Brasil reúne 2,1 milhões de influenciadores digitais; advogada destaca importância de contratos com marcas
Filomena Maciel reforça que a formalização ajuda a prevenir conflitos relacionados a pedidos extras, alterações no conteúdo, exclusividade, cancelamentos ou utilização da campanha após o encerramento da parceria
Nos últimos anos, a criação de conteúdo deixou de ser vista apenas como hobby e passou a ocupar um espaço estratégico no mercado de comunicação e publicidade. O crescimento do setor movimenta marcas, plataformas digitais, agências especializadas e investimentos em campanhas publicitárias. Levantamento da plataforma Influency.me aponta que o Brasil reuniu 2,1 milhões de influenciadores digitais em 2025, com a entrada de aproximadamente 100 mil novos criadores de conteúdo em apenas um ano.
A expansão acompanha a crescente relevância dos influenciadores nas estratégias de comunicação das empresas. Ao aproximarem marcas de seus públicos e estabelecerem conexões mais diretas com as audiências, os criadores de conteúdo passaram a desempenhar um papel cada vez mais relevante no mercado publicitário.
Esse movimento também se reflete no planejamento das empresas. O marketing de influência já faz parte da estratégia de comunicação de grande parte das marcas e se consolida como uma importante ferramenta para ampliar alcance, engajamento e relacionamento com os consumidores. A forte presença dos brasileiros nas redes sociais também contribui para a expansão do segmento e amplia as oportunidades para criadores e anunciantes.
De acordo com a edição 2025 da pesquisa Data-Marketing Leaders, 75% das empresas já utilizam o marketing de influência em suas estratégias, enquanto muitas planejam ampliar os investimentos no segmento nos próximos anos. Os dados reforçam a profissionalização do mercado e o protagonismo dos criadores de conteúdo nas estratégias de comunicação e publicidade.
A importância dos contratos com marcas
Com o fortalecimento do mercado de influência digital, os criadores de conteúdo precisam estar cada vez mais atentos às negociações de trabalhos publicitários, especialmente à formalização das parcerias e à garantia de seus direitos.
Nesse contexto, o contrato se torna uma ferramenta fundamental para proporcionar segurança, transparência e equilíbrio na relação entre criadores, marcas e agências. Mais do que formalizar uma parceria comercial, o documento estabelece os direitos, deveres e responsabilidades de cada parte e deve contemplar aspectos como entregas, prazos, remuneração, uso de imagem e conteúdo, exclusividade e condições de cancelamento.
“O contrato é importante porque transforma uma boa conversa em um compromisso claro para os dois lados. A confiança é essencial, mas não substitui a definição objetiva do que será entregue, em que prazo, por qual valor e de que maneira o conteúdo poderá ser utilizado. Para o criador, o contrato protege a remuneração, a autoria e o uso da própria imagem. Para a marca, garante clareza sobre entregas, prazos, aprovações e responsabilidades”, explica a advogada especialista em direito digital Filomena Maciel.
Segundo a especialista, a formalização também ajuda a prevenir conflitos relacionados a pedidos extras, alterações no conteúdo, exclusividade, cancelamentos ou utilização da campanha após o encerramento da parceria.
“Assinar um contrato não é sinal de desconfiança; é uma forma de preservar a relação e dar segurança para que todos cumpram exatamente o que foi combinado”, complementa.
Uso de imagem e conteúdo exige atenção
Para os criadores, outro ponto que merece atenção é a autorização para utilização do conteúdo produzido durante uma campanha. Dependendo da negociação, marcas e agências podem solicitar o direito de reutilizar vídeos e imagens em anúncios, redes sociais, sites, materiais institucionais ou outras plataformas.
Por isso, é importante que o contrato estabeleça de maneira clara onde, por quanto tempo e em quais formatos o conteúdo e a imagem do criador poderão ser utilizados. Também devem ser previstas, quando aplicáveis, permissões para impulsionamento de publicações, veiculação de anúncios, uso em sites, materiais institucionais e compartilhamento com terceiros.
De acordo com Filomena Maciel, essa é uma das cláusulas que exigem maior atenção, pois o conteúdo e a imagem do influenciador podem continuar gerando valor para a marca mesmo após o encerramento da campanha.

“A marca poderá editar o conteúdo? Reutilizá-lo? Associá-lo a outras campanhas? Essas possibilidades precisam estar previstas. Cada uma delas pode representar uma extensão do uso inicialmente negociado e, consequentemente, exigir uma remuneração diferente”, destaca.
A advogada também recomenda que os criadores evitem autorizações genéricas, sem prazo definido ou sem delimitação dos canais de utilização. Segundo ela, cláusulas muito amplas podem permitir um uso do material muito maior do que aquele inicialmente imaginado pelo profissional, sem uma contrapartida financeira proporcional.
Com a expansão do marketing de influência e a crescente profissionalização do mercado, compreender os aspectos jurídicos das parcerias comerciais tornou-se parte importante da atuação dos criadores. A formalização dos acordos, portanto, não apenas reduz riscos de conflitos, como também contribui para relações mais transparentes e profissionais entre influenciadores, marcas e agências.
Sobre Filomena Maciel
29 anos de atuação, advogada do marketing digital, 02 anos Membra atuante do BNI Ceará, sócia fundadora do Maciel Advogados e Host e Criadora do Podcast Filomena Legalmente Digital.
