Conferência de Bonn: ação climática é urgente para conter o aquecimento global e a crise do clima
Implementar plano de ação global para fim do desmatamento até 2030 e garantir financiamento, em especial para países florestais, é essencial para sucesso do Acordo de Paris.
Decisões do Balanço Global precisam de implementação.
Confira o briefing sobre as reuniões de Bonn elaborado pelo Greenpeace para auxiliar na cobertura da imprensa.
Junho de 2025 – Uma delegação de especialistas do Greenpeace acompanha as duas semanas de negociações da 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (SB 62) em Bonn, na Alemanha. Porta-vozes estão disponíveis para falar com a imprensa presencialmente ou à distância.
A Conferência de Bonn de 2025 ocorre em meio a recordes de temperatura consecutivos. Em 2024, pela primeira vez, a temperatura média global ultrapassou o limite seguro de 1,5º estipulado no Acordo de Paris, em 2015, e vários impactos climáticos extremos foram registrados no Brasil e em demais partes do mundo nos últimos meses. Os impactos crescentes da crise do clima são a evidência clara e concreta da inação das políticas governamentais em relação à ação, ambição e ao financiamento climático.
“A inação climática está custando vidas! À medida que as emissões aumentam descontroladamente, nossas chances de limitar o aquecimento global aos objetivos do Acordo de Paris diminuem, e os impactos aumentam. Precisamos agir com mais rapidez e ousadia para dar ao mundo a melhor chance possível”, alerta a especialista em política climática do Greenpeace Internacional, Tracy Carty.
Na COP28, os países realizaram o primeiro balanço global das metas do Acordo de Paris, em que foi acordado “abandonar o uso de combustíveis fósseis” e deter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. Contudo, essas metas não foram implementadas até o momento. Enquanto as emissões de carbono decorrentes dos combustíveis fósseis registraram um recorde em 2024, a UNFCCC ainda não tem um plano global coerente que apoie a implementação da meta anti-desmatamento.
“Bonn é um momento-chave para avançar em agendas importantes para a COP30 e ao Brasil, como adaptação, transição justa e implementação da decisão da COP28 sobre as metas de eliminar o desmatamento e abandonar os combustíveis fósseis. A boa notícia é que a presidência da COP30 já sinalizou que está concentrada em avançar nessas agendas”, afirma a especialista em política climática do Greenpeace Brasil, Anna Cárcamo.
A porta-voz ressalta que o governo brasileiro deve liderar pelo exemplo uma agenda climática mais ambiciosa.
“Embora todos os países devam agir em conjunto para implementar as agendas de adaptação, transição justa e implementação, o Brasil deve liderar a ambição climática global com coerência, continuando a combater o desmatamento e reconsiderando a expansão da extração de combustíveis fósseis, especialmente na Amazônia”, completa Cárcamo.
Para frear o desmatamento e eliminá-lo ainda nesta década, o Greenpeace defende o financiamento de países florestais, assim como o financiamento direto aos povos indígenas e comunidades tradicionais – verdadeiros guardiões das florestas – e o respeito aos seus direitos territoriais.
Financiamento climático
O Greenpeace alerta que o fraco acordo financeiro firmado na COP29 está limitando a capacidade de muitos países para aumentar sua ambição climática.
“O déficit financeiro corre o risco de minar a confiança e o progresso nas negociações deste ano. Os países ricos precisam aumentar urgentemente o apoio financeiro público – e fazer com que grandes poluidores, como a indústria de combustíveis fósseis, paguem pelos danos e pela destruição é uma parte vital da solução”, comenta Tracy.
Demandas do Greenpeace em Bonn:
- Uma ação global para eliminar gradualmente o desmatamento e a degradação florestal até 2030, garantindo também o acesso direto a financiamento para Povos Indígenas e Comunidades Locais, considerados os verdadeiros guardiões das florestas;
- Diante da perda de biodiversidade global e do desmatamento levando a Amazônia a um ponto de não retorno, medidas para acelerar a proteção e a restauração de ecossistemas críticos;
- Países devem traçar um plano para caminhar para longe dos combustíveis fósseis de forma justa, ordenada e equitativa até 2050.
- Manter foco na meta do Acordo de Paris, de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C neste século. A meta, segundo a UNFCCC, ainda é tecnicamente possível, mas é preciso agir rápido para diminuir as emissões;
Fotos e vídeos sobre Bonn para uso da imprensa: Greenpeace Media Library.
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Sobre o Greenpeace Brasil
O Greenpeace Brasil é uma organização ativista ambiental sem fins lucrativos, que atua desde 1992 na defesa do meio ambiente. Ao lado de todas as pessoas que buscam um mundo mais verde, justo e pacífico, a organização atua há mais de 30 anos pela defesa do meio ambiente denunciando e confrontando governos, empresas e projetos que incentivam a destruição das florestas.
