Política

A um ano das eleições de 2026, defesa da integridade eleitoral se torna um dos eixos centrais da democracia brasileira

Em 4 de outubro de 2026, milhões de brasileiros irão às urnas para eleger o presidente, governadores, senadores e deputados. O marco acende um alerta e convida à reflexão sobre os desafios que o país enfrentará em seu próximo grande teste democrático. Em um cenário global de desconfiança nas instituições e ascensão de movimentos antidemocráticos, a integridade e a confiança no processo eleitoral se tornam pilares indispensáveis para a estabilidade política e social.

Nesse contexto, o papel da sociedade civil organizada ganha protagonismo. Desde sua criação em 2018, o Pacto pela Democracia atua para garantir eleições mais participativas, íntegras e pacíficas. A experiência acumulada, especialmente durante as turbulentas eleições de 2022, preparou o terreno para os desafios de 2026. Naquele ano, articulamos uma cooperação inédita para isolar vozes golpistas e assegurar o respeito ao resultado soberano das urnas.

No entanto, o descrédito no sistema democrático e a fragilização da cultura cívica são problemas profundos que persistem no país. A presença de forças antidemocráticas, que tratam derrotas como fraude e confundem opositores com inimigos, também representa uma ameaça contínua. O ambiente digital, por sua vez, intensifica essa desconfiança ao disseminar informações em massa, tornando cada vez mais difícil distinguir fatos de mentiras.

Ana Claudia Santano, Diretora Executiva da Transparência Eleitoral, alerta para os impactos de novas tecnologias no pleito do ano que vem: “Embora nas eleições de 2024 o uso de IA não tenha sido tão marcado do ponto de vista da integridade eleitoral, em 2026 o tempo já terá possibilitado que todos os atores tenham aprendido a administrar ferramentas variadas, o que pode impactar o aumento de conteúdos criados por essa via”, destaca. Santano também alerta para outro fator que necessita de atenção, que é a presença de candidaturas com recursos financeiros vindos do crime organizado: “Ainda que o problema não seja novo, 2024 também trouxe alguns sinais da infiltração direta desses grupos no Estado brasileiro. Isso, aliado à violência política crescente dos últimos anos (e que tende a ser mais acirrada em eleições gerais), pode significar um quadro difícil para um processo eleitoral”.

Um dos elementos centrais que estarão em jogo no ano que vem é a possibilidade de restabelecer uma direita democrática no país. Wilson Gomes, em artigo para a Folha de S. Paulo, comenta que um dos tópicos importantes para o próximo ano eleitoral é a capacidade de diferenciar a direita republicana da extrema direita. Para o professor, a direita republicana aceita as regras do jogo democrático, como a alternância de poder e o respeito às decisões dos tribunais. Já a extrema direita relativiza essas âncoras, naturaliza a intimidação e  nega performaticamente tudo o que identifica como pauta da esquerda, sem necessidade de crítica substantiva — seja em relação a vacinas ou às urnas eletrônicas.

Gomes argumenta que confundir o eleitor de direita com o movimento extremista é um erro estratégico que impede o diálogo com milhões de conservadores dispostos a jogar dentro das regras. Para ele, nas eleições de 2026, será fundamental “voltar a tratar conservadores como adversários legítimos”, isolando a extrema direita e restabelecendo um terreno comum onde se disputam projetos, e não a sobrevivência do próprio sistema.

Apesar das ameaças, o Brasil é visto internacionalmente como um exemplo bem-sucedido na reversão de um processo de autocratização. Em entrevista ao jornal Nexo, o cientista político Tiago Fernandes, do instituto V-Dem, destaca que essa resiliência se deve a alguns fatores, dentre eles: a forte mobilização da sociedade civil, que pressionou de forma pacífica e constante contra as tentativas de corrosão democrática; e o papel crucial do sistema judicial, especialmente do Supremo Tribunal Federal, na defesa das instituições e na punição de atos antidemocráticos.

À medida que o relógio avança para outubro de 2026, a atuação coordenada de atores como o Pacto pela Democracia será vital. A luta não é apenas para garantir que as eleições ocorram, mas para que sejam justas, íntegras e, acima de tudo, tenham seus resultados universalmente respeitados, fortalecendo um sistema político onde as divergências, ainda que profundas, sejam sempre resolvidas pela via democrática — e a experiência da sociedade civil brasileira oferece lições valiosas para o nosso próprio país e para nações que enfrentam ou enfrentarão desafios semelhantes.

Fonte: Pacto Pela Democracia

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