Pesquisa

Pesquisa com superdotados no Brasil revela resultados surpreendentes sobre preferência política e dupla excepcionalidade

Levantamento realizado no Brasil, com apoio da Infinity International Society (IIS), reuniu 100 voluntários de diferentes regiões do país. Resultados parciais analisados apontam diferenças nas preferências políticas de pessoas com altas habilidades e condições como TDAH e autismo.

Em meio às eleições presidenciais de 2026, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH) realizou um levantamento para investigar as preferências políticas de pessoas com altas habilidades ou superdotação no Brasil. Segundo a instituição, participaram 100 voluntários de diferentes regiões do país, incluindo integrantes de sociedades de alto QI como Mensa, Intertel, Infinity International Society (IIS), Triple Nine Society (TNS) e ISI.

A pesquisa contou com o apoio da Infinity International Society, uma sociedade internacional restrita de alto quociente de inteligência. O objetivo foi observar possíveis relações entre capacidade intelectual, posicionamento político e dupla excepcionalidade, condição caracterizada pela coexistência de altas habilidades com condições do neurodesenvolvimento, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtorno do espectro autista (TEA).

Direita apresentou maior identificação política

Na parcela de respostas disponibilizada para análise estatística, 52,6% dos superdotados declararam identificação com a direita, enquanto 21,1% se posicionaram à esquerda e 10,5% na centro-esquerda. Libertários, centristas e apolíticos representaram, cada grupo, 5,3%.

Os resultados demonstraram predominância da direita no recorte analisado, mas revelaram diferenças quando os pesquisadores examinaram a presença de condições associadas à dupla excepcionalidade.

Superdotados de esquerda apresentaram maior presença de dupla excepcionalidade

Um dos achados que mais chamou a atenção foi a distribuição das condições do neurodesenvolvimento entre os grupos políticos.

Entre os participantes identificados com a esquerda, 100% declararam dupla excepcionalidade associada ao TDAH. Já entre os identificados com a direita, 40% relataram dupla excepcionalidade, distribuídos da seguinte forma: 20% com TDAH, 10% com autismo e 10% com autismo associado ao TDAH. Os outros 60% não declararam dupla excepcionalidade.

Entre os participantes identificados com a centro-esquerda, nenhum declarou dupla excepcionalidade.

Ao considerar exclusivamente os voluntários com dupla excepcionalidade, a distribuição política ficou equilibrada: 50% identificaram-se com a direita e 50% com a esquerda.

A diferença chama a atenção por sugerir uma possível associação a ser investigada entre perfis neurodesenvolvimentais e identificação política. Entretanto, os resultados não permitem estabelecer uma relação causal ou afirmar que o TDAH ou o autismo determinem preferências ideológicas.

Motivações políticas também apresentaram diferenças

A pesquisa investigou os principais fatores considerados pelos voluntários na definição do posicionamento político.

Entre os participantes identificados com a direita, 50% apontaram pautas econômicas como principal motivação, enquanto 30% destacaram pragmatismo e gestão. Os outros 20% mencionaram razões diferentes.

No grupo identificado com a esquerda, 100% indicaram pautas sociais como principal motivação.

Entre os participantes da centro-esquerda, 50% destacaram o ceticismo em relação ao sistema político, enquanto 50% apresentaram outras motivações.

Outro resultado observado foi a insatisfação com a própria classificação ideológica. Aproximadamente 84,2% consideraram que a divisão tradicional entre esquerda e direita representa apenas parcialmente o seu pensamento ou que o debate político brasileiro se encontra distorcido.

Limitações e continuidade da investigação

O CPAH reconhece as limitações do levantamento. Embora a instituição informe a participação de 100 voluntários, os percentuais apresentados nesta divulgação correspondem ao recorte de respostas disponibilizado para análise.

A investigação também contou com uma janela de participação de aproximadamente uma semana, o que restringiu a captação de voluntários e a possibilidade de construir uma amostra mais diversificada.

Os resultados devem ser compreendidos como observações exploratórias e não representam uma estimativa da preferência política de toda a população superdotada brasileira.

Estudo terá registro científico

A investigação foi conduzida pelo Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH), instituição privada dedicada à pesquisa em neurociências, genética, cognição e comportamento humano.

Segundo a instituição, o estudo deverá receber um identificador digital permanente (DOI), permitindo sua identificação e referência científica.

Os dados levantam novas questões sobre a relação entre funcionamento cognitivo, condições neurodesenvolvimentais e posicionamento ideológico, especialmente quanto às diferenças observadas entre superdotados com e sem dupla excepcionalidade.

A principal contribuição da pesquisa está na identificação de padrões exploratórios que poderão orientar investigações posteriores, com amostras maiores, grupos comparativos e análises estatísticas inferenciais.

Fonte: Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH). Pesquisa Estatística: Espectro Político, Faixa de QI e Dupla Excepcionalidade, outubro de 2026.

Créditos – Foto: Divulgação / iMF Press Global

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