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Centenário da ACI – Associação Cearense de Imprensa (Parte 1)

• Ano de 1925: tudo começou na Rua General Sampaio, 123, com seis jornalistas
• Comentário de Luis Sucupira Cesar Magalhães, o incentivador
• Nome inicial: Associação dos Jornalistas Cearenses
• A sessão de posse da Diretoria Filiando-se à ABI
• A mudança para Associação Cearense de Imprensa
• Os presidentes da ACI
• A 1ª Rainha da Imprensa
• A “Escola de Gazeteiros Padre Mororó”

Texto: Zelito Magalhães

A verdadeira história da ACI
A história da Associação Cearense de Imprensa começou com uma reunião realizada na residência de Joaquim de Almeida Genu, á Rua General Sampaio, 123, nesta capital. A esse respeito, comentou Luis Sucupira (1901-1907): “Os jornalistas se sentiam desamparados, do ponto de vista de sua atividade funcional. Nesse tempo não havia sindicato. Resolvemos então fundar a Associação dos Jornalistas Cearenses que mais tarde mudaria o nome para Associação Cearense de Imprensa. Seis jornalistas estavam presentes à reunião, no dia 14 de julho de 1925, como registra a ata de fundação. Cesar Magalhães foi o incentivador, o animador, Os outros eram Tancredo Moraes, Joaquim Genu, em cuja casa aconteciam as reuniões, um domingo por mês. Sá Leitão Júnior, Juarez Castelo Branco e eu, Luis Sucupira. Todos rapazes moços mas trabalhadores ativos. Os outros que hoje aparecem como fundadores, ou se fizeram representar ou apenas assinaram a ata que nós levamos de redação em redação. Esta é a verdadeira história da fundação da ACI – Luis Sucupira”.

Posse da Diretoria
A 5 de setembro de 1925 (sábado), às 19:30h, realizou-se no Instituto Politécnico (salão da Fênix Caixeiral), sede da Associação dos Jornalistas Cearenses, a sessão solene de posse da sua primeira Diretoria. Ao ato compareceram, além do representante da Presidência do Estado, vultos de relevo em nosso meio social, jornalistas e literatos. A sessão foi presidida pelo Dr. Jonas Miranda, secretário e representante do Desembargador Moreira da Rocha, ladeado pelo Barão de Studart, deputado Moreira de Azevedo, Sr. Ildefonso Albano, César Magalhães e Luís Sucupira. Foi orador oficial da cerimônia o jornalista Dr. Tancredo Moraes. Falaram, ainda, César Magalhães, Sebastião Moreira, Gilberto Câmara e Jonas Miranda, que encerrou a sessão. Após a leitura da ata referente ao evento, foi empossada a Diretoria, assim constituída: Presidente – César Magalhães, Vice-dito – Tancredo Moraes, 1º Secretário – Luis Sucupira, 2º dito – Francisco Sabóia, Tesoureiro – Joaquim Genu, Bibliotecário – Lauro Reis Vidal, Membros dos Conselho de Sindicância – Juarez Castelo Branco, J. J. Sá Leitão e Picâncio Filho. Tomou posse também no cargo de membro do gabinete jurídico da Associação o Dr. Sebastião Moreira de Azevedo, deputado estadual, que gentilmente se ofereceu para desempenhá-lo.

