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Tecnologia simplifica acesso à documentação imobiliária, mas irregularidade ainda desafia proprietários e empresas

Pendências documentais continuam afetando milhões de propriedades no país, apesar do surgimento de ferramentas digitais que reduzem barreiras históricas da regularização 

A tecnologia tem transformado a forma como documentos imobiliários são localizados, analisados e organizados no Brasil. Ainda assim, a irregularidade documental permanece como um dos principais desafios do setor. Dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional apontam que cerca de metade dos imóveis brasileiros possui algum tipo de pendência, enquanto aproximadamente 30 milhões de domicílios urbanos ainda não contam com escritura.

Para a especialista em regularização documental de imóveis Lara Praça, a permanência desse cenário demonstra que o acesso à informação e às ferramentas de gestão documental, por si só, não garante a regularidade dos imóveis. Segundo ela, muitos proprietários desconhecem a situação documental de seus patrimônios ou só identificam inconsistências quando precisam realizar algum procedimento relacionado ao imóvel, como compra e venda ou uso do imóvel como garantia em alguma transação.

“A documentação imobiliária envolve informações que podem estar distribuídas entre diferentes órgãos e registros. Hoje, a tecnologia permite localizar, organizar e cruzar esses dados de forma muito mais eficiente do que há alguns anos. No entanto, a existência dessas ferramentas não significa que os imóveis estejam automaticamente regularizados. A regularização exige a identificação das pendências e a adoção das medidas necessárias para corrigi-las”, explica.

Segundo Lara, a irregularidade documental nem sempre está relacionada somente à ausência de escritura ou registro. Divergências cadastrais, averbações pendentes, informações desatualizadas e inconsistências entre documentos também podem comprometer a situação documental de um imóvel.

“Existe uma percepção comum de que a irregularidade está restrita aos casos em que o imóvel não possui registro, mas a realidade é mais ampla. Muitas vezes, o imóvel possui documentação, porém apresenta divergências que precisam ser corrigidas para que a situação esteja efetivamente regular. São questões que podem permanecer sem identificação por anos quando não existe um acompanhamento adequado da documentação”, afirma.

Atuando à frente da Readi, empresa especializada em regularização documental de imóveis, Lara observa que, apesar de não garantir a regularização automática, a tecnologia tem contribuído para tornar o trabalho de análise documental mais organizado e eficiente.

“Ferramentas tecnológicas permitem reunir informações, identificar inconsistências e acompanhar processos de forma mais estruturada. Isso facilita o levantamento das pendências e oferece mais agilidade na gestão documental. A tecnologia tem um papel importante porque amplia a capacidade de análise, a organização das informações e previsibilidade das entregas, mas a regularização continua dependendo da avaliação técnica de cada situação e da solução das pendências encontradas”, conclui.

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