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Educação financeira para cada fase da infância: quanto guardar hoje para a faculdade 

Uma revisão de mais de 100 estudos, conduzida por pesquisadores da Universidade de Cambridge e baseada em pesquisas produzidas ao longo de cerca de 30 anos, indica que hábitos e atitudes relacionados ao dinheiro já começam a se formar por volta dos sete anos de idade. É nessa fase, entre brincadeiras e as primeiras mesadas, que se plantam as bases de como o dinheiro será tratado décadas depois. Não à toa, o Brasil ainda ocupa uma posição modesta em avaliações internacionais de letramento financeiro: de acordo com o PISA 2022, da OCDE, apenas 2% dos estudantes brasileiros avaliados alcançaram o nível mais alto de proficiência em educação financeira, ante uma média de 11% entre os países da OCDE participantes da avaliação.

 

O Dia das Crianças, então, pode ir muito além dos brinquedos. A data também abre espaço para uma conversa que rende frutos por décadas: como introduzir a educação financeira em casa, respeitando o momento de desenvolvimento de cada criança, e como transformar esse aprendizado em planejamento para etapas mais caras da vida, como a faculdade. Confira a seguir como esse aprendizado pode ser adaptado a cada fase da infância.

 

Mesada e letramento financeiro

 

Assim como não se ensina a andar de bicicleta com uma aula de física, a educação financeira também precisa ser adaptada à fase da vida. O caminho costuma ficar mais natural quando dividido em três momentos:

 

Dos 3 aos 6 anos: o primeiro contato com o dinheiro

 

Nessa fase, o objetivo não é ensinar contas, mas apresentar noções simples: a diferença entre “precisar” e “querer” e a ideia de que nem tudo chega na hora exata do pedido. O clássico “teste do marshmallow”, em que crianças eram desafiadas a esperar para ganhar uma recompensa maior, ajudou a popularizar a relação entre a capacidade de esperar e o desenvolvimento do autocontrole. Pesquisas posteriores, porém, indicam que fatores familiares, ambientais e socioeconômicos também influenciam os resultados ao longo da vida. Guardar moedinhas em um cofrinho transparente, por exemplo, já ajuda a criança a associar paciência a conquista.

Dos 7 aos 12 anos: a mesada como primeiro “salário”

 

É na infância intermediária que a mesada costuma entrar em cena, seja como um valor regular, seja associada a tarefas previamente combinadas, funcionando, na prática, como um primeiro exercício de responsabilidade financeira. Um método simples é o dos potes: uma parte do valor recebido vai para gastar agora, outra para guardar rumo a um objetivo maior e uma terceira para ajudar outras pessoas. Um exemplo concreto ajuda a fixar a lógica: se um brinquedo custa R$ 100 e a criança consegue guardar R$ 10 por mês, o cálculo de que serão necessários dez meses já introduz, de forma lúdica, o conceito de planejamento financeiro.

 

Na adolescência: mais autonomia e as primeiras decisões de peso

 

Com a chegada da adolescência, cresce também a complexidade das decisões. É comum que a família passe a considerar uma conta bancária própria para o adolescente, o que ajuda a entender como funcionam os serviços financeiros na prática. O tema do cartão de crédito costuma gerar dúvidas: quando bem utilizado, com limites compatíveis e sempre com a fatura paga integralmente, pode ser uma ferramenta de aprendizado. O cuidado maior está em evitar o chamado crédito rotativo, que figura entre as modalidades mais caras do mercado e costuma registrar taxas anuais de três dígitos. É também nessa fase que a família pode abrir os primeiros investimentos em nome do próprio jovem, desde que observadas as regras da instituição financeira e a representação ou assistência do responsável legal.

 

Esse mesmo raciocínio, o de transformar um objetivo grande em pequenos aportes recorrentes, sustenta um dos planejamentos mais estratégicos dentro de uma família: a faculdade dos filhos. Veja a seguir quanto, na prática, seria preciso guardar todos os meses para transformar esse objetivo em realidade.

 

Da mesada aos estudos superiores: quanto guardar todo mês

 

Segundo o levantamento Cenário de Precificação da Graduação – Brasil 2026, atribuído à Hoper Educação em parceria com a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), a mediana das mensalidades presenciais no país seria de R$ 835 em 2026, enquanto o ensino a distância teria mediana de R$ 214. Medicina apareceria como uma exceção, com mediana de R$ 11,4 mil por mês e valores que poderiam ultrapassar R$ 15 mil em algumas instituições.

