“Estou bem”: quando a resposta pode esconder o sofrimento emocional
Em alusão ao Setembro Amarelo, psicóloga explica por que nem sempre é fácil reconhecer ou falar sobre o que sentimos e como uma escuta atenta pode ajudar
Nem sempre quando alguém responde “estou bem” significa que, de fato, está. Em uma rotina marcada pela pressa, pelas responsabilidades e pela pressão para dar conta de tudo, é comum esconder sentimentos, minimizar o próprio sofrimento ou simplesmente não encontrar espaço para falar sobre ele. Para a psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Estácio Ceará, Leidiana Silva, compreender essa dificuldade é um passo importante para ampliar o cuidado com a saúde mental.
“Muitas vezes, a pessoa aprendeu a funcionar mesmo diante do sofrimento. Ela continua trabalhando, estudando, cuidando da família e cumprindo suas responsabilidades, mas isso não significa que esteja emocionalmente bem. Por isso, é importante observar mudanças de comportamento e, principalmente, aquilo que foge do padrão daquela pessoa”, explica.
Segundo a especialista, nem todo sofrimento emocional é imediatamente perceptível. Irritabilidade, isolamento, alterações no sono, falta de energia, perda de interesse por atividades antes prazerosas e dificuldade de concentração podem aparecer de forma gradual. Mais do que identificar um comportamento isolado, é importante perceber sua frequência, intensidade e impacto na rotina.

“Precisamos ter cuidado para não transformar qualquer tristeza ou cansaço em diagnóstico. O sofrimento faz parte da experiência humana. O sinal de alerta está quando ele se torna persistente, intenso ou começa a comprometer a vida da pessoa, seus relacionamentos, estudos ou trabalho”, destaca Leidiana.
Nesse contexto, a escuta ganha um papel importante. Perguntar genuinamente como alguém está, demonstrar disponibilidade e evitar julgamentos podem ajudar a criar um espaço seguro para que a pessoa consiga falar sobre o que está vivendo.
“Não precisamos ter a solução para o problema do outro. Às vezes, o mais importante é mostrar que estamos disponíveis para ouvir. E, quando percebemos que aquela situação está causando sofrimento significativo, é fundamental incentivar a busca por ajuda profissional”, orienta.
A psicóloga reforça ainda que procurar atendimento não deve ser encarado como uma medida apenas para momentos de crise. “A psicoterapia pode ajudar a compreender emoções, desenvolver estratégias para lidar com dificuldades e fortalecer recursos para enfrentar diferentes situações da vida”, alerta.
