Serviço

Detran-CE reforça ações educativas

Em meio ao alarmante crescimento das mortes no trânsito envolvendo motocicletas no Brasil, com o Ceará ocupando a segunda pior posição no ranking nacional, o Detran-CE deu início a um ciclo de palestras e ações educativas durante a Semana Nacional do Motociclista.

Por Rogério Morais
Em meio a dados preocupantes sobre o aumento de mortes envolvendo motocicletas no Brasil, o Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE) deu início a um ciclo de palestras e ações educativas voltadas aos motociclistas, como parte da programação da Semana Nacional do Motociclista. A iniciativa, realizada na sede do órgão, em Fortaleza, simboliza uma nova fase da gestão do superintendente Waldemir Catanho, marcada por ações práticas, diálogo com a categoria e foco em prevenção.

Durante o evento, Catanho anunciou uma série de medidas que já estão sendo implementadas em sua gestão, com destaque para a distribuição gratuita de antenas corta-pipas, equipamento essencial para proteger motociclistas de acidentes com linhas de cerol e a criação de núcleos itinerantes de educação no trânsito, que levarão palestras e materiais informativos a municípios da Região Metropolitana e do interior.

Waldemir Catanho

“Precisamos reconhecer o papel fundamental dos motociclistas, não só no trânsito, mas na economia, na mobilidade e na prestação de serviços. E nossa missão no Detran é garantir que eles estejam protegidos, bem informados e respeitados”, afirmou o superintendente, ao abrir o evento. Estiveram presentes representantes da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), do Batalhão da Polícia Rodoviária Estadual (BPRE) e dezenas de motociclistas, muitos deles profissionais de delivery e transporte por aplicativo.
A atuação do Detran-CE acontece em um momento crítico. Segundo o recém-divulgado Atlas da Violência 2025, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a taxa de mortes causadas por acidentes de trânsito no Brasil voltou a crescer em 2023, atingindo 16,2 mortes por 100 mil habitantes, uma alta de 2,5% em relação a 2022.

O dado mais preocupante, no entanto, envolve especificamente as motocicletas: em 2023, a taxa nacional de mortes com motociclistas subiu para 6,3 por 100 mil habitantes, um salto de 12,5% em relação a 2022 e o maior índice desde 2020. No recorte estadual, o Ceará aparece com um dos piores índices do país, com 59,5% das mortes no trânsito envolvendo motocicletas. É a segunda pior taxa nacional, ficando atrás apenas do Piauí (69,4%). Também aparecem com números alarmantes estados como Alagoas (58,4%), Sergipe (57,8%), Amazonas (57,3%), Pernambuco (54,4%) e Maranhão (52,2%).

Mudança de foco
Essa realidade reforça a importância da atuação local. Com o aumento da frota de motos no Ceará, muitas utilizadas como instrumento de trabalho, o desafio de proteger vidas nas ruas se intensifica. Com base nas diretrizes do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as palestras realizadas durante os eventos do Detran-CE em todo o estado, abordam temas como direção defensiva, uso de equipamentos obrigatórios e estatísticas de acidentes.

Mas, mais do que informar, o objetivo da nova gestão é transformar a cultura viária com base na prevenção. Com base nos dados do Atlas e nas ações já em curso, o Ceará pode se tornar um referêncial em políticas públicas de segurança para motociclistas, conciliando tecnologia, educação, fiscalização e respeito ao cidadão.

“Queremos inverter a lógica da punição pela da orientação. Nosso papel é formar condutores conscientes e dar as ferramentas para que cada um volte para casa com segurança”, disse Catanho. A expectativa é de que o Detran-CE, sob a atual gestão, amplie ainda mais suas parcerias com cooperativas de mototaxistas, empresas de delivery e instituições de ensino, visando à capacitação contínua dos motociclistas.

No Nordeste, e especialmente no Ceará, instalou-se uma cultura perigosa de descuido generalizado com a vida do motociclista. É comum ver, nas cidades e nas estradas, condutores sem capacete, crianças pequenas transportadas como carona sem proteção, motos levando cargas perigosas, e até animais sendo levados como se fossem bagagem. Essa realidade não pode mais ser ignorada como se fosse parte do cotidiano. É um retrato da falência da educação no trânsito, da ausência de fiscalização e do desprezo histórico pelas vidas mais vulneráveis

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