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Médico alerta que pequenas mudanças na composição corporal podem gerar ganhos expressivos na corrida sem comprometer a saúde

A corrida de rua conquistou milhões de brasileiros nos últimos anos e se tornou uma das atividades físicas mais praticadas no país. Quem corre sabe: a busca pela evolução é constante, e muitas vezes concentramos esforços em aumentar quilometragem e velocidade. Mas um fator decisivo para a performance ainda costuma ser subestimado: o peso corporal.
Segundo o médico Dr. Victor Camarão, que inclusive também é corredor, a relação entre peso e corrida vai muito além da estética e está diretamente ligada à eficiência do movimento, ao risco de lesões e à capacidade de evolução do atleta.
“Não se trata de pesar menos por uma questão visual. O objetivo é fazer o corpo render mais. Quando conseguimos melhorar a composição corporal de forma inteligente, preservando massa muscular e reduzindo o excesso de gordura, o corredor ganha eficiência, reduz o desgaste físico e melhora sua capacidade de recuperação”, explica.
Dr. Victor Camarão destaca que cada passada durante uma corrida gerou um impacto equivalente a duas ou até três vezes o peso corporal. Na prática, uma pessoa com 80 quilos pode submeter suas articulações a uma carga entre 160 e 240 quilos a cada passo.
Ao longo de milhares de últimas semanas durante um treino ou prova, essa sobrecarga se acumula e aumenta o estresse sobre joelhos, quadris, tornozelos e coluna.
“Boa parte das dores recorrentes em corredores não está relacionada apenas à idade ou à genética. Muitas vezes, existe um excesso de carga sendo repetido diariamente sobre estruturas que já estão funcionando no limite”, afirma.
Além do impacto mecânico, o peso corporal também influencia diretamente o gasto energético. Quanto maior a massa que o organismo precisa para se movimentar, maior será o consumo de energia para manter o mesmo ritmo de corrida.
Estudos na área de fisiologia do exercício mostram que pequenas reduções no peso corporal podem trazer ganhos significativos de desempenho. Segundo Dr. Victor Camarão, cada quilo eliminado de forma saudável pode melhorar a economia de corrida entre 2% e 4%, além de favorecer ganhos de velocidade e resistência.
No entanto, o médico faz um alerta: buscar emagrecimento a qualquer custo pode gerar o efeito contrário.
“O erro de muitos corredores é tentar emagrecer rápido demais. Dietas extremamente restritivas levam à perda de massa muscular, comprometem a recuperação e a destruição do desempenho. O corredor precisa entender que emagrecer não é passar fome. É aplicar estratégia”, ressalta.
Entre as recomendações para quem deseja reduzir o peso sem deficiências os resultados esportivos estão a adoção de um déficit calórico leve a moderado, o aumento adequado do consumo de proteínas e a manutenção do treinamento de força. Tudo isso realizado de forma orientada e com estratégia.
A ingestão proteica, segundo o médico, desempenha papel fundamental nesse processo.
“A proteína ajuda a preservar a massa magra, acelera a recuperação e protege a musculatura durante o emagrecimento. Quando isso não acontece, a pessoa perde peso na balança, mas também perde potência, resistência e capacidade de desempenho”, explica.
Outro ponto frequentemente negligenciado é a recuperação. Sono de qualidade, períodos adequados de descanso e controle do estresse fazem parte da estratégia para quem busca evoluir na corrida.
O médico reforça que o treinamento deve ser planejado para manter o desempenho, e não apenas para reduzir números na balança.
“O foco precisa ser a construção de um atleta mais eficiente. Isso envolve fortalecimento muscular, treino aeróbico bem estruturado, alimentação adequada e acompanhamento multidisciplinar. Quando esses fatores trabalham juntos, transformamos peso em desempenho sem extremismos”, finaliza Dr. Victor Camarão.
Principais orientações para corredores:
      • Evitar dietas radicais e restrições excessivas;
      • Manter déficit calórico nível e planejado;
      • Priorizar ingestão adequada de proteínas;
      • Investir em fortalecimento muscular regular;
      • Utilização tênis adequado ao peso e perfil biomecânico;
      • Respeitar a progressão gradual dos treinos;
      • Garantir boa qualidade de sono e recuperação;
      • Procurar avaliação profissional em caso de dores persistentes.

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