Centenário da ACI – Associação Cearense de Imprensa (Parte 3)
Texto Zelito Magalhães
Pleiteando reeleger Perboyre e Silva na presidência da Associação Cearense de Imprensa, foi organizado um “Comitê de Propaganda”, mas, para surpresa geral, surgiu uma chapa de oposição que tinha Carlos de Oliveira Ramos como candidato, Tancredo de Araújo Moraes a vice e José Maria Othon Sidou na 1ª Secretaria. Realizada a assembleia eleitoral a 19 de novembro e a 9 de agosto foi reconduzido como candidato único nos pleitos da agremiação de 2 de agosto de 1959, totalizando 18 anos na sua presidência.

PÁDUA CAMPOS
Antônio de Pádua Campos foi o 11º Presidente da Associação Cearense de Imprensa. Sua atração pelo jornalismo começou quando fazia o curso secundário no Liceu do Ceará. Ao atingir a maioridade dos dezoito anos, apresentou-se como voluntário ao serviço ativo do Exército brasileiro, indo servir por um ano na Ilha de Fernando de Noronha. De volta a Fortaleza, filiou-se à Associação Cearense de Imprensa. No governo do Desembargador Faustino Albuquerque de Sousa (seu tio) foi oficial de Gabinete. Iniciou sua carreira jornalística como redator do jornal O Povo, em 1953, e também do Correio do Ceará. Pádua Campos nasceu em Pacatuba-Ce a 6 de junho de 1921. Exerceu os cargos públicos, como: Diretor de Despesa do Tesouro do Estado (1955), Diretor da Imprensa Oficial do Ceará (1956), Representante do Conselheiro de Assistência aos Municípios (1959). Eleito em 1962 a deputado estadual, pela UDN. Diretor do Departamento de Comunicação Social da Secretaria para Assuntos da Casa Civil (1974). Candidato em 1986 à presidência da Associação Cearense de Imprensa, foi eleito com significativa votação. Por três vezes presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Ceará. Ocupou a vice-presidência da Federação Nacional de Jornalistas Profissionais (FENAJ). Conquistou em 1989 o 1º lugar em concurso de reportagem promovido pela Prefeitura Municipal de Fortaleza com um trabalho sobre a Ilha de Fernando de Noronha. Também a 24 de maio desse ano, foi homenageado em Fortaleza por duas autoridades eclesiásticas – Arcebispo Dom Aloísio Lorscheider e o Vigário Geral, Monsenhor André Viana Camurça. Autor das seguintes publicações: “De Tamboril a Tuiuti” (resumo biográfico do General Antônio Sampaio), editor da Antologia Cearense, publicada em 1957 pela Imprensa Oficial do Ceará. Dirigiu no O Povo, em 1959, a crônica “Política em 3 dimensões”. Publicou ainda as seguintes obras: “A Serra de Minha Infância” (1986), “A Pacatuba de Sempre” (1988), “Previdência Social (1991), “Almoçam, mas não Jantam” (1992),” Duas Desgraças Juntas” (1992). Detentor do Prêmio Anual de Jornalismo (1990). Pádua Campos faleceu no dia 23 de novembro de 1997.

