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Medo do diagnóstico pode atrasar a detecção do câncer de mama, alerta especialista do MPHU

A ginecologista do MPHU, Caroline Xavier, alerta que a doença pode evoluir sem sintomas perceptíveis e reforça a importância da mamografia, do acompanhamento médico e da investigação de alterações nas mamas.

O medo de descobrir uma doença grave pode fazer com que mulheres adiem consultas, exames e até a investigação de alterações nas mamas. No entanto, quando o assunto é câncer de mama, esperar pelo aparecimento de sintomas ou deixar de procurar atendimento por receio do resultado pode atrasar o diagnóstico e comprometer as oportunidades de tratamento.

De acordo com a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio de 2026 a 2028. A doença representa cerca de 30% dos casos de câncer entre as mulheres e é o tipo mais incidente nessa população, desconsiderados os tumores de pele não melanoma. Os dados reforçam a importância da conscientização, da prevenção e do diagnóstico oportuno.

Para a ginecologista do Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), Caroline Xavier, um dos principais desafios é conscientizar as mulheres de que o cuidado com a saúde não deve começar apenas quando surge algum sintoma.

“O câncer de mama pode estar presente mesmo quando a mulher não sente dor, não percebe nenhum caroço ou qualquer outra alteração nas mamas. Por isso, não devemos esperar o aparecimento de sintomas para cuidar da saúde. A mamografia pode identificar alterações muito iniciais, antes mesmo que elas sejam percebidas pela própria mulher”, explica a médica.

O medo não deve afastar a mulher do cuidado

A possibilidade de receber um diagnóstico de câncer desperta insegurança, ansiedade e medo em muitas pessoas. Para algumas mulheres, esses sentimentos podem se transformar em um obstáculo à procura por atendimento, especialmente quando existe receio de enfrentar um tratamento ou de lidar com as consequências da doença.

Embora esse comportamento seja uma preocupação relevante na assistência à saúde, não há um percentual nacional único que permita afirmar quantas mulheres deixam de realizar a mamografia especificamente por medo do diagnóstico. O tema, porém, merece atenção por seu impacto potencial na procura por atendimento e na continuidade dos cuidados.

Segundo Caroline Xavier, é importante compreender que realizar um exame não significa ter uma doença. Quando uma alteração é identificada, a investigação médica permite esclarecer sua natureza e definir a conduta adequada.

“Você não precisa deixar de sentir medo para se cuidar. Pode sentir medo e, ainda assim, dar esse passo por você. Se alguma alteração for identificada, descobrir precocemente pode fazer muita diferença nas possibilidades de tratamento”, orienta.

A recomendação é procurar atendimento diante de alterações suspeitas, como nódulos, mudanças na pele ou no formato da mama, alterações no mamilo ou secreção espontânea, especialmente quando houver sangue. Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Histórico familiar não é o único fator de risco

Outro equívoco comum é acreditar que apenas mulheres com casos de câncer de mama na família precisam se preocupar com a doença. Embora o histórico familiar seja um fator importante, ele não é determinante para todos os casos.

“A maioria das mulheres diagnosticadas não apresenta necessariamente um histórico familiar conhecido da doença. A idade, o histórico pessoal e outros fatores também influenciam o risco. Por isso, mesmo quem não tem casos na família deve manter o acompanhamento em dia”, esclarece Caroline.

A idade é um dos principais fatores de risco: segundo o INCA, aproximadamente quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. Isso não significa, entretanto, que mulheres mais jovens estejam totalmente livres do risco.

A orientação é que a frequência e a indicação dos exames sejam definidas conforme a idade, os antecedentes pessoais e familiares e as recomendações médicas. A mamografia de rastreamento é destinada a mulheres sem sinais ou sintomas; já diante de uma alteração suspeita, a avaliação diagnóstica deve ser procurada sem esperar o próximo exame de rotina.

Informação e acompanhamento fazem a diferença

O Outubro Rosa é uma oportunidade para ampliar o diálogo sobre o câncer de mama, combater a desinformação e incentivar as mulheres a priorizarem a própria saúde. Mais do que realizar exames em um único período do ano, o cuidado envolve acompanhamento regular, atenção às mudanças no corpo e acesso à avaliação profissional sempre que necessário.

A mensagem da ginecologista do MPHU é direta: o medo pode existir, mas não deve ser motivo para adiar o cuidado. Buscar orientação, realizar os exames indicados e investigar alterações são atitudes importantes para que possíveis doenças sejam identificadas no momento adequado.

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