Ata da Sessão Preparatória
“Essa ata da sessão preparatória da Associação dos Jornalistas Cearenses, foi realizada no dia 14 de julho de 1925 e contou com as presenças dos senhores Tancredo Moraes (Ceará Ilustrado), Joaquim Genu, César Magalhães, Sá Leitão Júnior (Correio do Ceará), Luiz Sucupira Cavalcante (O Nordeste), Juarez Castello Branco (A Noite), Gilberto Câmara, representado por Joaquim Genu e Rubens Macedo (A Razão), e pelo Sr. Sá Leitão Júnior. Em seguida, foi aclamado para presidente desta sessão preparatória o Dr Tancredo Moraes que, não aceitando, indicou o Sr. César Magalhães para tratar dos seguintes assuntos: 1º – 6 nomes da nova agremiação (ilegível) “Associação Brasileira, digo dos Jornalistas Cearenses” (ilegível). 2º – Ficou resolvido a redação dos Estatutos a serem discutidos com o Sr.César Magalhães. 3º – A presente acta terá, também, uma lista de adhesão, isto é, todos que assinarem esta acta, adherindo à novel Associação será considerado fundador. 4º – A mensalidade será de 5$000, cobrada ainda este mez. E como nada mais houve a tratar, marcou-se a nova reunião para domingo próximo, 19 de julho, na sede provisória à rua Gal. Sampaio, 123, ficando como thesoureiro provisório o Sr. Jm Genu que cobrará as mensalidades. E nada mais havendo a se discutir, eu Sá Leitão Júnior (Correio do Ceará e a Razão) secretário ad-hoc, a fiz esta acta, que subscrevo com os associados presentes. Fortaleza, 14 de julho de 1925”. Já em pleno funcionamento a Associação dos Jornalistas Cearenses acorreu aos diretores a idéia de filiarem esta à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), do Rio de Janeiro. Para isso, tiveram que adaptar o seu Regulamento ao daquela co-irmã, “no qual havia a exigência de conter, no seu quadro social, a entidade que pretendesse ser filiada, pelo menos, cem sócios”. A Associação dos Jornalistas Cearenses, que até então contava com apenas cincoenta associados, desdobrou-se no sentido de conseguir o número estipulado. Seus diretores, moços esforçados, saíam a cata de outros repórteres militantes, auxiliares de redação, praticantes ou avulsos, embora sem repercussão nos meios jornalísticos, porém dinâmicos e persistentes. A fim de apressarem a filiação junto a ABI, reorganizou-se a entidade em assembleia de 9 de setembro de 1926, passando a denominar-se ASSOCIAÇÃO CEARENSE DE IMPRENSA.

Posse do 1º presidente
César Teles de Magalhães foi empossado com os membros da Diretoria em 5 de setembro de 1925. César Teles nasceu no município de Baturité-Ce, no dia 11 de outubro de 1905. Foram seus pais Francisco César de Magalhães e D. Leolina Teles de Magalhães. Matriculando-se como aluno do Liceu do Ceará em 1919, frequentou assiduamente as redações dos jornais; no ano de 1921, publicou o periódico O Palinuro, cujo primeiro número circulou no dia 11 de junho. No ano seguinte, precisamente no dia 13 de dezembro de 1922 ingressava no jornal Correio do Ceará, com a incumbência de redigir o noticiário local. Tinha a Diretoria as vistas voltadas em favor dos gazeteiros, garotos analfabetos. Na reunião de 21 de fevereiro de 1926, o assunto foi debatido em favor da criação de uma escola. No dia 6 de abril era inaugurada com a denominação de “Escola Padre Mororó”, numa homenagem ao primeiro jornalista cearense, o padre Gonçalo Inácio Loiola Albuquerque e Melo. Terminado o mandato de presidente da Associação dos Jornalistas Cearenses, César Magalhães seguiu para Pernambuco, onde concluiria o curso de Direito. Ainda acadêmico, foi nomeado nas funções de Promotor de Justiça da Comarca de Bezerros, naquele Estado. Morreu vítima de afogamento, na capital pernambucana, em 6 de abril de 1930.

