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Ceará tem três professores de Matemática da rede pública entre os melhores do País

No último sábado, 8 de novembro, em um evento online, foram premiados os 20 medalhistas de ouro da segunda edição da Olimpíada de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMBr). Os três professores do Ceará se preparam agora para uma viagem de intercâmbio à China.

 

 

O Ceará tem três professores de Matemática da rede pública  entre os melhores do País. Breno Ricardo Oliveira Marques (Fortaleza), Renato Oliveira Targino (Fortaleza) e Rodolfo Soares Teixeira (Ipu) conquistaram a categoria ouro na Olimpíada Brasileira de Professores de Matemática do Ensino Médio (OPMBr).

Mais de 1,2 mil professores de todo o País participaram da OPMbr em sua segunda edição. O processo de avaliação incluiu três etapas: uma prova, uma apresentação em vídeo ilustrando o trabalho desenvolvido em sala de aula e uma entrevista que teve, entre os avaliadores, o professor Cristovam Buarque, que é membro do Conselho Acadêmico da OPMBr.

O objetivo da olimpíada, idealizada por ex-alunos da turma de 1989 do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), é reconhecer e valorizar aqueles que fazem a diferença ao ensinar Matemática pelo país a fora. O projeto é realizado com apoio da Sociedade Brasileira de Matemática e tem patrocínio do Instituto Aegea, da Lenovo Foundation e do Itaú Social.

Como prêmio, em maio de 2026, os 20 professores da categoria ouro participarão de um intercâmbio técnico e cultural de 15 dias a Xangai para conhecer o Centro de Educação para Professores da Unesco (TEC Unesco) na Universidade Normal da China, levando em conta que o país figura sempre entre os de melhor desempenho no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA).

“Na primeira edição, conseguimos levar os 10 professores da categoria ouro. Este ano, vamos levar 20. É uma oportunidade ímpar de imersão, aprendizado e troca de conhecimento. Nosso objetivo é reconhecer e valorizar iniciativas bem-sucedidas no ensino da Matemática em todo o País, de forma a disseminá-las, trabalhando para melhorar a qualidade do ensino da disciplina e, assim, contribuindo para alavancar a posição do Brasil no ranking mundial, a médio e longo prazo”, considera.

Depois da viagem de premiação, os professores selecionados vão ministrar workshops de Matemática para outros docentes, de cidades definidas em parceria com o Ministério da Educação.

 

Sobre a OPMbr

O Brasil ocupa hoje a 65ª posição no ranking que avalia o ensino da Matemática em 81 países do mundo, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA). A posição, nada louvável, tem como contraponto um outro dado: o mesmo país que ensina e aprende mal a Matemática no dia a dia das salas de aula do País é parte da elite da Matemática mundial (nível 5 da Internacional Mathematical Union – IMU), com pesquisadores e professores reconhecidos mundialmente.

A equação mal resolvida mobilizou um grupo de engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ex-alunos da turma de 1989,  na criação da OPMbr, que está em sua segunda edição.

 

O desejo de jogar bola com os amigos, o trabalho no transporte do pai e a certeza de que seu caminho era a Matemática

 

O professor Rodolfo Soares Teixeira começou a se interessar por Matemática ainda na infância, mas a relação não surgiu, assim, “do nada”. Por volta dos sete anos, ele queria terminar as tarefas da escola e jogar bola com os amigos na cidade onde viveu sua primeira infância, São João de Meriti, no Rio de Janeiro. Mas sua mãe estabelecia uma condição: “eu só podia sair para jogar bola se eu soubesse a tabuada”, conta, rindo.

A exigência, ao invés, de gerar resistência fez o menino perceber que, sim, ele gostava de Matemática. Tanto que, um pouco mais tarde, por volta dos 10, 11 anos, ele começou a ajudar o pai no trabalho, já na cidade onde mora até hoje, Ipu, no Ceará.

“Meu pai trabalhava com transporte alternativo. Eu ia com ele e, no final do trabalho, fazia todas as contas de cabeça: quantos passageiros entraram, quantos saíram, quanto tínhamos arrecadado e qual seria o lucro. Se meu pai conferisse e o resultado não batesse com o meu, ele contava tudo de novo. Ele confiava tanto em mim que já admitia que o erro tinha sido dele”, relembra.

Depois, o incentivo que faltava veio de duas inspirações. “Minha irmã mais velha – somos só nós dois – decidiu seguir carreira na Matemática. E, antes disso, tive uma professora maravilhosa, que me acompanhou do 8º ano do ensino fundamental ao 3ª ano do ensino médio. Ela nos dava a oportunidade de ir para o quadro e expor nossas ideias. A gente se sentia importante”, conta.

Hoje, a dedicação de Rodolfo demonstra que ele realmente seguiu o caminho da professora que marcou sua vida e contribuiu para ajudá-lo a traçar sua trajetória. “Eu comecei a trabalhar enquanto ainda fazia faculdade porque precisava me manter. Trabalhava como agente administrativo em uma cidade vizinha e ao retornar pra casa, pegava o ônibus no final do dia para uma viagem de duas horas até a Universidade Estadual do Vale do Acaraú – UVA. Chegava em casa meia-noite para repetir a rotina no dia seguinte. E essa é a vida de muitos moradores da minha cidade até o dia de hoje”, afirma.

Atualmente, dando aulas na rede estadual, municipal e particular de Ipu, Rodolfo trabalha para dar protagonismo a seus alunos e plantar a semente do gosto pela Matemática, a partir da criatividade e do trabalho colaborativo.

“Todo dia 14 de março comemoramos o dia do PI (o símbolo matemático que representa 3, 14 (π) com festa, bolo, parabéns e uma competição sobre as casas decimais do Pi. Também celebramos o Dia da Matemática, em 6 de maio, fazendo paródias, campeonatos de dama e xadrez. Toco violão e o uso o instrumento para tornar tudo mais leve e lúdico”, diz.

Outra frente de atuação é a preparação para as olimpíadas de Matemática. “Essa é minha grande paixão. A instituição onde leciono – Escola Estadual de Educação Profissional Antônio Tarcísio Aragão – foi fundada em 2010. Entrei nesse comecinho e já começamos a trabalhar a preparação para a participação dos alunos em olimpíadas. Em 2012, já colhemos os primeiros resultados e, de lá para cá, todos os anos recebemos premiações”, finaliza.

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