RAINHA MIRZA ALCÃNTARA
Maria Mirza Silveira de Alcântara nasceu em Fortaleza, a 11 de outubro de 1937, filha do educador Domingos Brasileiro de Alcântara e de dona Mirza Silveira de Alcântara. Cursou o primário no Colégio Juvenal de Carvalho das Irmãs Salesianas, onde ingressou aos 8 anos de idade. Veio em seguida o Colégio Lourenço Filho, onde concluiu o ginasial em 1953. Em seguida, veio o Liceu do Ceará, onde foi líder estudantil e terminou o curso científico em 1956. Em meados do último mês do ano de 1953, a Associação Cearense de Imprensa promoveu a VIII Festa da Imprensa, na Cidade da Criança, e já na primeira semana de janeiro do ano seguinte, os escrutinadores passaram a fornecer à imprensa os números das apurações de votos das fortes candidatas à Rainha dos Jornalistas, que foram: Maria Mirza Alcântara e Maria da Glória Rocha Moura. Uma tendo sido apresentada pelo médico Edmilson Barros fr Oliveira e a outra pelo jornalista José Calazans Pires (colunista Bayard, do jornal Correio do Ceará). Encerrada a última etapa da apuração, Maria Mirza foi aclamada Rainha da Imprensa do ano de 1954, com uma maioria de quase 7 mil sufrágios contra a concorrente. A parte solene da festa constou de um coquetel a ela oferecido, na Casa do Jornalista em que o presidente Perboyre e Silva ergueu um brinde à S. Majestade, no mesmo ensejo em que agradeceu os esforços dos presentes que contribuíram para o brilhantismo alcançado. O dr. Edmilson Barros de Oliveira, no uso da palavra, destacou a inteligência do pai da nova Rainha da Imprensa, prof. Domingos Brasileiro, ressaltando que Mirza tinha obrigação de ser realmente uma jovem dedicada às letras, amante da cultura”. No seu discurso, feito de improviso, a homenageada da noite, bastante emocionada, agradeceu pela vitória obtida, deixando transparecer à sua personalidade jovem, porém segura e marcante: “Minhas palavras, acreditem, são nascidas realmente da minha personalidade e da minha emoção”. Em seguida, foi procedido um sorteio de valiosos brindes oferecidos pelas lojas elegantes da cidade, como Casa Parente, a Cearense, a Broadway, etc. Maria Mirza não aceitou ser coroada, ao contrário das demais Rainhas dos Jornalistas, não obstante a insistência do presidente Perboyre e Silva e de outros membros da diretoria, Calazans Pires, Antônio Carlos Campos de Oliveira e J. C. Alencar Araripe. Desculpando-se, disse: “Declinei da coroação e justifiquei: quis apenas, de modo simbólico, colocar a minha pedra na construção da Casa dos Jornalistas”.
Ao encerrar a pequena entrevista concedida ao autor deste texto Zelito Magalhães, a Rainha dos jornalistas cearenses, hoje senhora Maria Mirza de Alcântara Mesquita, disse gracejando: “Aqui o registro da história de uma Rainha sem coroa”. Ao deixar o trono, Mirza entregou-se às letras com absoluta dedicação, tendo assim contribuído fecundamente com artigos literários publicados nas páginas do “Correio do Ceará”, “Unitário” e “O Povo”, no período de 1954 a 1956. Escreveu também para o “Jornal do Leitor”. Sem descurar-se da parte educacional, concluiu no ano de 1957 o curso de Serviço Social pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Administração Pública (1972) pela mesma Escola Superior; e pós- graduação em Saúde, em 1978. Contraiu núpcias com o capitão do Exército Brasileiro, Erivaldo Mendes de Mesquita, em 18 de março de 1961, passando a chamar-se Maria Mirza de Alcântara Mesquita. No ano de 1972, transferido o militar para o Rio de Janeiro, onde cursaria a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) foi vítima de um assalto, quando levou um tiro à queima-roupa, vindo a falecer no dia primeiro de julho, deixando na orfandade o filho primogênito de três anos de idade. O primeiro golpe que enlutou a família de Maria Mirza foi a morte de seu pai, assassinado em circunstâncias trágicas e brutais, na noite de 30 de julho de 1940. Integrou a turma do I Curso Livre de Jornalismo Perboyre e Silva, promovido em 1965 pela Associação Cearense de Imprensa e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Ceará. Postulou, no ano de 1988, uma cadeira na Câmara Municipal de Fortaleza, adotando o slogan “Quem se gasta em palavras, jamais se gasta em ações”.Editou a obra “Domingos Brasileiro no sopro das minhas lembranças”, Gráfica Lidador, 2002. Durante sua gestão como presidente da Associação Cearense de Imprensa, Zelito Magalhães teve a oportunidade de visitá-la em sua residência na Aldeota. Sofrendo ela de problemas respiratórios, usava um aparelho cilíndrico de metal ligado ao nariz por uma borracha. Maria Mirza veio a falecer em 2014.
