Do sonho à realidade: Terminal de combustíveis no Pecém avança e deve operar até o fim de 2026
Além da geração de postos de trabalho, o terminal é visto como peça estratégica para ampliar a eficiência da cadeia de abastecimento do Nordeste, reduzir gargalos logísticos e consolidar o Pecém como um dos principais polos de infraestrutura energética do Brasil.
Reportagem Rogério Morais
Há cerca de 15 meses, durante o lançamento da pedra fundamental do terminal de combustíveis no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, o governador Elmano de Freitas afirmou que tinha um objetivo estratégico (um sonho) para o Ceará: acabar com – uma tragédia – os riscos urbanos e ambientais existentes na área do Mucuripe, em Fortaleza, com a transferência gradual da tancagem de combustíveis para o Pecém.
Na época, o governador destacou que o Estado precisava preparar uma nova infraestrutura logística e energética para acompanhar o crescimento industrial do Ceará, ampliando a segurança operacional e criando condições para transformar o Pecém em um dos principais hubs energéticos do Nordeste.
Agora, pouco mais de um ano depois, o projeto começa a ganhar contornos concretos. O Grupo Dislub Equador realizou, em 21 de maio de 2026, o evento “Dia D Contagem Regressiva”, apresentando o avanço das obras do terminal de armazenamento e distribuição de combustíveis, empreendimento que deverá iniciar suas operações até o final desse ano.
Com investimento de R$ 640 milhões, o terminal já atingiu 70% de execução física e está quatro meses à frente do cronograma inicial. O projeto é considerado atualmente o maior terminal de combustíveis em construção no Brasil.
A estrutura terá capacidade inicial para armazenar 170 mil metros cúbicos de derivados de petróleo, biocombustíveis e produtos químicos, podendo alcançar 240 mil metros cúbicos em futuras expansões. A expectativa é que o terminal consiga atender aproximadamente 20% do consumo de combustíveis de toda a região Nordeste.
A nova operação fortalece o processo de interiorização da infraestrutura energética do Ceará, reduzindo a concentração das operações de tancagem na área urbana do bairro do Mucuripe, uma antiga discussão envolvendo segurança, mobilidade urbana e expansão imobiliária da capital cearense.
Durante o lançamento da obra, em 2025, Elmano havia afirmado que a retirada gradual das operações de combustíveis de Fortaleza representava um desafio estratégico do governo estadual. O avanço do empreendimento no Pecém passa a simbolizar justamente a concretização dessa política logística e industrial.
Terminal integrado
O evento promovido pelo Grupo Dislub Equador reuniu representantes do Governo do Estado, prefeituras, instituições financeiras, fornecedores, sindicatos e empresas do setor energético. Um dos principais anúncios foi a confirmação de acordos comerciais com grandes operadores do mercado, demonstrando que o terminal já nasce conectado a uma demanda estruturada de logística energética.
Entre os destaques está a parceria com a PetroRecôncavo para o escoamento de petróleo extraído no Rio Grande do Norte através do Porto do Pecém. Com 26 anos de trajetória, a PetroReconcavo é uma operadora independente de petróleo e gás especializada na operação, desenvolvimento e revitalização de campos maduros terrestres (onshore) no Brasil O acordo prevê a instalação de mais 40 mil metros cúbicos de capacidade de armazenagem, equivalente a cerca de 250 mil barris de petróleo.
Segundo o presidente do Grupo Dislub Equador, Marcelo Magalhães, o empreendimento reforça o papel do Ceará como referência logística no setor energético. “Estamos construindo uma infraestrutura que vai beneficiar não apenas nossos negócios, mas toda a cadeia produtiva do Estado e do Nordeste”, afirmou.
O vice-presidente do grupo, Beto Carrilho, destacou que a ampliação da infraestrutura logística deverá aumentar a competitividade regional no setor de combustíveis, biocombustíveis e derivados.
Impacto econômico
Atualmente, o empreendimento mobiliza cerca de 1.040 trabalhadores no canteiro de obras, entre equipes próprias e empresas terceirizadas. Após a entrada em operação, prevista para o final de 2026 e consolidação operacional em 2027, o empreendimento deverá manter aproximadamente 100 empregos permanentes.
Além da geração de postos de trabalho, o terminal é visto como peça estratégica para ampliar a eficiência da cadeia de abastecimento do Nordeste, reduzir gargalos logísticos e consolidar o Pecém como um dos principais polos de infraestrutura energética do Brasil.
O avanço do projeto também fortalece a estratégia do Ceará de atrair novos investimentos industriais ligados à cadeia de energia, combustíveis, petroquímica, cabotagem e logística integrada.
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