Março Azul: câncer colorretal é o 2º mais frequente no Brasil
O câncer colorretal é um dos que mais cresce no Brasil. A campanha Março Azul tem o papel de chamar a atenção da sociedade, gestores públicos e profissionais de saúde para que se repense a estratégia de prevenção, invista em rastreamento, conscientização e amplie o acesso a exames fundamentais
O câncer colorretal, também conhecido por câncer de intestino, é o segundo mais frequente no Brasil. No Ceará, ele se configura como o 4º mais incidente entre os homens e o 5º entre as mulheres, ficando atrás de tumores como o de próstata e mama feminina, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Os números nacionais também assustam. A nova estimativa do Instituto projeta cerca de 781 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028 e reforça que a doença já ocupa um lugar central nos desafios de saúde pública nacionais.
O Gastroenterologia e presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva – Ceará (SOBED-CE), Dr. Alessandrino Terceiro, destaca que a campanha Março Azul acontece para reforçar a importância do diagnóstico precoce. “O câncer colorretal é uma das neoplasias que mais podem ser prevenidas e diagnosticadas precocemente. Com a realização de exames, os pólipos e as lesões podem ser identificados em fases iniciais e removidos antes de se transformarem em câncer, elevando as chances de cura em até 90% dos casos”.
A colonoscopia é o principal exame de rastreamento. Segundo o especialista, ele é recomendado a partir dos 45 anos, ou antes, caso haja histórico familiar. Mas o exame ainda enfrenta resistência por parte da população, principalmente por medo ou desconhecimento. Para o Dr. Alessandrino, a falta de informação é um dos obstáculos. “Como a doença costuma ser silenciosa nas fases iniciais, muitos pacientes chegam ao consultório apenas quando surgem sintomas como sangramento, anemia ou perda de peso. Nessa fase, muitas vezes a doença já está avançada e o tratamento se torna mais complexo e as chances de cura ficam reduzidas”, afirma
Um estudo baseado no Registro Hospitalar de Câncer aponta que mais de 60% dos casos são identificados em fases avançadas. “Uma realidade que poderia ser modificada com maior esclarecimento sobre a prevenção, consciência coletiva e maior acesso ao exame”, afirma o médico destacando que, além da idade e da herança genética, hábitos de vida têm papel decisivo no risco da doença. Consumo de ultraprocessados e embutidos, baixo consumo de fibras, obesidade, sedentarismo, tabagismo e álcool em excesso aumentam a probabilidade de desenvolvimento do tumor.
“A campanha Março Azul busca justamente ampliar essa consciência coletiva. A recomendação médica é não esperar sentir algo para buscar acompanhamento médico. O câncer de intestino não avisa. Prevenir ainda é a forma mais eficaz de salvar vidas”, finaliza o especialista da SOBED.
