FESTIVAL DOS POVOS DA FLORESTA reposiciona a arte amazônica no cenário nacional
Programação multilinguagens em Belém conecta nomes como Tulipa Ruiz a artistas da floresta e amplia a circulação cultural da região
Enquanto o circuito cultural brasileiro ainda concentra visibilidade no eixo Sul-Sudeste, Belém (PA) apresenta, em março, uma resposta direta a esse desequilíbrio, o Festival dos Povos da Floresta. A iniciativa é um espaço para escuta e divulgação para a produção cultural da Amazônia. Entre os dias 19 e 29 de março, o festival ocupa a cidade com uma programação gratuita, de diferentes linguagens artísticas, que evidencia o óbvio ainda desconhecido para muitos: a floresta produz arte contemporânea. A tradição, aqui, não é algo fixado no passado, mas um corpo vivo que se atualiza e se reinventa nas produções contemporâneas, uma fonte pulsante de inspiração, linguagem e identidade.
Na Mostra Audiovisual (19 a 22 de março), em vez de narrativas sobre a Amazônia filtradas por olhares externos, entram em cena produções realizadas a partir dos territórios, com autoria de quem vive e constrói essas histórias. O resultado é um conjunto de obras que confronta estereótipos e reposiciona os povos da floresta como narradores centrais de suas próprias existências.
Nos dias 24 e 25, as oficinas de fotografia e vídeo com celular ampliam esse movimento ao investir diretamente na autonomia criativa. Em um país onde o acesso a equipamentos ainda é desigual, transformar o celular em ferramenta de expressão é também um gesto de descentralização.
Nos dias 26 e 27, o festival explicita sua potência de articulação nacional. A presença de Tulipa Ruiz não funciona apenas como atração de destaque, mas como ponte entre circuitos, conectando a cena independente brasileira à produção amazônica.
Ao lado dela, artistas como Djuena Tikuna, Suraras do Tapajós, Ian Wapichana e Tambores do Pacoval ocupam o centro do palco com performances que não pedem tradução nem mediação. São apresentações que carregam línguas, ritmos, cosmologias e experiências que expandem o entendimento do que é música brasileira hoje.
Idealizado pela Rioterra – Centro de Inovação da Amazônia, apresentado pela Petrobras e realizado pelo Ministério da Cultura e Governo Federal, o Festival dos Povos da Floresta é um projeto multilinguagens itinerante que celebra a arte como instrumento de resistência, sustentabilidade e valorização dos saberes tradicionais. Todas as atividades são gratuitas, acessíveis e abertas ao público, voltadas a comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas, estudantes, educadores, pesquisadores e à sociedade em geral.
Ao reunir cinema, formação, música e exposição, o festival afirma com clareza que a arte da floresta não é periférica, é central para compreender o Brasil contemporâneo. Desde sua criação em 2025, o Festival dos Povos da Floresta é um projeto multilinguagens itinerante que vem se consolidando como uma das principais plataformas de difusão da produção cultural amazônica no país. Com passagem por Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e Macapá (AP), o festival já reuniu mais de 260 obras, 60 artistas e grupos e um público superior a 28 mil pessoas, além de promover ações performáticas que alcançaram cerca de 15 mil espectadores. Gratuito e acessível, o projeto estrutura um espaço contínuo de visibilidade, circulação e intercâmbio entre criadores da Amazônia, impulsionando a economia criativa local, gerando oportunidades e ampliando, de forma concreta, a presença da arte da floresta no circuito cultural brasileiro.
Conheça: https://www.youtube.com/@
Instagram: @festivaldospovosdafloresta
SERVIÇO
Mostra Audiovisual
19 a 22 de março
Oficinas de Fotografia e Vídeo com Celular
24 e 25 de março
Local: Memorial dos Povos
Endereço: Av. Governador José Malcher, 257 – Nazaré, Belém/PA
Inscrições:
- Fotografia: https://www.even3.com.br/
oficina-de-fotografia-com- celular-festival-dos-povos-da- floresta-705460/ - Vídeo: https://www.even3.com.br/
oficina-de-video-com-celular- festival-dos-povos-da- floresta-705489/
Shows musicais
26 de março
- Nat Esquenta
- DDD 91
- Djuena Tikuna convida Joelma Klaudia
- Tambores do Pacoval
- Naieme convida Izabela Lima (RO)
- Baile do Mestre Cupijó: Felipe Cordeiro
27 de março
- DJ KaboCLA
- Julia Passos convida João Amorim (Macapá)
- Jeff Moraes convida Raidol e Ian Wapichana
- Suraras do Tapajós
- Felix Robatto convida Sandrinha
- Tulipa Ruiz
