Centenário da ACI – Associação Cearense de Imprensa (Parte 2)
Foto colhida na Associação Cearense de Imprensa à Rua Senador Pompeu, 1098. Escola de gszeteiros, vendo-se da esquerda para a direita: Luis Cavalcanti Sucupira, general Onofre Gomes de Lima, comandante da 10a Região Militar, uma das professoras, dra. Henriqueta Galeno, Antônio Carlos Campos de Oliveira (atrás) Cândida Maria Santiago Galeno (de branco) os jornalistas Geraldo Nobre (penúltimo) e último Rogaciano Leite. Ano de 1945
• Gestão de Alfeu Aboim como 7º Presidente da ACI
• A transferência a sede provisória para o Palácio do Comércio • O prédio da Praça da Bandeira
• A liberação restante da Prefeitura Municipal de Fortaleza de 25 contos de réis para a “Casa do Jornalista” • Posse de Margarida Holanda, segunda Rainha da Imprensa
• Demócrito Rocha homenageado com nome de sala da ACI
• Luiz Cavalcanti Sucupira, 8º Presidente da agremiação
Texto: Zelito Magalhães
Considerado um dos mais antigos partidários da Revolução Liberal de 1930, Alfeu Aboim foi reintegrado na Biblioteca Pública do Estado. Ao mesmo tempo, fundou com Aquiles Arrais a Agência Cearense de Publicidade, uma das primeiras empresas do gênero a funcionar no Ceará. Por ato do interventor federal, capitão Roberto Carneiro de Mendonça, foi criado no ano de 1930, o Departamento de Imprensa Oficial. Coube-lhe a instalação e administração. Revelando-se grande administrador, foi-lhe entregue a direção técnica do O Estado, aparecido com sua primeira edição em 24 de setembro de 1936

ALFEU FARIAS DE ABOIM
Alfeu Faria de Aboim nasceu no município de Fortaleza-Ce, em 27 de dezembro de 1896, filho do advogado Remígio Ribeiro de Aboim e de d. Isabel Faria de Aboim. Realizou os estudos secundários no Liceu do Ceará, onde ingressou em 1908. Muito cedo no serviço público estadual, integrando o quadro pessoal da Secretaria do Interior e da Justiça; foi secretário-arquivista e Diretor da Biblioteca Pública, cargo do qual foi demitido em 1920 por motivos políticos. Então já iniciado nas atividades jornalísticas, redigindo A Revista, de propriedade de Orlando Ariosto Luna Freire, cujo primeiro número apareceu em Fortaleza a 16 de julho de 1918. Posteriormente, integrou a redação do jornal O Ceará, de Júlio de Matos Ibiapina (1925/1930), que deixou em fevereiro de 1929, atendendo a convite de Raimundo Monte Arrais para a fundação de um novo jornal denominado A Razão.
Considerado um dos mais antigos partidários partidários da Revolução Liberal de 1930, foi reintegrado na Biblioteca Pública. No ano de 1918, casou-se com d. Carmelita Barcelos de Aboim, que se tornara uma das cearenses em requerer o título eleitoral, por sugestão do marido. ddAlfeu Aboim foi um dos fundadores da Associação dos Jornalistas Cearenses, tendo nela se inscrito anteriormente à posse da primeira diretoria. Em 19 de novembro de 1927, foi eleito para a 2ª secretaria e interinamente, exerceu a vice-presidência da entidade, naquele período. Cinco anos depois, coube-lhe a 1ª secretaria, na diretoria de presidida por Kerginaldo Cavalcanti, para, afinal, ascender à presidência efetiva para a qual foi eleito em 3 de março de 1939. Reeleito cinco vezes consecutivas, foi derrotado por apenas dois votos na assembleia de 1º de agosto de 1945, depois de prestar à entidade serviços deveras relevantes, como a aquisição do prédio da Rua Senador Pompeu, 1089, no qual instalou a Escola de Gazeteiros e o Albergue.