Transcrevemos a seguir matéria do periódico “Folha do Ceará”, de Fortaleza, edição – 13 a 19/12/2007, assinada por Mirza Alcântara, em que lamenta o triste episódio em que dois elementos usurparam o Prêmio de Jornalismo naquele ano. “Os aceianos deveriam levantar as vozes em defesa de Zelito, bem como a classe de jornalistas que tão bem conhecem sua vida conhecem sua vida pública transparente. Isto foi um sacrilégio (…)
Jáder de Carvalho e a Escola de Gazeteiros. Na reunião de 3 de fevereiro de 1959, foi registrada a presença do jornalista Jáder Moreira de Carvalho que fez a entrega do traslado de uma procuração que acabara de passar a Perboyre e Silva, no Cartório Ponte, dando poderes ao presidente da entidade para receber os seus vencimentos como aposentado na cadeira de Sociologia do Liceu do Ceará que ele, Jáder, destinava à fundação e manutenção da Escola de Gazeteiros.

IVONETE MAIA
Ivonete Maia foi 12ª Presidente da Associação Cearense de Imprensa. Maria Ivonete Moreira Maia nasceu em Jaguaruana-Ceará, a 4 de outubro de 1938. Cursou o primário na Escola Manuel Sátiro, em sua cidade natal, o ginasial no Colégio São José, em Aracati, no ano de 1954 e o Normal no Colégio Nossa Senhora da Graças, em Fortaleza. Bacharelou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará, em 1969. Fez Mestrado na mesma área jornalística na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na década de 60, foi funcionária do Banco de Crédito Comercial, Banco de Crédito Real de Minas Gerais e do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários. Exerceu o jornalismo/ radialismo no O Nordeste, Rádio Assunção (locutora), repórter do O Povo, em 1969; foi professora no Colégio Justiniano de Serpa. Assessora de Imprensa na Universidade Federal do Ceará (1971/1975), Diretora Executiva da Rádio Universitária (1987/199l). Suplente do Conselho Fiscal do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Ceará (1971/1974), Primeira Secretária do SJPC (1974/1977), Suplente de Diretoria da Associação Cearense de Imprensa (1973/1975), 1ª Secretária (1975/1977 e 1981/1983), presidente da Associação Cearense de Imprensa (1989/1992), Secretária Geral da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Seção Ceará (1998). Ivonete Maia veio a falecer no dia 14 de fevereiro de 2012.
Festival Artístico no Teatro Majestic. A 27 de janeiro de 1959, o Sr. Jair Gurgel do Amaral, representando o Grêmio Dramático Familiar, propôs levar a efeito um festival no Cine Teatro Majestic em benefício da Casa do Jornalista, tendo a oferta sido aprovada com simpatia pela diretoria da Associação Cearense de Imprensa. Assim aprovada, a 3 de março foi levada à encenação a peça teatral “Alvorada”, de Carlos Câmara. Os personagens: Biloca, Serapião, Cariolano, Canuto, Nastaça, Balbina, Bernardo, Ponciano,

STÊNI O ZEVEDO
Stênio Azevedo foi 13º Presidente da Associação Cearense de Imprensa. Nasceu no município de Sobral-Ce, em 7 de abril de 1920, filho de José Custódio de Azevedo e de D. Maria Ester Ferreira de Azevedo. Fez os cursos primário e secundário no Ginásio Sobralense de sua terra, no ano de 1936. Convocado para o serviço ativo do Exército, assentou praça em agosto de 1942, no Tiro de Guerra 172 em Sobral, de onde foi transferido para Natal, no Rio Grande do Norte. Promovido ao posto de cabo, veio servir em Fortaleza, no quartel da 10ª Região. Por autorização do comando, ainda acadêmico, passou a divulgar na Ceará Rádio Clube, ao lado de Eduardo Campos e Antônio Maria, um programa informativo aos expedicionários cearenses, em operação na Itália. Licenciou-se em 1946, com o término da guerra. Concluindo o pré-jurídico no Liceu do Ceará, ingressou na Faculdade de Direito do