Felizmente, o mesmo princípio dos juros compostos que vale para a mesada infantil vale, em escala maior, para esse objetivo: quanto mais cedo o dinheiro começa a ser investido, menor tende a ser o esforço mensal necessário para chegar ao valor final, porque parte do caminho pode ser feita pelos rendimentos acumulados ano após ano.

 

Uma referência de investimento de longo prazo para esse tipo de objetivo é o Tesouro IPCA+, que busca preservar o poder de compra ao combinar a variação do IPCA com uma taxa prefixada. As taxas variam diariamente, e a rentabilidade contratada só é assegurada se o título for mantido até o vencimento. Em caso de venda antecipada, o preço pode oscilar com a marcação a mercado.

 

Para a simulação a seguir, foi adotada, apenas como hipótese de cálculo, uma rentabilidade real de 6% ao ano. O retorno efetivo pode ser maior ou menor, e não há garantia de que essa taxa estará disponível durante todo o período. Com base nessa premissa, é possível estimar quanto seria necessário guardar todo mês, considerando diferentes cursos e prazos até os 18 anos do filho.

 

Simulação com retorno real hipotético de 6% ao ano (acima da inflação), aportes realizados ao fim de cada mês e valores brutos. Os custos dos cursos estão expressos em valores de hoje e não consideram bolsas, impostos, taxas ou reajustes distintos da inflação. Custos baseados nas medianas nacionais de mensalidades da Hoper Educação/ABMES.

 

O que salta aos olhos na tabela é o efeito multiplicador do tempo: para o mesmo curso presencial padrão, guardar por 15 anos, em vez de 5, reduz o aporte mensal necessário em cerca de 76%, de R$ 577 para R$ 140. É a mesma lógica dos juros compostos explicada ainda na infância, só que aplicada a um objetivo bem maior.

 

Vale lembrar, ainda, que a conta também pode ser reduzida por bolsas institucionais ou pelo Programa Universidade para Todos (Prouni), ou redistribuída ao longo do tempo por alternativas de financiamento, como o Fies. Isso reforça que o valor simulado é uma referência de planejamento, não uma obrigação rígida.

 

Onde guardar esse dinheiro

 

Para objetivos de longo prazo como a faculdade, a família pode combinar diferentes estratégias. Uma conta de investimentos em nome do próprio filho, aberta com a participação do responsável legal e conforme as regras da instituição, ajuda a vincular o dinheiro ao objetivo.

 

Entre as alternativas, o Tesouro Educa+ merece destaque por ter sido desenhado especificamente para objetivos educacionais. O título combina a variação do IPCA com uma taxa de juros contratada no momento da compra e, a partir da data de conversão escolhida, transforma o valor acumulado em 60 pagamentos mensais, durante cinco anos. Esse formato aproxima o investimento do fluxo de despesas de uma graduação e ajuda a preservar o poder de compra do dinheiro. Ainda assim, é importante compatibilizar a data de conversão com o início previsto dos estudos e lembrar que, em caso de venda antecipada, o preço do título pode oscilar com a marcação a mercado.

Outras alternativas também podem complementar a estratégia: títulos do Tesouro IPCA+ com vencimento alinhado à meta, debêntures incentivadas — que podem ser isentas de imposto de renda para pessoas físicas, mas têm risco de crédito do emissor e não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — e previdência privada, desde que a família avalie taxas, regime tributário, prazo e qualidade do fundo.

 

Acesse o nosso relatório Onde Investir e explore as possibilidades de planejamento financeiro.

 

O dinheiro como ferramenta, não como destino

 

Vale reforçar, para os pequenos e para os adultos, que o dinheiro é uma ferramenta importante, mas não é a única coisa que importa na formação de uma criança. O afeto da família, o tempo dedicado às brincadeiras e o incentivo à curiosidade seguem sendo insubstituíveis. O que o planejamento financeiro oferece é justamente mais liberdade para viver essas experiências com menos aperto no futuro, seja no momento de trocar a mesada pelo primeiro salário, seja no dia em que a faculdade se torna realidade.

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