Empreendedorismo

Troféu Mulher Empreendedora Bárbara de Alencar 2025

A presidente do CMEC – Conselho da Mulher Empreendedora e de Cultura do Ceará -, Ana Luíza Costa Lima, destacou, em entrevista exclusiva ao Jornal do Comércio do Ceará, o simbolismo e a força do Troféu Mulher Empreendedora Bárbara de Alencar 2025, que homenageia mulheres que se destacam pela liderança, inovação e contribuição ao desenvolvimento econômico do Estado. Segundo ela, o prêmio tem o propósito de reconhecer e inspirar as mulheres que, assim como Bárbara, enfrentam desafios, criam oportunidades e constroem caminhos de transformação em suas comunidades.

JORNAL DOCOMÉRCIO DO CEARÁ: Qual o significado do Troféu Mulher Empreendedora Bárbara de Alencar para o fortalecimento da liderança feminina no Ceará, especialmente no cenário econômico e empresarial?
Ana Luíza Costa Lima: A origem do troféu foi uma pesquisa do Núcleo de Cultura do Conselho da Melhor Mulher Empreendedora do Ceará, que está desde o ano passado com essa tarefa de fazer uma pesquisa para que tivéssemos um troféu com o nome de uma figura de mulher cearense que viesse traduzir o sentimento de força, resiliência e que tivesse deixado um legado na história. E encontramos a figura de Bárbara de Alencar como uma revolucionária, mas na pesquisa encontramos que ela também é uma empreendedora. Ela era uma empresária, dona de fazenda, tinha engenho, tinha o cultivo de algodão e, no final, teve uma indústria de utensílios de cobre… Ela cavalgava, ela tinha todas as características da mulher empreendedora do nosso tempo… Ela lia e escrevia e toda noite ela tinha reunião com os escravos, com as pessoas que trabalhavam com ela contando histórias, que é exatamente uma metodologia de hoje, que é o storytelling. Então, ela foi uma mulher na frente do tempo dela, e nós encontramos essas informações todas num livro, onde enfatizava a independência do Brasil, as mulheres que estavam lá.

JCC: Quais critérios foram adotados para a escolha das homenageadas e que perfis de mulheres empreendedoras este prêmio busca destacar e inspirar?
Ana Luíza: Os critérios que foram adotados pelo Núcleo de Cultura do Conselho da Mulher Empreendedora e Cultura do Ceará foi uma análise de perfis. Sempre esse núcleo, o próprio CMEC, lança e indica nomes. E fazemos uma escolha, uma votação e uma avaliação. São muitos os nomes que são destacados e que inspiram, mas nós resolvemos no critério colocar a escolha de uma empreendedora em memória que já esteve aqui conosco, dentro do segmento empresarial, e que já não faz parte mais aqui desse plano. Então, sempre a família que recebe em nome dessa homenageada candidata que é a vencedora em memória. E a outra é uma empreendedora da atualidade, que esteja impactando com ações nos segmentos variados que estão dentro dos nossos critérios de inclusão e de impacto social.

JCC: Na sua avaliação, quais são hoje os principais desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras no Ceará e como a entidade que a senhora preside atua para superar essas barreiras?
Ana Luíza: Sobre os principais desafios enfrentados pelas mulheres, eu posso já te colocar que os desafios de hoje não são muito diferentes dos de anteriormente, em décadas passadas. Nós continuamos tendo muita resistência em apoios. E o maior desafio que nós encontramos, eu acredito que isso é geral, é a carga de responsabilidade de funções que nós desenvolvemos. Nós temos pelo menos quatro jornadas, duas de trabalho e mais duas, uma voltada mais para a família, o núcleo familiar mais próximo, e a outra jornada que trabalhamos no sentido do associativismo, de voluntariados, de apoios, a diversas, digamos assim, diversas entidades onde estamos inseridos. Então, a mulher hoje, um dos grandes desafios é que ela pratica quatro jornadas e precisa muito de apoio e muitas vezes não contamos com esses apoios. Temos, inclusive, as barreiras invisíveis, que são várias questões: Quando vamos recorrer a um empréstimo; quando vamos recorrer a um apoio a um evento. Queremos exatamente através desse associativismo, nos capacitando, dando uma mão a outra, que essa é a finalidade da nossa instituição. É que a mulher não se sinta sozinha, sinta que ela está numa ação coletiva, que ela vai poder superar aprendendo com experiências de outras mulheres e se capacitando para empreender, empreender de uma forma mais segura, mais consistente.