Posse do 2º Presidente – criação de estátua
Gilberto Câmara nasceu em Fortaleza-Ce, no dia 2 de abril de 1897, filho de João Câmara Filho e de D. Adelaide Pessoa Câmara. Ingressou no Liceu do Ceará em 1910 e cursou depois a Faculdade de Direito do Ceará, integrando a turma de bacharéis do ano de 1920. Reeleito em 1927, no ano seguinte, Gilberto Câmara encetou uma campanha no sentido de erguer um monumento na Praça Marques de Herval (hoje José Alencar) em homenagem ao centenário de nascimento de José de Alencar em 1º de Maio de 1929. A campanha arrecadou, no espaço de seis meses, com assinaturas do “Livro de Ouro”, 40 contos de réis, importância considerável para a época, porém insuficiente para atender ao custeio do arrojado empreendimento. Gilberto Câmara começou a preocupar-se ante a promessa não cumprida do prefeito Godofredo Maciel de liberar uma subvenção de 10 contos de réis, dentro das possibilidades do orçamento municipal. A mesma sorte teve Gilberto perante o presidente do Estado, desembargador Moreira da Rocha, que também silenciou quanto à ajuda do Governo, prevalecendo-se do agravamento da situação econômica e financeira tangida pelos rigores de mais um ano de seca que o Ceará atravessava. A importância até agora arrecadada era de 40 contos de réis; entretanto, a obra subiria para 80 ou 100 contos. O Dr. Carvalho Júnior, Secretário do Interior e Justiça, estava incumbido de redigir uma mensagem à Assembleia Legislativa, solicitando a abertura do crédito de 20 contos de réis para o monumento. Mais uma semana e Gilberto Câmara viaja ao Rio de Janeiro com a dupla missão de conseguir ajuda financeira do Governo Federal e contratar um escultor de fama para a execução da obra. No Rio, Gilberto Câmara procurou as pessoas ligadas ao Governo Federal. Da relação em seu poder, constavam principalmente nomes de representantes do Ceará junto ao presidente Washington Luiz, como os engenheiros senador João Tomé de Saboia e Silva, Francisco Sá e o bacharel Tomás Paula Pessoa Rodrigues. O chefe da Nação mostrou-se compreensível ao pedido, sendo apresentado na Câmara Alta um projeto autorizando ao governo a conceder o auxílio de cincoenta contos de réis. Não faltaria a colaboração de Leonardo Mota, jornalista dos mais altos conceituados que havia dirigido a Gazeta Oficial e entusiasta do nosso folclore. O vice-presidente Aldo Prado substituiu Gilberto Câmara à frente da agremiação jornalística.
No Rio de Janeiro, Gilberto Câmara subscreveu um edital com data de 17 de agosto, em que anunciava o concurso para maquetes representativas do monumento, com a advertência de que a previsão do custo da obra não poderia exceder a cem contos de réis. Estabeleceu-se o prêmio de dois contos para o vencedor. Mais de uma dezena de escultores subscreveram-se no concurso, cujo julgamento seria feito por um comissão, sob a presidência de Gilberto Câmara e composto por intelectuais de renome, escritores e homens de imprensa, como o poeta Ronald de Carvalho, o historiador Gustavo Barroso, o esteta José Mariano Filho e o jornalista M. Nogueira da Silva, 1º bibliotecário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). A escolha da melhor maquete deu-se no dia 17 de setembro, no saguão do Liceu de Artes e Ofícios, saindo vitoriosa a do talentoso escultor Humberto Bartholomeu Cozzo, paulista de 28 anos de idade, que concorreu com o pseudônimo Criterium. Concluída a estátua em fevereiro de 1929, Cozzo viria a Fortaleza acompanhado das peças que montaria, para complementar seu trabalho, tendo que desembarcaram no porto cearense, uma parte pelo “Purus”, a 13 de março, e a outra pelo “Pedro II”, a 20 de abril. Por aqueles dias, o novo prefeito de Fortaleza, Álvaro Nunes Weyne, havia assinado portaria, destinando para local da instalação do monumento a Praça Marquês de Herval, que passaria a ter nova denominação em homenagem ao autor de Iracema.
O poeta Antônio Sales concluíra a letra do “Hino do Centenário de José de Alencar”, a pedido do maestro Euclides da Silva Novo; o Diretor da Instrução Pública, Dr. Joaquim Moreira de Sousa, autoriza Silva Novo a ensaiar o Hino com três mil alunos de Grupos Escolares e Escolas Privadas da capital cearense. Esse número de vozes seria elevado com o concurso de estudantes secundários e superiores, subindo para quase oito mil figurantes, conforme relação publicada na Gazeta de Notícias, edição de 24 de abril.

Estribilho do Hino composto por Antônio Sales:
Terra da Luz! Teu maior brilho
Te vem do nome de teu filho!
Que luz suprema
Te faz fulgir
Doce Iracena
Mãe de Moacir!