Ceará, bacharelando-se em 1946. A convite de Luis Sucupira, ingressou no quadro social da Associação Cearense de Imprensa em 15 de maio de 1946. No mesmo ano ingressou nos Diários Associados como repórter, oportunidade em que foi instituido o Concurso de Miss Brasil, tendo Emília Correia Lima sido eleita a primeira candidata, no ano de 1955. Esteve à frente do certame até 1980, quando os Diários Associados perderam a concessão. Em seguida, assumiu o serviço de divulgação do Palácio da Luz, quando foi beneficiado com uma bolsa de estudos do Alabama College Tio Sam (EUA) onde permaneceu por três meses. Ao regressar a Fortaleza, foi nomeado bibliotecário do Tribunal de Justiça. Elegendo-se o general Murilo Borges prefeito de Fortaleza, em 1964, foi convidado a dirigir o Departamento de Turismo da Prefeitura, criado por ele. Permaneceu no cargo durante dez anos. Durante a sua permanência nos negócios de turismo, fundou o Sical Club em dez capitais brasileiras, incluindo Fortaleza, de 1978 a 2002, do qual foi eleito vice-presidente nacional. Com Edmilson Barros de Oliveira e outros 27 companheiros, fundou o Lions Clube Centro de Fortaleza, o primeiro no Norte e Nordeste do Brasil. Foi delegado do Touring do Brasil, no Ceará. Foi intenso o trabalho que desenvolveu ao longo de quase 60 anos como diretor da ACI. Foi um dos incentivadores comemorativa do 75º aniversário de fundação da entidade (1925-2000), comissário das Festas da Imprensa, cuja finalidade era angariar fundos de ajuda aos programas sociais da entidade. Foi um dos incentivadores à publicação da “Nova História da Associação Cearense de Imprensa”, comemorativa ao 75º aniversário de fundação da entidade (1925-2000), organizado pelo historiador Geraldo da Silva Nobre e participação de Zelito Magalhães. Tem publicado os seguintes livros: O Ceará na Grande Guerra, em parceria com Geraldo Nobre (1998), Momentos Inesquecíveis – Os concursos de Mis Ceará – 1955-1980 (em parceria com Geraldo Nobre em 1999); Lions Norte e Nordeste (coordenação Stênio Azevedo e Geraldo Nobre – 2000), e O Ceará no Universo do Skai – em comemoração aos 25º aniversário da agremiação (2003). Stênio Azevedo presidiu a Associação Cearense de Imprensa em três mandatos consecutivos (o primeiro em 1995) tendo passado o cargo para Zelito Magalhães no ano de 2004. O repórter das Misses, como Stênio Azevedo ficou conhecido ao tempo dos Diários Associados, veio a falecer na tarde de domingo de carnaval do ano de 2006, quando se encontrava internado no Hospital Monte Klinikum desde 24 de dezembro do ao anterior. O secretário da entidade, José Hilário Moura, falou em nome da Diretoria que também expressou sua homenagem com uma coroa de flores e participação da missa de 7º dia, celebrada na Igreja do Pequeno Grande. Foi decretado luto de três dias pela nossa agremiação. Edilmar Norões, presidente da ACERT, manifestou-se através das páginas do ACI com as seguintes palavras: “A Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão se solidaliza com a perda irreparável de seu ex-presidente Stênio Azevedo, que no exercício do jornalismo, tanto dignificou essa instituição como a sua categoria profissional. Fraternalmente”. O Diretor de Biblioteca, Luiz Siqueira Campos, assim também se pronunciou a respeito do confrade: “Não se mergulha sem dor na vida de um amigo cuja alma voou livre pelos páramos celestiais, em pleno domingo de carnaval. Ao encontro com Deus, deixando não só a dor de sua ausência, como também grandes exemplos… Partiu no Vagão do Trem da Eternidade aos 86 anos de desfrute de uma longa vida, deixando uma fatia do seu legado para muitos que iniciaram atividade jornalística espelhando-se no ícone que ele representava”.
