Após imersão na China, executiva cearense aponta aprendizados sobre inovação, sustentabilidade e futuro dos negócios
Raíssa Bisol passou por Guangzhou e Xangai, palestrou sobre sustentabilidade empresarial e destaca a importância de adaptar referências globais à realidade dos negócios brasileiros
Depois de uma imersão em um dos mercados mais dinâmicos do mundo, a executiva cearense Raíssa Bisol retornou da China com uma percepção reforçada: conhecer referências internacionais é importante, mas inovação não significa simplesmente reproduzir modelos. O desafio está em compreender tendências, avaliar diferentes realidades e transformar aprendizados globais em soluções coerentes com os contextos locais.
Raíssa participou, no início de setembro, do Passaporte Soberana – China Experience, uma imersão internacional realizada em Guangzhou e Xangai que reuniu dez mulheres empreendedoras e líderes do Brasil e da Europa, de diferentes setores e trajetórias profissionais.
Ao longo da programação, o grupo teve contato com empresas, fornecedores, fábricas, centros comerciais e ambientes ligados à tecnologia, além de experiências relacionadas a branding, inovação, posicionamento e comportamento do consumidor.
Para Raíssa, um dos principais aprendizados esteve justamente na possibilidade de observar como diferentes elementos: tecnologia, experiência, velocidade, inovação e estratégia se relacionam no ambiente de negócios e, a partir daí, refletir sobre o que pode fazer sentido para a realidade brasileira.
“A experiência ampliou meu olhar, mas também reforçou algo em que já acreditava: não se trata de voltar tentando reproduzir tudo o que vimos. O mais importante é entender o que podemos aprender, o que precisa ser adaptado à nossa realidade e quais práticas nós também temos para compartilhar”, avalia.
Sustentabilidade como decisão de negócio
Em Guangzhou, Raíssa também apresentou a palestra “O Jogo Continua – Como ganhar hoje sem tirar o amanhã do jogo”, construída a partir de experiências acumuladas ao longo de sua trajetória profissional no Ceará.
A executiva levou para o encontro uma reflexão sobre a necessidade de aproximar a sustentabilidade das decisões estratégicas das empresas. Em vez de tratá-la apenas como uma pauta ambiental, defendeu um olhar que considerasse simultaneamente resultado financeiro, pessoas, reputação, recursos, relações e capacidade de continuidade dos negócios.
A mensagem central foi resumida durante a apresentação: “Sustentabilidade é ganhar hoje de um jeito que ainda exista um amanhã para ganhar de novo.”
Na palestra, Raíssa compartilhou experiências envolvendo gestão de resíduos, relacionamento com comunidades, escuta de diferentes públicos, desenvolvimento de pessoas e construção de reputação. A partir desses casos, apresentou a ideia de que toda decisão empresarial envolve dois horizontes: aquilo que precisa dar resultado agora e aquilo que precisa continuar existindo depois.

Uma troca que também parte do Ceará
Outro insight que ganhou força durante a viagem foi a percepção de que experiências internacionais não precisam estabelecer uma relação em que o Brasil ocupa apenas o lugar de quem aprende.
Raíssa, que construiu sua trajetória profissional no Ceará, levou para o encontro experiências desenvolvidas no Estado e compartilhou sua visão sobre sustentabilidade, desenvolvimento e responsabilidade empresarial com mulheres de diferentes mercados.
Durante a viagem, ela destacou o significado dessa troca: “Existe um orgulho muito grande de representar o Ceará e mostrar que nós também temos experiências, conhecimento e boas práticas para compartilhar com o mundo”.
Depois da imersão, essa percepção permanece como um dos principais resultados da experiência. Para a executiva, olhar para mercados internacionais também pode contribuir para que profissionais e empresas locais reconheçam com maior clareza o valor do conhecimento produzido em seus próprios territórios.
“Quando atravessamos fronteiras, naturalmente buscamos referências e novos conhecimentos. Mas essa experiência também me fez olhar novamente para o Ceará e perceber a quantidade de soluções, profissionais e boas práticas que construímos aqui. A troca precisa acontecer nos dois sentidos”, afirma.
Do aprendizado à prática
Mais do que uma agenda internacional, Raíssa considera que o valor da experiência estará na capacidade de transformar observações e conexões em decisões posteriores.
A passagem pela China reforçou, segundo ela, a importância das empresas ampliarem o olhar sobre inovação sem perder de vista os impactos de suas escolhas. Tecnologia, crescimento e competitividade podem responder às necessidades do presente, mas precisam ser pensados também a partir da capacidade de gerar valor no longo prazo.
É a mesma reflexão que encerrou sua apresentação em Guangzhou e que agora retorna ao Ceará como provocação para empresas e lideranças: qual resultado precisa ser alcançado hoje e quais condições precisam ser preservadas para que seja possível continuar crescendo amanhã?