Em sessão do dia 29 de julho de 1942, a direção da entidade jornalística, sob a presiência de Alfeu Aboim. Autorizou a compra do referido prédio, de propriedade do Sr. Isaias Domingos da Silveira, pela importância de cem contos de réis. Na data de 12 de agosto, ocorreu a lavratura do contrato de compra e venda no Cartório Pergentino Maia. Prestou serviços também como mordomo da Santa Casa de Misericórdia, administrando o Asilo Psiquiátrico de São Vicente de Paula e o Cemitério de São João Batista. Entusiasta do hipismo, integrou a diretoria do Jóquei Clube do Ceará; foi contemplado com a vice-presidência da Caixa Econômica Federal, onde superintendeu a Carteira de Depósito e Consignação em Pagamento. Alfeu Faria de Aboim veio a falecer em Fortaleza, no dia 14 de junho de 1953.

LUIS SUCUPIRA
Luis Cavalcanti Sucupira desde cedo demonstrou uma inteligência privilegiada e um agudo senso prático. Estudou no Colégio Cearense do Sagrado Coração, mas interrompeu o curso para prestar o chamado exame de madureza no Liceu do Ceará.Tendo pertencido ao Grêmio Literário Soriano de Albuquerque, dele se afastou para integrar o Grêmio Literário Cearense, em 1917. Neste ano, ainda adolescente, publicou o livro de versos Equatoriais, sob o pseudônimo de Rubens Bráulio. De formação católica, integrou a redação do O Nordeste, órgão diocesano, nele iniciando, em 1924, a seção “Pontos de Vistas”. No ano seguinte, ao ser fundada a Associação dos Jornalistas Cearenses,prestou-lhe de logo serviços inestimáveis.No ano seguinte, ao ser fundada a Associação dos Jornalistas Cearenses, prestou-lhe, desde logo, serviços inestimáveis, tendo sido nomeado 1º secretário da diretoria inaugural. À época já exercia funções públicas de 3º escriturário da Delegacia do Tribunal de Contas no Ceará, órgão instalado em 5 de fevereiro de 1923.
Luis Cavalcanti Sucupira nasceu e Fortaleza-Ceará, no dia 11 de maio de 1901, filho de Carolino Sucupira e de d. Edwirges Cavalcante Sucupira. Em 1930, candidatou-se à Assembleia Nacional Constituinte e foi eleito. Serviu no Ministério de Viação e Obras Públicas, a convite do ministro José Américo de Almeida, no Rio de Janeiro, no Recife e novamente na capital federal, sem jamais abandonar o jornalismo, pois redatoriou A Ordem(1932), O Estado (1933), A União (1934) e A Cruz (1936), os quais pertenceram à imprensa carioca, com exceção do segundo, publicado na capital pernambucana. De regresso ao Ceará, naquele último ano, como Inspetor da Alfândega, foi pouco tempo depois convocado para a Câmara dos Deputados, a fim de preencher a vaga resultante da nomeação do Dr. Pedro Firmeza para o Tribunal de Contas do Distrito Federal. Integrou em 1938 o Conselho Nacional de Tarifas e no ano seguinte, obteve a transferência para a Alfândega de Fortaleza. Reingresso no jornal O Nordeste, onde, além dos “Pontos de Vista”, passou a publicar a seção “Fatos do Dia”, com o pseudônimo de “Obs”. Em 1944, iniciou o movimento de sindicalização dos jornalista cearenses, aceitando, no ano seguinte, a candidatura para a presidência da entidade que ajudara a fundar exatamente vinte anos antes. Eleito, fixou como objetivos a atingir a construção d Casa do Jornalista. Convidado para Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda pelo interventor José Machado Lopes, aceitou a chegou a exercer, interinamente, a própria interventoria, o que lhe impediu de ter maior atuação à frente da Associação Cearense de Imprensa. Faleceu no dia 11 de junho de 1997.

RAINHA MARGARIDA HOLANDA XAVIER
Maria Margarida Holanda Xavier nasceu em Fortaleza a 25 de abril de 1915, filha de Manuel Ricardo de Holanda e de d. Maria Oliveira de Holanda. Concluiu os estudos no Colégio da Imaculada Conceição.