Gilberto Câmara veio a falecer em Fortaleza, aos 56 anos de idade, no dia 5 de junho do ano de 1953.

Posse do 3º Presidente
Aldo Prado nasceu no município de Granja-Ce, em 24 de dezembro de 1901, filho de João Alves do Prado e de d. Maria de Sousa Prado, estes dotados de recursos consideráveis que se preocuparam com dar-lhe a melhor educação possível. Aldo foi matriculado no Instituto São Luiz, de Pacoti, estabelecimento de ensino primário de grande conceito, dirigido pelo Dr. Francisco de Menezes Pimentel. Em seguida, foi levado ao famoso Colégio do Caraçá, no Estado de Minas Gerais, onde fez maior parte do curso secundário. Em 1921, foi matriculado no Liceu do Ceará, onde conheceu César Teles de Magalhães, com quem publicou a revista Palinuro. Já havia estreado no jornalismo no ano anterior, redigindo o quinzenário Fortaleza, secretariado por Coelho Garcia e aparecido na capital cearense em 29 de fevereiro. Montando uma tipografia própria, Aldo Prado, juntamente com o dito Coelho Garcia e com o técnico em artes gráficas Orlando Amaral Gadelha, iniciou, em 18 de março de 1923, a publicação de uma nova revista intitulada A Jandaia que, bem redigida e confeccionada materialmente, obteve grande aceitação. Dois anos depois, associando-se, desta vez com os Drs. Atualpa Barbosa Lima e Adauto Fernandes, editou o semanário A Política, cujo primeiro número circulou em data de 7 de novembro de 1925.

Ingressando no quadro social da Associação dos Jornalistas Cearenses, começou a participar de seus poderes sociais, ainda que na Comissão de Sindicâncias, ocupando a vaga deixada por Júlio Costa Teófilo, em 25 de janeiro de 1927, poucos dias antes da reforma estatutária pela qual a entidade passou a denominar-se Associação Cearense de Imprensa. Dado o seu desempenho e assiduidade na função, Aldo impôs-se à confiança dos associados, de modo a ser eleito vice-presidente em 19 de novembro daquele mesmo ano. Coube-lhe assumir a presidência em razão do titular, Gilberto Câmara se licenciar para ir ao Rio de Janeiro tomar providências sobre a confecção do monumento a ser erigido em comemoração ao centenário de nascimento de José de Alencar.

Sua primeira atuação à frente dos destinos da Associação Cearense de Imprensa estendeu-se de fins de julho de 1928 ao último dia de fevereiro do ano seguinte, portanto, durante sete meses. Naquele período, demonstrou preocupação e maior interesse pela criação da Escola de Gazeteiros Padre Mororó. Em dezembro de 1929, concluiu o curso na Faculdade de Direito do Ceará, juntamente com Perboyre e Silva e Virgílio de Brito, seus companheiros na Associação. Com o advento da Revolução de 1930, foi demitido da Secretaria do Liceu do Ceará. Mudando-se para o Rio de Janeiro, prosseguiu na atividade jornalística e obteve nomeação para as funções de Procurador da Justiça do Trabalho.

