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IA acelera negócios, mas eficiência sozinha não garante impacto

IA acelera negócios, mas eficiência sozinha não garante impacto

Gisele Abrahão, Filipe Guimarães, Mariane Takahashi, Aline Melo Borges e George Affonso Ferreira.(Foto: Mary de Aquino/PIP)

Painel reúne representantes do Sebrae-SP, Cubo Itaú e Artemisia para discutir acesso à tecnologia, produtividade, mensuração de resultados e governança

Fazer mais em menos tempo é uma das promessas mais imediatas da inteligência artificial. Para empresas e organizações voltadas à geração de impacto, porém, há uma pergunta adicional: o que acontece com o tempo, o dinheiro e a produtividade obtidos com a tecnologia? E quem se beneficia desses ganhos.

A questão atravessou o painel “IA como aceleradora da Nova Economia de Impacto”, realizado durante o 6º Encontro Impactos Positivos, em 24 de setembro, na FIAP, em São Paulo.

Participaram do debate Aline Melo Borges, consultora de Projetos e Inovação do Sebrae-SP; Filipe Guimarães, do Cubo Itaú; e George Affonso Ferreira, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Artemisia. A mediação ficou a cargo de Mariane Takahashi, executiva com trajetória nas áreas de tecnologia, startups, marketing e inovação.

Ferreira abordou a inteligência artificial a partir de uma questão central para negócios de impacto: a diferença entre ganhar eficiência e produzir uma transformação mensurável.

“A eficiência é a primeira camada”, afirmou George Affonso Ferreira.

Uma empresa pode usar IA para reduzir custos e ampliar margens. O resultado social ou ambiental, contudo, depende do que acontece depois. A economia pode ser usada para tornar um serviço mais acessível ou permitir que ele alcance públicos antes excluídos. Também pode simplesmente ampliar o resultado financeiro do negócio.

A dificuldade aumenta porque impacto nem sempre aparece rapidamente. Ferreira citou áreas como saúde e educação, nas quais os efeitos de uma intervenção podem levar anos para ser medidos. A pressão por indicadores de curto prazo pode fazer organizações privilegiarem aquilo que é mais fácil de contar, e não necessariamente aquilo que melhor demonstra a transformação pretendida.

Conseguir um emprego, por exemplo, é um indicador. Permanecer empregado meses depois revela outra dimensão do resultado. Conceder crédito também não mostra, isoladamente, o efeito que aquele recurso produziu.

“Só ganhar eficiência por si só não diz nada”, afirmou Ferreira. Uma operação pode ficar mais rápida e, ao mesmo tempo, perder qualidade ou piorar o resultado que pretendia melhorar.

Aline Borges levou a discussão para a realidade das micro e pequenas empresas. Para a consultora do Sebrae-SP, a inteligência artificial não elimina a diferença econômica entre pequenos negócios e grandes companhias, mas reduz algumas barreiras para quem está começando.

Ferramentas disponíveis no mercado já permitem que um empreendedor sem desenvolvedores em sua equipe crie um protótipo ou produto mínimo viável, teste uma ideia e tente gerar receita antes de montar uma estrutura tecnológica maior.

“O gap ainda existe”, afirmou Aline Borges.

O acesso mais fácil, segundo ela, precisa ser acompanhado por governança. Empresas devem estabelecer regras sobre o que pode ser feito com inteligência artificial, documentar processos e definir quais decisões exigem supervisão humana.

Borges também chamou atenção para a necessidade de letramento digital e pensamento crítico. Modelos de IA podem produzir informações incorretas e carregam escolhas feitas durante seu desenvolvimento e treinamento. Saber utilizar a ferramenta, portanto, não significa aceitar suas respostas sem questionamento.

Filipe Guimarães trouxe ao debate a perspectiva dos ecossistemas de inovação. No Cubo Itaú, atua na relação com grandes empresas e em projetos que aproximam companhias, startups, investidores e outros participantes do mercado.

Para Felipe Guimarães, a IA pode assumir tarefas e acelerar etapas do desenvolvimento de soluções, liberando tempo para atividades em que a contribuição humana continua central.

“A parte criativa sempre vai estar na mão dos humanos”, afirmou Filipe Guimarães.

O ponto encontra paralelo na experiência relatada por Ferreira. O executivo da Artemisia citou o uso de IA na preparação inicial de apresentações, uma tarefa que passou a consumir uma fração do tempo anterior. O valor desse ganho, argumentou, está na possibilidade de deslocar esforço para trabalhos que demandam pensamento crítico, discernimento, criatividade e sensibilidade.

Mariane Takahashi conduziu a conversa também para os riscos da adoção acelerada da tecnologia. Com passagem pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups), a moderadora levantou questões relacionadas a segurança, ética e aos limites necessários à medida que sistemas de IA ganham autonomia.

As respostas mostraram perspectivas distintas sobre uma mesma transformação. Ferreira concentrou-se na necessidade de medir o resultado produzido, e não apenas a eficiência obtida. Borges destacou acesso, governança e responsabilidade humana. Guimarães tratou a tecnologia como instrumento para acelerar processos sem retirar das pessoas criatividade e capacidade de decisão.

O debate ocorreu na sexta edição do Encontro Impactos Positivos, criado por Gisele Abrahão, fundadora e CEO da plataforma Impactos Positivos. O evento teve como tema “Inteligência Artificial. Inteligência humana. Impacto coletivo.” O Sebrae esteve entre os patrocinadores.

A programação incluiu ainda o 6º Prêmio Impactos Positivos. Aventura de Construir foi reconhecida na categoria Dinamizador; Pesqueiro Sustentável, em Ideação; TrackGains, em Operação; e Parque Ecológico Rio Formoso, em Tração/Escala.

A discussão do painel apontou para uma divisão que tende a ganhar importância à medida que o uso da IA se espalha pelas empresas. Uma coisa é medir quanto tempo ou dinheiro uma ferramenta economiza. Outra é determinar o que será feito com esse ganho e qual resultado ele produzirá. Para negócios de impacto, a segunda medida pode dizer mais do que a primeira.

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