Eleita a segunda Rainha da Imprensa, a cerimônia de coroação teve lugar às 23 horas daquele 7 de agosto de 1937, nos luxuosos salões do Ideal Clube. Acompanhada de diretores da entidade jornalística e do presidente do Clube, José Meneleu de Pontes. Sua Majestade adentrou o recinto pontualmente às 23 horas, dirigindo-se ao trono erguido sobre um tablado decorado de belo manto azul, salpicado de estrelinhas douradas, artisticamente decorado pelo conhecido esteticista Paurilo Barroso. Depois da rainha anterior transferir a SM Margarida Holanda o diadema de Rainha da Imprensa, o dr. Perboyre e Silva, então presidente da ACI, fez a saudação oficial à beldade da classe jornalística. Enquanto isso, ao som de harmoniosa orquestra, ocorreu o desfile de damas elegantes vestidos, a par de distintos cavalheiros. Os salões, feericamente iluminados, emprestavam ao recinto um perfeito colorido de graça e encantamento. A seguir, deixando transparecer sua notável meiguice, SM ergueu-se do trono e improvisou belíssima fala de agradecimento aos anfitriões. O baile prosseguiu até às três da madrugada. Depois de haverem várias seções de chapas batidas pela Aba Film, A Associação de Imprensa, por seus diretores, acompanhou S. Majestade até sua residência à Rua Major Facundo. Margarida Holanda contraiu núpcias com o farmacêutico Armínio Paulo Riccio Xavier, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso técnico no Instituto Educacional de Administração. Ingressou no serviço público como secretária do Ministério do Trabalho. Regressando à sua terra natal, participa da Associação das Senhoras de Caridade e do Grupo de Orações do Colégio Imaculada Conceição.

ANTONIO CARLOS CAMPOS DE OLIVEIRA
Antonio Carlos Campos de Oliveira foi o 9º Presidente da Associação Cearense de Imprensa. Nasceu em Fortaleza-Ce, a 17 de abril de 1919. Fez o curso primário no Colégio Nogueira e o secundário no Liceu do Ceará. Formou-se pela Escola de Agronomia do Ceará e em Contabilidade pela Escola Técnica de Comércio da Fênix Caixeiral. Iniciou-se no jornalismo quando adolescente, como revisor de provas no Correio do Ceará, passando depois a gerente do Unitário, e em seguida diretor-gerente dos Diários Associados. Desempenhou na Associação Cearense de Imprensa as funções de tesoureiro nas duas gestões do presidente Luis Sucupira, vice-presidente a partir de 10 de setembro de 1951 e presidente desde igual data de 1961. Instalou o Curso de Jornalismo e instituiu os prêmios conferidos anualmente a jornalistas.Foi também sócio fundador do Lions Clube de Fortaleza-Centro, Membro do Conselho Municipal de Turismo, Membro da liga de Defesa Nacional, Recebeu as seguintes honrarias: Diploma de Benemérito da Junta do Serviço Militar de Fortaleza, Medalha de Mérito Legislativo, Diploma do cinquentenário da Associação Brasileira de Imprensa-ABI, Diploma de Presidente da Associação dos Professores Registrados no Ceará, Medalha de Mérito Jornalístico, concedido pela ACI, em data de 31 de janeiro do ano 2000 e Placa da Comunicação, concedida pela Assembleia Legislativa do Ceará, em 2005.