Posse do 4º Presidente
Teodoro Cabral nasceu no dia 9 de novembro de 1891, no município de Itapipoca-Ce, filho de Francisco Gonçalves Cabral e de Maria de Lima Cabral. Tendo cursado apenas a escola primária, foi muito jovem para o Norte do país, à procura de trabalho. Aportando no Pará em 1906, dedicou-se como autodidata auxiliar de comércio. Cuidava da correspondência com as praças estrangeiras, tornando-se, por esse meio, conhecedor de várias línguas, notadamente o inglês, francês, espanhol e alemão. Começou suas atividades jornalísticas n’O Estado do Pará, de que foi redator-chefe. Regressando ao Ceará, em 1911, colabora na revista A Jangada, publicando contos de D’Annunzio Barbey e Bersegio, traduzidos dos originais. No mesmo ano, publica na revista Walhala, o trabalho de sua autoria, intitulado Iscariote. Na edição de 8 de setembro de 1916, do Correio do Ceará, publicou uma apreciação crítica das Notas de Viagem ao Norte do Ceará, de autoria do historiador Antônio Bezerra, trabalho que obteve grande repercussão, tendo sido transcrito d’O Estado do Pará e reproduzido na História da Literatura Cearense, de Dolor Barreira. Usava o nome literário de Téo Cabral e, em seguida, Políbio. Com este pseudônimo, escreveu durante cerca de quatro, a coluna “Ecos e Fatos”, certamente uma das mais apreciadas da imprensa do Ceará e publicada no matutino Gazeta de Notícias, fundado por Antônio Drummond em 10 de julho de 1927. Desfrutando de grande prestígio perante sua classe jornalística, foi eleito em 1930 presidente da entidade. Com passagem rápida à frente desta, renunciou em 30 de setembro de 1932, seguindo para o Rio de Janeiro, trabalhou nos jornais Diário de Notícias e Tribuna. Ingressando no serviço público, serviu inicialmente no Instituto do Álcool e do Açúcar, do qual passou para o Ministério das Relações Exteriores, nomeado assistente técnico do Escritório de Informações Comerciais do Brasil em Praga e em Budapest. Extinto aquele órgão, foi transferido para o congênero de Bogotá, capital da Colômbia. Ali editou um Boletim Informativo, até 1946, quando voltou à sua terra. Suas admiráveis crônicas publicadas na Gazeta de Notícias (Fortaleza) valeram seu ingresso na Academia Cearense de Letras. Deixou publicado o Dicionário Comercial Português-Inglês. Iniciado na Maçonaria, foi eleito Venerável Mestre da Loja Fortaleza nº 3, fundada em 7 de fevereiro de 1928. Faleceu inupto, no Rio de Janeiro, em 23 de junho de 1955.

Posse do 5º Presidente
Kerginaldo Cavalcanti de Albuquerque nasceu em Natal, Estado do Rio Grande do Norte, em 11 de janeiro de 1895, filho do coronel Pedro Cavalcanti de Albuquerque, comandante do 1º Batalhão Militar daquela Unidade da Federação. Tendo feito os estudos primários na terra natal, transferiu-se para Fortaleza, a fim de cursar a Faculdade de Direito do Ceará, bacharelando-se em 1918. Na vida política, foi eleito pelo Partido Social Progressista (PSP) a deputado estadual (1918-1920) , deputado federal (1934-1935) , Senador (1948-1951) e (1951-1959). Casou-se em Fortaleza com Zilma Perdigão Cavalcanti. Dedicando-se à advocacia, tornou-se conceituado na área do Direito; a convite de Antônio Drummond, ingressou na Gazeta de Notícias, cuja direção exerceu após o assassinato de seu fundador. No referido jornal escrevia regularmente sob o pseudônimo de Brito Vargas.

Posse do 6º Presidente
João Perboyre e Silva nasceu no município de Redenção, Ceará, no dia 18 de setembro de 1905, filho de Luis José da Silva e de d. Maria Júlia Moreira Silva. Fez os estudos primários no lugar onde nasceu e os preparatórios no Liceu do Ceará, em Fortaleza, depois de haver cursado, também, o Instituto de Humanidades do prof. Joaquim da Costa Nogueira Filho. Naquele estabelecimento oficial de ensino secundário em 1923, desde logo participando das atividades literárias da mocidade liceal. No ano seguinte, foi redator-chefe da revista A Idéia, órgão do respectivo corpo discente, quando adquiriu conceito de orador de grandes recursos. Em várias oportunidades, notadamente na sessão solene comemorativa de Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes, em 21 de abril de 1925. Nesse ano, por intermédio de Plácido Aderaldo Castelo, gerente d’A Idéia, integrou o corpo docente do Instituto de Humanidades, já referido, e passando a ser um dos redatores da Revista Escolar daquele estabelecimento, e na qual deixou, igualmente, colaboração em prosa e verso. Em 1926 surgiu o panfleto semanal A Farpa, cujo primeiro número saiu a 16 de janeiro, por ele redigido com Plácido Aderaldo Castelo, que era o diretor, e com Paulo Sarasate, Vulmar Borges e Djacir Menezes, todos acadêmicos de Direito. Segundo o historiador Raimundo Girão, que fizera parte da Academia Polimática, juntamente com alguns dos fundadores da Associação dos Jornalistas Cearenses, não tendo figurado, porém, neste elenco, apesar da atividade constante na imprensa em cujo grêmio somente ingressou após os acontecimentos a seguir mencionados.

