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Municípios ligados a Itaqui, Pecém e Suape movimentam US$ 9,6 bilhões no comércio exterior até setembro

São Gonçalo do Amarante, onde está o Porto de Pecém, é o único dos três polos com saldo comercial positivo; São Luís concentra maior valor exportado

Porto de Pecém, no Ceará. Foto: Cacio Murilo (Depositphotos)

 

Recife (PE) – Municípios associados aos complexos portuários de Itaqui (MA), Pecém (CE) e Suape (PE) movimentaram cerca de US$ 9,6 bilhões em exportações e importações entre janeiro e setembro de 2026. O levantamento, realizado a partir da Data Nordeste, plataforma de dados da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), mostra perfis diferentes de inserção no comércio internacional entre os três principais polos portuários considerados na análise.

São Luís registrou o maior valor exportado, com mais de US$ 1,3 bilhão no período. Em seguida aparece São Gonçalo do Amarante (CE), município onde está localizado o Complexo do Pecém, com US$ 941,9 milhões. Já Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho (PE), municípios que integram a área do Complexo Industrial Portuário de Suape, somaram US$ 434,6 milhões em exportações.

Na balança comercial, porém, os resultados são diferentes. São Gonçalo do Amarante é o único dos três polos com saldo positivo, de aproximadamente US$ 449,1 milhões até setembro. O município registrou US$ 492,8 milhões em importações.

Em São Luís, as importações chegaram a US$ 3,4 bilhões, enquanto, nos municípios associados a Suape, somaram US$ 3 bilhões. Os dois territórios, portanto, apresentaram saldo comercial negativo no período.

A pauta de exportações também diferencia os territórios. Em São Luís e São Gonçalo do Amarante, aparecem entre os principais produtos alumínio, soja, minérios, ligas de aço e produtos semimanufaturados. No Maranhão, Canadá, China e Estados Unidos estão entre os principais mercados de destino. No Ceará, os Estados Unidos e México aparecem entre os principais compradores.

A composição das exportações mostra a presença de produtos ligados às cadeias de mineração, metalurgia e agropecuária, além de produtos industrializados e semimanufaturados.

Nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, os principais grupos de produtos exportados contêm itens dos segmentos mineral e de plásticos. No sentido inverso, os principais países de origem dos produtos importados foram Estados Unidos e Países Baixos, com destaque para produtos minerais e químicos. O resultado representa um déficit comercial de US$ 2,6 bilhões para o conjunto dos dois municípios.

Já em São Luís, a balança comercial apresentou um saldo negativo de US$ 2,1 bilhões. Entre os principais fornecedores estrangeiros estão Estados Unidos e Rússia. Os produtos minerais e da indústria química estão entre os principais itens importados.

Comércio exterior e território

Os dados utilizados no levantamento estão disponíveis no Data Nordeste, plataforma que reúne informações sobre exportações e importações dos estados e municípios das áreas abrangidas pela Sudene. Os painéis permitem consultar valores, produtos, países de destino ou origem e saldo comercial.

É importante observar que a estatística municipal de comércio exterior considera o domicílio fiscal da empresa exportadora ou importadora. Isso significa que o município registrado na base não corresponde necessariamente ao local onde a mercadoria foi produzida nem, no caso das exportações, ao porto onde ocorreu o embarque. O critério pode concentrar operações em municípios que abrigam empresas exportadoras e complexos portuários.

No caso dos municípios analisados, essa ressalva é especialmente relevante porque São Luís, São Gonçalo do Amarante, Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho estão associados a importantes estruturas portuárias. Os números, portanto, devem ser lidos como estatísticas municipais de comércio exterior, e não como movimentação física de cargas de cada porto.

Os dados têm como fonte o ComexStat, da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC). A base municipal mais recente disponível contempla os dados de janeiro a setembro de 2026.

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