RAINHA DA IMPRENSA ADELAIDE NUNES PAIVA
Adelaide Nunes Paiva, filha do general Luiz Inácio Freire de Paiva e de d. Zilda Nunes de Paiva, nasceu no Rio de Janeiro em janeiro de 1931. Eleita Rainha da Imprensa, a solenidade de coroação realizou-se na noite de 12 de agosto de 1950, no Clube dos Diários, precisamente às 22h30, na presença do presidente da Associação Cearense de Imprensa, Perboyre e Silva, e dos generais Ciro Espírito Santo Cardoso, comandante da 10ª Região Militar, Luiz Inácio de Paiva, pai de SM Adelaide Nunes Paiva, do dr. Aloisio Bonavides, representante do governador do Estado, e de outros convidados. A soberana foi saudada inicialmente pelo jornalista J. C. Alencar Araripe, que pronunciou brilhante discurso. Em suas palavras, disse: “Hoje, como ontem, a coroação de uma rainha é sempre um acontecimento festivo, engalanando as cidades com o esplendor das luminárias e fazendo pulsar a alma popular no concerto vibrante de hosanas à nova Soberana. Hoje, empunha Vossa Majestade o cetro de Rainha da Imprensa. E para celebrar o grato e auspicioso evento da coroação é que aqui nos encontramos neste ambiente requintado, de bom gosto e distinção, que o elegante e tradicional Clube dos Diários prima por oferecer à sociedade de Fortaleza. Permita Vossa Majestade que neste momento expressemos de público as esperanças com que aguardamos o vosso reinado”. Seguiu-se a coroação por intermédio do presidente Perboyre e Silva, debaixo de calorosas palmas. A Rainha Adelaide Paiva, como Rainha da Imprensa, pronunciou vibrante fala do trono: “Abrem-se os salões deste clube, nesta noite esplendorosa de agosto, numa homenagem em que se derrama toda a elegância, todo o cavalheirismo, toda a bondade da Diretoria dos Diários. Neste concerto de sons, de luzes de alegria, de emoções, de magnífica pujança à fidalguia do dr. Eliezer Studart da Fonseca, ladeado pelos seus esforçados companheiros de jornada. Infiltra-se no meu coração toda a delicadeza da alma Diarista e eu venho curvar-me submissa aos ditames numa imorredoira gratidão, obediente a um afeto que se perpetua na minha memória como um marco imorredouro da minha vida. No simbolismo deste reinado, onde se entroniza toda a fantasia que as ilusões e a vaidade tecem com a delicadeza de uma magia indescritível, eu recebo, sinceramente penhorada, todas essas atenções como uma dádiva preciosa que me ofertam na modéstia e na simplicidade da minha existência” Em seguida, deu-se início ao baile dançante, entoando a orquestra uma valsa de Strauss dedicada especialmente à Soberana. A Ceará Rádio Clube, na alocução de Carlos Gaspar, transmitiu aos seus ouvintes todos os detalhes da solenidade. A senhora Adelaide Paiva contraiu matrimônio com o senhor Dirceu Arco Pete. Transferindo-se para o Sul, exerceu a profissão do Rádio como atriz de novela. Faleceu no ano de 1994.

J. C. ALENCAR ARARIPE
José Caminha de Alencar Araripe (J C Alencar Araripe) foi o décimo presidente da Associação Cearense de Imprensa. Filho de Otaviano Cícero de Alencar Araripe, advogado, e de d. Joana Caminha Gondim Araripe, professora de primeiras letras, nasceu no município de Jardim a 1º de maio de 1921. Estudou no Ginásio Diocesano do Crato. Iniciou-se no jornalismo como revisor do jornal O Estado, depois repórter da Tribuna do Ceará; colaborou no Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, no Jornal do Comércio, de Recife, depois chefe de reportagem do O Povo. Neste vespertino, foi detentor do Prêmio Esso de Reportagem com a série de quatro reportagens publicadas sob o título “Dos sonhos do Nordeste à realidade de Brasília” (anos 60). Formado em Ciências Contábeis, foi professor da Phênix Caixeiral e da Escola Técnica de Comércio Carlos de Carvalho e exerceu o mandato de vereador à Câmara de Fortaleza. Foi um dos fundadores do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará(UC) onde também foi chefe de departamento. Presidiu a Associação Cearense de Imprensa no período de 1977 a 1986 e de 1992 a 1995. Amante da literatura, destacou-se como escritor, escrevendo biografias. Publicou as seguintes obras: A Faculdade de Medicina e a sua Ação Renovadora (1948), Nordeste, Pão e Água (1958), Dos Sonhos de Brasília à Realidade do Nordeste – reportagem publicada no O Povo, que lhe deu o “Prêmio Esso” ( 1960) A Glória de um Pioneiro (ensaio sobre Delmiro de Gouveia – Prêmio Cidade de Fortaleza (1965), Gente da Gente (1979), Do Amazonas ao Rio da minha Aldeia (1986), “Alencar, o Padre Rebelde”, que detalha a vida de um dos personagens da Confederação do Equador, movimento revolucionário que eclodiu em Pernambuco a 2 de julho de 1824 e se alastrou pelo nordeste brasileiro. Trineto da heroína Bárbara de Alencar, editou pela ABC Editora, Bárbara e a Saga da Heroína,(2007). José Araripe ingressou na Academia Cearense de Letras em 16 de dezembro de 1967, sendo saudado pelo acadêmico Jáder de Carvalho. Ocupou a cadeira nº 12, deixada por Nataniel Cortez, cujo patrono é Heráclito Graça. Foi homenageado com as seguintes medalhas: Medalha de Ouro da Fundação Ottocar Rosário, de Buenos Aires, Medalha de Mérito Pestalozziano, Medalha Tomás Pompeu, da Academia Cearense de Letras, Medalha Justiniano de Serpa, do Governo do Estado do Ceará. Após uma complicação de saúde ter lhe provocado uma falência múltipla, José Caminha de Alencar Araripe veio a falecer aos 89 anos, em 11 de junho de 2010.

