meio de carteiras digitais geridas por bancos e fintechs, com o mesmo valor do real físico — mas com vantagens como menor custo de produção, mais segurança e maior rastreabilidade.

No entanto, existe uma outra face da moeda: enquanto o Drex mira a inovação do sistema financeiro, há um universo de brasileiros, especialmente de baixa renda, que vive à margem da digitalização bancária. Para essas pessoas, a moeda física ainda é o único meio de acesso ao consumo — e ela apresenta sérios problemas.

Segundo estimativas da Febraban e do Banco Central, cerca de 7,4 bilhões de moedas estão guardadas em casa, entre bolsos, cofrinhos e gavetas. Isso representa cerca de R$ 508 milhões fora de circulação. Esse dinheiro parado não gera renda para o comércio, não é reinvestido no sistema e não cumpre sua função econômica básica: circular.

Por que o dinheiro some?

Existem várias razões para a estagnação das moedas físicas:

1.  Acúmulo doméstico: moedas são guardadas por conveniência ou esquecimento. O esforço para usá-las raramente compensa o valor.
2.  Recusa no comércio: muitos lojistas evitam recebê-las por dificuldade de troco e contagem.
3.  Baixo valor percebido: moedas de 1, 5 ou 10 centavos são consideradas irrelevantes.
4.  Custo bancário: instituições financeiras evitam processá-las por não ser lucrativo.
5.  Desgaste físico: moedas enferrujam, oxidam e perdem valor de uso.

Além disso, há um fator invisível, porém preocupante: contaminação. Um estudo da Fiocruz revelou que mais de 90% das cédulas analisadas continham micro-organismos nocivos. Isso representa um risco de saúde pública, principalmente para feirantes, ambulantes e pessoas em situação de vulnerabilidade, que lidam com dinheiro diariamente.

Raíz: uma proposta complementar e cidadã

Diante desse cenário, surge a proposta do Raíz: uma moeda digital comunitária, local e sustentável. Diferente do Drex, o Raíz não se vincula a bancos. É uma carteira digital acessível, pensada para quem vive da economia popular e do pequeno comércio — como agricultores familiares, artesãos, autônomos e microempreendedores.

A proposta do Raíz é simples: criar um meio de pagamento digital que funcione como “dinheiro no bolso”, mas sem papel, sem perdas e com inteligência integrada. A carteira aprende com o comportamento do usuário, sugere melhores usos do saldo (economizar, doar, investir) e incentiva o consumo local com benefícios como cashback em compras na comunidade.

Oportunidade para o Brasil real

A digitalização do dinheiro não pode excluir os que mais precisam dele. Projetos como o Raíz podem complementar o Drex, atendendo a uma camada da população que movimenta bilhões em pequenos valores, mas que ainda não é plenamente atendida pelo sistema financeiro tradicional.

Políticas públicas e instituições de fomento, como o Banco do Nordeste, podem fortalecer essa nova economia oferecendo crédito inicial em Raíz para pequenos negócios e agricultura familiar. Assim, amplia-se o alcance da inclusão financeira, estimula-se o comércio local e reduz-se a dependência do papel-moeda — que custa caro, é ineficiente e frequentemente acaba esquecido numa gaveta qualquer.

 

 

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