Entretenimento

Itaú Cultural Play reúne cinema escolar e produções cearenses em seleções de dois festivais nacionais

Filmes do 18º MacacuCine e do 36º Cine Ceará chegam à plataforma em novembro, com histórias sobre infância, meio ambiente, memória, música, ancestralidade
e diversidade cultural
A Itaú Cultural Play (IC Play), plataforma gratuita de streaming dedicada ao cinema brasileiro, recebe em novembro duas novas seleções de festivais nacionais. A partir de 6 de novembro, entram no catálogo seis curtas-metragens do 18º MacacuCine – Festival Internacional de Cinema Escolar, disponíveis até 6 de dezembro. No dia seguinte, 7, chegam 17 produções do 36º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, que podem ser assistidas até 21 de novembro. Juntas, as programações apresentam diferentes perspectivas do audiovisual brasileiro, reunindo filmes realizados em projetos escolares, animações, ficções e documentários que abordam questões sociais, memória, identidade e manifestações culturais.
O acesso à Itaú Cultural Play é gratuito, disponível em itauculturalplay.com.br, nas smart TVs da Samsung, LG, Android TV e Apple TV, nos aplicativos para dispositivos móveis (Android e iOS) e Chromecast. Parte do conteúdo da IC Play também está disponível nas plataformas SKY+ e Watch Brasil.
Realizado presencialmente entre 14 e 23 de agosto, em Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro, o 18º MacacuCine teve como tema Cartografias do Afeto. Parte das produções selecionadas para a IC Play nasceu de oficinas de criação audiovisual desenvolvidas com estudantes, aproximando crianças e adolescentes das diferentes etapas de realização cinematográfica.
O 36º Cine Ceará acontece presencialmente de 7 a 13 de novembro, no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão, em Fortaleza. Sua programação contempla a Mostra Ibero-americana de Longa-metragem, a Mostra Brasileira de Curta-metragem e a Mostra Olhar do Ceará, dedicada à produção audiovisual do estado.
MacacuCine
Entre os filmes que chegam à plataforma está A bola mágica (RJ, 2026), de Guilherme Marques, realizado com estudantes do Ensino Fundamental da Escola Municipal Professor Carlos Brandão do Faraó, durante as oficinas do projeto MacacuCine nas Escolas. Na história, uma criança cansada de brincar sozinha inventa que sua bola possui poderes mágicos para atrair os amigos. Com 10 minutos de duração, o curta-metragem conquistou o segundo lugar pelo Júri Popular na categoria escolar do festival.
O folclore brasileiro aparece em A lenda que escapa (RJ, 2026), produção de direção coletiva realizada por alunos da Escola Municipal Bom Jardim. Durante uma brincadeira, um grupo de crianças tenta capturar o saci, até que uma delas acredita ter conseguido. Com quatro minutos, o filme aproxima a tradição oral das experiências infantis e mostra como personagens populares continuam presentes no imaginário das novas gerações.
Também produzido em ambiente escolar, A revolta dos macacos (RJ, 2026), de Aline Pinheiro e Guilherme Marques, apresenta uma escola onde os alunos desrespeitam o meio ambiente e acabam enfrentando uma reação inesperada da natureza. Realizado por estudantes do Ensino Médio do Colégio Estadual São José, o curta utiliza elementos de aventura para abordar a responsabilidade ambiental.
Em Invasão em Minas Gerais (MG, 2025), animação de direção coletiva desenvolvida nas Oficinas Poeira de Animação da Escola Hub Pampulha, uma nave extraterrestre pousa em uma praça de uma pequena cidade mineira. O encontro, inicialmente marcado pelo susto, transforma-se em uma oportunidade de aproximação entre os visitantes e os moradores. A produção utiliza o humor e a ficção científica para explorar o cotidiano e as tradições locais.
A experimentação com animação também está presente em Monstros (ES, 2023), realizado coletivamente por estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Juscelino Kubitscheck de Oliveira, por meio do Projeto Animação Ambiental, do Instituto Marlin Azul. Em apenas três minutos, os participantes transformam criaturas criadas pela própria imaginação em personagens animados, explorando as possibilidades do desenho em movimento.
Em O Ecodespertar: um chamado à natureza (RJ, 2024), de Guilherme Marques, um grupo de amigos parte em busca de um tesouro nas Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu. Produzido por estudantes da Escola Municipal Engenheiro Elias Farhat, o filme combina aventura, preservação ambiental e patrimônio histórico, convidando o público a observar de outra maneira os espaços e as histórias de sua comunidade.