RAINHA CLIMENE PINHEIRO
A 4ª Rainha da Imprensa foi Climene Rayol Pinheiro, natural de Belém do Pará, filha do dr. Hermógenes Pinheiro, catedrático das Faculdades de Medicina e Odontologia daquele Estado, e de d. Zenóbia Rayol Pinheiro. Há algum tempo integrada em nossos meios sociais, a jovem foi eleita Rainha do periodismo cearense na última festa da Associação Cearense de Imprensa, em 1952. Os salões do Clube dos Diários abriram-se ao seleto público na noite de 23 de maio de 1953, prestigiados por diretores da ACI e confrades da imprensa, além de personalidades e pessoas gradas integrantes daquele centro social. A soberana dos jornalistas chegou ao recinto por volta das 22 horas, ladeada por seus genitores, sendo recebida pelo presidente Perboyre e Silva, Antônio Girão Barroso, Calazans Pires e Stênio Azevedo. A sociedade diarista atendendo ao honroso convite da graça da Rainha, compareceu com significante número, dando maior brilhantismo à festa. Foi escolhida para fazer a saudação à S.M Climene Rayol o associado Antônio Coelho Sampaio que disse, entre outras palavras de exaltação à beleza e graça da Rainha, que a grande vitória de Climene, reconhecida naquela noite, deu-s por graça da simpatia por ela conquistada na sociedade fortalezense em que vivia. Climene recebeu o cetro de Majestade das mãos do presidente Perboyre e Silva. O baile foi animado pela orquestra do 23º Batalhão de Caçadores, que prosseguiu até às primeiras horas da madrugada. A festa da coroação da nova Rainha da Imprensa mereceu ainda a homenagem de vários estabelecimentos comerciais do centro, dos quais Climene recebeu finos presentes. Um luxuoso vestido foi oferecido pela conceituada firma Gutemberg Teles & Cia, enquanto a loja Copacabana, moderno atelier feminino da cidade, cuidou da confecção do mesmo. As lojas A Flama, Casa Rogério e Aba Film ofereceram, respectivamente, um par de sapatos luxuoso, leque e uma fotografia.
O autor desta reportagem, então aluno do Liceu do Ceará, compôs em homenagem à bela Majestade da imprensa cearense o soneto que foi publicado no mensário Voz Estudantil por este dirigido. Ei-lo:
Ao vê-la tão amável, tão radiante
Cinzida por diadema rutilante
Cuidei divisar u’a pétala de rosa
Que perfuma, inebria a todo instante.
Ao pisar na passarela tão nervosa
Aos aplausos da turba delirante
Via-se ficar mais bela e mais formosa
Tendo nos olhos um brilho mais brilhante.
Os salões luziam feericamente
Enquanto a Rainha deslumbrantemente
Fascinava com seu toque de magia.
Foi quando despertei do profundo sono
E fui, por instantes, seu eterno dono
Tendo nos braços a doce simpatia.
