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Haddad diz que impasse tarifário com os EUA decorre de exigência “constitucionalmente impossível” em abertura de eventos do Financial Times e Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC

Ministro também comentou o cancelamento da reunião com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e afirmou que o acordo Mercosul–União Europeia deve ser assinado até o início de 2026

Evento contou também com painéis sobre ambiente de negócios, inovação, sustentabilidade e o papel da inteligência artificial no crescimento do Brasil

O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira, dia 18 de agosto, que o atual impasse tarifário com os Estados Unidos decorre de uma exigência “constitucionalmente impossível”, por envolver uma intervenção do Executivo em decisões do Judiciário.

 

A declaração foi feita durante a abertura do primeiro evento no Brasil realizado em parceria entre o Financial Times e o Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o Brazil 2030: Fostering Growth, Resilience and Productivity, realizado em São Paulo.

 

A entrevista foi conduzida pela jornalista Christiane Pelajo, âncora do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, e por Michael Stott, editor do Financial Times para a América Latina.

 

Durante a conversa, Haddad detalhou os obstáculos nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos em relação às tarifas de 50% impostas a produtos brasileiros. Segundo ele, Washington tenta impor uma condição inviável: “Temos documentos oficiais demonstrando que a negociação não ocorre porque os Estados Unidos estão tentando impor ao Brasil uma solução inconstitucionalmente impossível que é o Executivo se imiscuir em assuntos de outro poder, que é o Judiciário.”

 

O ministro também comentou o cancelamento da reunião virtual que estava prevista com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent. Haddad disse que já esperava a suspensão do encontro, em razão da mobilização da extrema-direita brasileira nos Estados Unidos após a divulgação da agenda: “Nós entendíamos que a extrema-direita poderia se mobilizar nos Estados Unidos para reverter a situação, mas ficaria demonstrado que a responsabilidade pela reunião não ocorrer não seria do Brasil.”

 

Haddad enfatizou ainda que jamais tomaria a iniciativa de cancelar compromissos dessa natureza com autoridades estrangeiras, classificando tal atitude como uma “deselegância”: “Nunca cometeria uma deselegância dessa com um homólogo de outro país. Por mais hostil que o outro país fosse, se eu marquei um compromisso, eu cumpro.”

 

O ministro também falou sobre o acordo Mercosul–União Europeia, afirmando que o tratado deve ser assinado até o início de 2026. “A superação do último entrave para o acordo deve acontecer até o final deste ano, tem tudo para sair até o início de 2026”, declarou Haddad, ressaltando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém diálogo frequente com o presidente francês Emmanuel Macron, considerado o principal obstáculo às negociações.

 

Questionado se o Brasil teria resiliência para suportar as tarifas por dois ou três anos, Haddad respondeu que não acredita que o impasse se prolongue tanto. Ele lembrou, contudo, que o comércio com os Estados Unidos atualmente equivale à metade do registrado no início dos anos 2000 e avaliou que a tendência é de queda ainda maior caso não haja solução.

 

Além da participação do ministro, o evento também contou com dois painéis temáticos. No primeiro, intitulado “Fazendo negócios em um Brasil em transformação”, mediado por Christiane Pelajo e Michael Stott, empresas e investidores debateram setores promissores até 2030, incentivos regionais, reformas regulatórias e impactos geopolíticos.

 

O CEO da Tupy, Rafael Lucchesi, defendeu que a indústria brasileira seja tratada como um projeto nacional: “Temos que pensar no interesse nacional, em data-centers, mobilidade verde, química e aço verdes, combustíveis sustentáveis, entre outros. Essa tem que ser uma agenda de país, porque estamos perdendo espaço para China e Vietnã ao deixar de priorizar isso.”

 

Já Annette Killmer, representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, destacou a importância de investimentos multilaterais e de longo prazo. “O BID tem US$ 14 bilhões no portfólio para apoiar iniciativas de sustentabilidade e inovação, oferecendo capital paciente, com prazos de 20 a 30 anos.”

 

No segundo painel, “IA, Tecnologia e Infraestrutura – A próxima plataforma de crescimento do Brasil”, conduzido por Fabio Turci e Michael Pooler, o foco esteve em como a inteligência artificial e as novas tecnologias podem impulsionar a economia, reduzir desigualdades e atrair investimentos.

 

A CEO da Rhodia/Grupo Solvay para a América Latina, Daniela Manique, destacou que já existem alternativas verdes para a produção industrial, mas a massificação ainda depende da conscientização dos consumidores: “Na Rhodia já conseguimos produzir de forma verde produtos à base de nafta, mas o custo pode ser até seis vezes maior. Quando o consumidor tiver consciência de que está comprando algo mais limpo, isso pode massificar e baratear a produção.”

 

O CEO da Totvs, Dennis Herszkowicz, reforçou o papel da IA no ganho de produtividade: “A inteligência artificial é uma aliada para liberar tempo das pessoas em tarefas triviais. Profissionais mais produtivos significam maior desenvolvimento econômico sustentável.”

 

Os encontros, organizados pelo Financial Times e pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, reúnem líderes políticos e empresariais para debater temas como crescimento econômico, transição energética, impactos das mudanças climáticas, competitividade de longo prazo e o papel da inteligência artificial no desenvolvimento sustentável.

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A CNBC é uma empresa da NBCUniversal.

 

Para mais informações, acesse www.cnbc.com.

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O acordo com a CNBC, que está presente em mais de 80 países e é assistida diariamente por meio bilhão de pessoas, é o primeiro realizado em território brasileiro.

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