JCC: O troféu leva o nome de Bárbara de Alencar, uma figura histórica de resistência e protagonismo. De que maneira esse legado dialoga com o empreendedorismo feminino contemporâneo?
Ana Luíza: Essa figura histórica de resistência e protagonismo, ela é viva. Todas nós temos uma Bárbara dentro de nós. Porque esse legado de realmente uma luta, ela que casou com um homem 30 anos mais velho do que ela, a contragosto do pai, e ela decidiu, definiu quem seria o marido dela. Ela não esperou que decidissem por ela. Então, é tudo isso. É uma história que parece que ela está vivendo nesse mundo contemporâneo, porque ela escolheu com quem casar, depois ela escolheu colocar os filhos numa escola, que eles fossem estudar, se aprimorar, lá no seminário em Pernambuco, lá no seminário de Olinda, se prepararam. Ela, imagine que ela foi mãe do senador Alencar, que logo depois foi o governador do Ceará. Então, ela cuidou do pai, sendo a cuidadora do pai… o pai foi morar com ela. Depois, na outra fazenda, ela não quis morar na fazenda que ela tinha da família. Ela era mulher de muitas posses, mas ela não se acomodou. Inclusive, ela também parece como uma mulher do tempo contemporâneo quando ela é filha de indígena, ela casa com o português. Então, assim, existe toda uma diversidade cultural no cenário da vida da dona Bárbara de Alencar a nossa mártir… É conhecida como a heroína do Crato e foi presa aqui foi enviada para a Bahia, ficou presa na Bahia quando voltou, ela retornou teve a resiliência de retornar para o campo onde ela tinha a fazenda e retornou e manteve as suas atividades. Então, é uma história linda do nosso tempo contemporâneo mesmo. E a gente fica cada dia mais encantado quando a gente faz essa entrega ao troféu, que a gente encontra mulheres no nosso tempo contemporâneo como ela.

JCC: Quais os próximos passos e projetos da Mulher Empreendedora do Ceará após esta premiação para ampliar oportunidades, redes de apoio e políticas de incentivo às mulheres que empreendem?
Ana Luíza: Bom, quanto aos nossos próximos passos e projetos do CMEC, nós temos uma continuidade inicial que é exatamente ampliar os conselhos pelo interior do Estado. Que traçam um plano de trabalho, fazem um planejamento que aquela região está precisando para incentivar o empreendedorismo feminino. Então o primeiro passo que eu lhe afirmo: Que nós continuaremos e estaremos fazendo novos CMEC em novos municípios: Itapipoca, São Gonçalo do Amarante, Fortaleza com região metropolitana, Sobral, Tauá e Quixadá. E temos planos na região do Cariri, temos também no litoral leste, em Aracati e outros municípios.

O segundo é também buscar novas capacitações e também buscar novos parceiros, novos parceiros que possam estar nos apoiando nas ações para que a gente possa estar cada vez mais ampliando a nossa ação para o objetivo de preparar mulher empreendedora para o mercado de trabalho. Além desses dois pilares, nós temos também outros que são conjugados, que são feitos em colaboração com outras entidades, tanto na área do assistencialismo e a parceria com a Santa Casa, o próprio SEBRAE, as capacitações dos projetos do SEBRAE, que estamos sempre atentas, participando e fazendo parcerias.

Estamos atentas com uma demanda que está surgindo para ser um projeto que nós queremos lançar: uma revista que possa exatamente comunicar tudo isso que eu falei aqui na nossa entrevista com ilustrações e tudo mais para que a gente possa registrar esse nosso caminho, essa nossa jornada. Mais uma vez, muito obrigada pela atenção e da parceria. O Jornal do Comércio do Ceará mora no nosso coração. Um grande abraço!

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