Tendo A Farpa publicado violento edital contra o governo estadual do Presidente, desembargador Moreia Rocha, assumiu inteira responsabilidade e, em consequência, sofreu prisão durante dois dias, prestando-lhe a diretoria da entidade jornalística, na ocasião, a necessária assistência e fazendo publicar uma nota de protesto.

Ingressando na Associação Cearense de Imprensa, frequentou assiduamente as reuniões e mostrou interesse pela vida social, pelo que lhe foram dadas várias incumbências, como a de proferir discurso comemorativo da efeméride do aparecimento do primeiro jornal cearense, em solenidade promovida ao iniciar-se o mês de abril de 1927. Menos de uma semana depois, no dia 6, ocorrendo um pedido de licença de Tancredo de Moraes, vice-presidente da entidade, aceitou o convite para a substituição, de conformidade com os Estatutos.

Nas eleições de novembro de 1929, foi eleito para a presidência; porém, antes de ser empossado, renunciou em 28 de dezembro, através de uma declaração à imprensa, na qual considerou incompatível o cargo de Delegado de Polícia, que então exercia, com postos de direção do grêmio jornalístico. No ano seguinte, com o assassinato de Antônio Drummond, que exercia as funções de Procurador Fiscal do Estado, foi escolhido para preencher a vaga, sendo empossado em 14 de junho, porém nele permanecendo somente quatro meses, pois, com a Revolução Liberal, o novo governo o demitiu em 15 de outubro de 1930. ºPertenceu à Academia Cearense de Letras, cabendo-lhe a Cadeira n. 21-se para ser novamente eleito presidente, foi eleito em 9 de abril de 1934 e empossado em 21 do mesmo mês. Uma de suas grandes preocupações consistiu em construir Concentrou suas atividades na advocacia e no jornalismo, no ano de 1931 a 1933. Credenciando a Casa do Jornalista. Com vistas ao seu intento, promoveu a Semana da Imprensa, com eleição da Rainha da Imprensa e de duas Princesas. Perboyre e Silva veio a falecer em Brasília, no dia 23 de junho de 1965.

Primeira Rainha da Imprensa
Hildegarda Paracampos Barreto. Naquele ano de 1936, a sobralense Hildegarda Paracampos Barreto e as princesas Dayse Salgado Flores e Heliete Studart da Fonseca. A imprensa divulgou amplamente o resultado do certame, com acoroação de S.M. marcada para a noite de 30 de maio, daquele ano, no Clube dos Diários, na Avenida João Pessoa. O jornal O Povo publicou na mesma data, em matéria de primeira página, uma saudação assinada pelo escritor e poeta Martins d’Alvarez, que dizia: “A cidade está cheia de sangue azul. Até nós, os jornalistas, democratas por necessidade profissional, republicanos hereditários, eternos ruminantes da igualdade e liberdade, aderimos à monarquia. Elegemos a nossa rainha. Bonita, que faz gosto. Alegre e inteligente. A Rainha da Imprensa Cearense”. Sua oração mereceu os mais calorosos aplausos. O baile prolongou-se até às 3 da madrugada. A Rainha foi saudada na festa pelo Dr. Perboyre e Silva. Foi entoada uma valsa composta pelo poeta Pierre Luz, com melodia do maestro Francisco Soares. Depois de batidas algumas “chapas” pela Aba Film, a Associação Cearense de Imprensa, por seus diretores, acompanhou S. Majestade até sua residência à Rua Major Facundo. Margarida Holanda contraiu núpcias com o farmacêutico Armínio Paulo Riccio Xavier, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso técnico no Instituto Educacional de Administração. Ingressou no serviço público como secretária do Ministério do Trabalho. Regressando à sua terra natal, participou da Associação das Senhoras de Caridade e do Grupo de Orações do Colégio Imaculada Conceição.

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