Desemprego no Brasil fica em 5,6% no trimestre até maio, nível mais baixo para o período
Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier
(Reuters) – A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,6% nos três meses até maio, menor nível para o período na série histórica e em linha com as expectativas de economistas, em meio a uma queda no número de pessoas sem ocupação e mostrando que o mercado de trabalho segue robusto.
Com isso, a taxa mostra leve recuo ante os 5,8% dos três meses até abril e também na comparação com o trimestre imediatamente anterior, até fevereiro, quando também foi de 5,8%.
No mesmo período do ano anterior a taxa de desemprego foi de 6,2%. A série histórica da pesquisa se inicia em 2012.
Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de 5,6%.
“Atingir a mínima histórica para o período indica que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, disse o analista da pesquisa no IBGE, William Kratochwill.
“Os segundo trimestres são tradicionalmente marcados por maior estabilidade. Vivemos um momento de estabilidade do mercado”, completou.
A taxa de desemprego no Brasil segue em níveis baixos para os padrões nacionais, e analistas não veem uma deterioração brusca mesmo diante de uma esperada perda de força da economia.
Esse cenário, somado a rendimentos em alta, sustenta a demanda doméstica e dificulta o controle da inflação pelo Banco Central, que reduziu a taxa básica de juros a 14,25% este mês, mas deixou os próximos passos em aberto.
“Caso essa tendência se mantenha nos próximos meses, devemos observar um menor impulso ao consumo das famílias, favorecendo uma desaceleração da inflação, principalmente de serviços, e reduzindo parte das pressões enfrentadas pela política monetária”, destacou Rafael Perez, economista da Suno Research.
Nos três meses até maio, o número de desempregados caiu 2,8% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, chegando a 6,065 milhões, uma queda de 9,3% sobre o mesmo período de 2025.
Já o total de ocupados subiu 0,5% ante o trimestre até fevereiro e 0,8% na comparação anual, chegando a 102,703 milhões.
“Não parece haver sinal de aceleração no emprego e esperamos continuidade da tendência de moderação”, disse André Valério, economista sênior do Inter, projetando taxa de desemprego de 5,7% no fim do ano.
Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentaram 0,2% no trimestre até maio sobre os três meses imediatamente anteriores, enquanto os que não tinham carteira cresceram 1,1%.
(Por Camila Moreira; edição de Isabel Versiani)
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