Agosto Lilás: empresas devem ampliar proteção às mulheres por meio de prevenção e acolhimento
Parceria entre Associação Brasileira de Recursos Humanos no Ceará e Tribunal de Justiça do Estado reforça proteção a mulheres no ambiente de trabalho
A violência contra a mulher não se limita ao ambiente doméstico. Seus impactos atravessam a porta das organizações e afetam diretamente a saúde, a segurança, o clima organizacional e a produtividade. Durante o Agosto Lilás, mês dedicado ao enfrentamento da violência contra a mulher, a discussão sobre o papel do setor privado ganha relevância, especialmente na urgência de estruturar ambientes seguros, capacitar lideranças e oferecer caminhos concretos de acolhimento e orientação.
O impacto direto dessa realidade no meio corporativo foi evidenciado por um estudo da consultoria VR. Segundo o levantamento, o tempo médio de afastamento das mulheres do trabalho em decorrência de violência mais que dobrou em 2026, saltando de 2,6 dias em 2025 para 5,4 dias neste ano. A pesquisa aponta que 87,9% das ausências foram motivadas por agressões físicas, seguidas por casos de maus-tratos, negligência e violência sexual. Os números comprovam que a violência contra a mulher não se restringe ao ambiente doméstico, e é capaz de causar impacto também operacional nas empresas.

Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Ceará (ABRH-CE), Kássia Sales, as organizações podem desempenhar um papel fundamental na prevenção, desde que mantenham o respeito à privacidade das funcionárias. “A empresa precisa estar preparada para acolher, orientar e encaminhar, mas sem assumir o papel de julgar. É fundamental que a mulher saiba que existe um espaço seguro para falar e que as pessoas ao seu redor estejam preparadas para ouvir e orientar de forma responsável”, afirma.
Nesse cenário, equipes de RH e lideranças imediatas ocupam posições estratégicas de escuta. Alterações repentinas de comportamento, queda atípica no rendimento, faltas recorrentes, isolamento ou sinais de sofrimento exigem atenção dos gestores, mas devem ser abordados com cautela e sem conclusões precipitadas. Estruturar canais sigilosos de escuta, políticas internas e a divulgação contínua da rede pública de amparo ajuda a criar procedimentos éticos e seguros para os momentos de crise.
Visando transformar essa conscientização em práticas efetivas, a ABRH-CE firmou neste ano um Termo de Cooperação Técnica com o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE). A cooperação aproxima o Judiciário dos profissionais de Recursos Humanos por meio de palestras, rodas de conversa e treinamentos focados na identificação de situações de vulnerabilidade e no direcionamento adequado às redes estaduais de proteção. Uma das ações vai ser um painel no CearáRH, promovido pela ABRH-CE em outubro, com a desembargadora Vanja Fontenele Pontes, do TJCE, e a delegada da Polícia Civil Monique Teixeira, abordando estratégias para o enfrentamento da violência contra a mulher.
O aumento recente nos indicadores do mercado de trabalho demonstra que as marcas da violência doméstica chegam inevitavelmente ao cotidiano das empresas. O Agosto Lilás reforça a necessidade de ir além de ações pontuais, convertendo campanhas temporárias em uma cultura corporativa permanente de cuidado, com protocolos bem definidos, treinamento contínuo e acolhimento institucional ao longo de todo o ano.
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Sobre a ABRH-CE
A ABRH-CE é uma entidade sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento e à valorização de pessoas e organizações. Sob a presidência de Kássia Sales (triênio 2025–2027), a associação promove eventos de relevância para o mercado, como o CearáRH e o Prêmio Ser Humano, e atua por meio das regionais Cariri, Norte e Metropolitana de Fortaleza.
