Editorial/Opiniões

A soberania brasileira não está à venda

O Jornal do Comércio é um veículo de imprensa independente, com autonomia editorial plena e compromisso com os valores democráticos. Seus diretores são contrários à anistia para criminosos políticos.

A decisão do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto representa uma grave escalada no campo das tensões ideológicas e políticas internacionais. O que está em jogo não é apenas o comércio exterior, mas a soberania nacional, a autonomia institucional do Brasil e o respeito às decisões judiciais que se aplicam a todos os cidadãos, inclusive ex-presidentes.

Trump tenta utilizar a máquina do Estado norte-americano para intervir, politicamente, nos rumos internos do Brasil, demonstrando solidariedade a Jair Bolsonaro e hostilidade ao Supremo Tribunal Federal brasileiro. Esta ingerência é inaceitável sob qualquer ponto de vista, ainda mais quando celebrada por setores ideológicos que ignoram o impacto real do tarifaço sobre a indústria nacional, sobretudo em São Paulo, epicentro das exportações brasileiras, cujo governador saudou a medida com um silêncio cúmplice ou entusiasmo disfarçado.

Em resposta, o presidente Lula da Silva (PT) assinou o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional em abril. O decreto, publicado no Diário Oficial da União, estabelece os procedimentos legais para que o Brasil possa aplicar medidas similares contra países que adotem sanções comerciais unilaterais, como fez o governo norte-americano.

Mais do que uma ação de governo, a medida é um gesto de Estado. Pela primeira vez, o Brasil se equipa com um instrumento jurídico claro para responder com firmeza a ataques econômicos motivados por interesses políticos externos. O Decreto cria um comitê interministerial com participação da indústria e do setor produtivo nacional que terá voz ativa na definição de eventuais retaliações.

Os números desmentem qualquer argumento norte-americano de desequilíbrio comercial. Os EUA acumulam superávit com o Brasil há mais de 15 anos. Só na última década, foram US$ 91,6 bilhões de saldo positivo para os americanos no comércio de bens.

Quem ganha mais com essa relação não é o Brasil, é Washington.
É preciso destacar, ainda, que a liberdade de expressão hoje está mais ameaçada nos próprios Estados Unidos do que no Brasil. As perseguições a jornalistas, a manipulação de redes sociais e o cerceamento da imprensa independente são práticas associadas ao trumpismo, e não à democracia brasileira. Enquanto isso, aqui, nossas instituições continuam funcionando com base na Constituição e nos princípios do Estado de Direito.

O Brasil não pode recuar. Se não houver diálogo com respeito, deve aplicar a Lei da Reciprocidade. Deve também proteger sua soberania, suas decisões judiciais e sua política externa. O governo Lula, legitimamente eleito pelo povo, tem todo o direito de escolher seus aliados internacionais. Quem decide os rumos do Brasil é o Brasil.

O Jornal do Comércio é um veículo de imprensa independente, com autonomia editorial plena e compromisso com os valores democráticos. Seus diretores são contrários à anistia para criminosos políticos, sejam eles de qualquer vertente ideológica, e rejeitam qualquer forma de censura nas redes sociais, reafirmando a importância da liberdade de expressão como pilar inegociável da democracia. Mas devemos impor regras e limites contra os radicais. A soberania nacional, a justiça imparcial e a pluralidade de vozes são princípios que este jornal defende com coerência, hoje e sempre.

Não se pode permitir que o presidente norte-americano, que flerta abertamente com o autoritarismo e a desinformação, dite os termos das relações internacionais do nosso país. O tarifaço não é um gesto comercial, é um gesto de ataque político. E a respos

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