Cine Ceará
A seleção do Cine Ceará reúne produções que percorrem diferentes linguagens e temas, com destaque para a memória cultural, a música, as relações afetivas, a ancestralidade e as transformações sociais. Entre os documentários está Douvina (CE, 2026), de Márcio Câmara, que acompanha Douvina Câmara, mulher que convive com o Alzheimer. A partir de registros do cotidiano, imagens de arquivo e lembranças de sua relação com o pesquisador Christiano Câmara, o longa aborda a preservação da memória e os vínculos construídos ao longo da vida. O casal também esteve ligado à formação e à conservação de um acervo de discos, livros e fotografias.
A história da música brasileira é revisitada em Pessoal do Ceará – Lado A Lado B (CE, 2026), de Nirton Venancio. O documentário percorre o período de 1969 a 1979, durante a ditadura civil-militar, para apresentar o contexto de formação do movimento musical que projetou artistas como Fagner, Ednardo, Belchior, Rodger e Teti. Resultado de uma pesquisa desenvolvida ao longo de dez anos, o filme recupera acontecimentos e bastidores de uma geração que marcou a produção musical cearense.
Em Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (CE, 2025), de Weyna Macedo, Lucas Parente, Adeciany Castro e Mariana Smith, o cinema recupera a história da comunidade religiosa liderada pelo Beato José Lourenço, que existiu entre 1926 e 1937, quando foi atacada por forças policiais e militares. A produção utiliza película 16 mm vencida, revelada artesanalmente, estabelecendo uma relação entre as marcas físicas do material cinematográfico e a memória da destruição do Caldeirão. O episódio permanece como referência para movimentos ligados à organização comunitária e à luta pela terra.
A produção cearense também explora o fantástico em Kaira e o temporal (CE, 2025), de Wagner Nogueira Mendes. Na trama, uma jovem enfrenta a Máquina-Metrópole Cronos, responsável por apagar o passado de uma população para controlar seu futuro. Baseado em uma história em quadrinhos, o filme combina cenas com atores e animação artesanal, articulando ficção científica, memória e referências culturais.
Outra aventura é apresentada em Plano secreto de Alie (CE, 2026), de Lux Farr. A protagonista constrói uma escada até o céu e leva todas as estrelas para seu quarto, deixando a noite mergulhada na escuridão. Ao lado de Marcolango, um calango que perde o próprio rabo depois do susto, a criança precisa encontrar uma maneira de devolver os astros ao lugar de origem.
As relações afetivas e a passagem do tempo aparecem em Quase à meia-voz (CE, 2026), de Maria Tamires e Victor Emanuel Borges. O drama traz Eulália e Iremar, duas mulheres que, entre encontros amorosos e atividades cotidianas, vivem uma relação marcada pelo desejo e pela possibilidade de recomeçar. Às vésperas dos 60 anos de Eulália, a narrativa questiona os limites impostos socialmente ao amor e à sexualidade na maturidade.
Em Marimbã está acontecendo (CE, 2026), animação de Gustavo Caboco Wapixana, os sonhos e as águas conduzem uma reflexão sobre os futuros possíveis para pessoas trans. A produção aproxima parentalidade, infância, envelhecimento, espiritualidade e redes de apoio, imaginando diferentes formas de existência e convivência ao longo das próximas décadas.
O universo das artes populares está presente em Stênio (CE, 2026), de Yan Tavares, documentário sobre o xilogravurista Stênio Diniz, mestre da cultura popular do Ceará. Em seu ateliê, em Juazeiro do Norte, o artista reencontra uma peça de madeira transformada pela ação dos cupins após anos de abandono. O material se torna ponto de partida para reflexões sobre criação, natureza e transmissão de saberes.
A seleção inclui ainda Pirexia (CE, 2026), de Nico da Costa, sobre um músico que enfrenta um bloqueio criativo e reencontra um antigo parceiro artístico e amoroso. Sinal (CE, 2026), de Barbara Matias Kariri, que acompanha um penitente afastado de sua comunidade. Janaína e a concha (CE, 2025), animação de Malu Meneses sobre uma sereia que passa a viver como humana após se casar com um pescador.
As fichas completas dos filmes da Macacucine e do Cine Ceará, com sinopses, duração, direção, classificação indicativa e demais informações, estão disponíveis em arquivo complementar para consulta.
SERVIÇO:
18º MacacuCine – Festival Internacional de Cinema Escolar
6 de novembro a 6 de dezembro
Na Itaú Cultural Play: www.itauculturalplay.com.br
36º Cine CE
7 a 21 de novembro
Na Itaú Cultural Play: www.itauculturalplay.com.br

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.