- O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anuncia hoje (27/5) duas novas portarias do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) direcionadas ao cultivo da batata no Brasil.
- As orientações baseadas em pesquisas desenvolvidas pela Embrapa indicam áreas mais propícias ao cultivo, considerando o mercado fresco (mesa) e a produção de matéria-prima para a indústria.
- As portarias padronizam as orientações em âmbito nacional, em substituição aos zoneamentos por estados, vigentes até o momento.
- Essa nova metodologia, unificada para todo o país, ajuda a identificar novas áreas com potencial produtivo, como foi o caso de regiões em condições de altitude elevada na Bahia.
- Os documentos discutem ainda as principais ameaças climáticas à produtividade do tubérculo, como temperaturas extremas e volumes de prejuízos inadequados.
Dois novos estudos de Zoneamento Agrícola de Risco Climático ( Zarc ) vão contribuir para o cultivo de batata no Brasil, com foco no consumo in natura e no processamento agroindustrial. As portarias, elaboradas com base em estudos realizados pela Embrapa, foram publicadas hoje (27/5) pelo Ministério de Agricultura e Pecuária ( Mapa ) e oferecem ao setor produtivo orientações sobre áreas com maior probabilidade de sucesso para o desenvolvimento das lavouras, levando em consideração especificidades do cultivo com foco no mercado fresco (mesa) e na produção de matéria-prima para a indústria.
A principal diferença entre as duas específicas diz respeito ao ciclo da cultura – o período desde o plantio até a colheita – o que reflete em diferentes potenciais produtivos e padrões de qualidade. No caso da batata de mesa, o ciclo da cultura é interrompido em cerca de 90 dias para que o tubérculo se desenvolva para atender às exigências do mercado, especialmente no que diz respeito à aparência. Já para a indústria, em que o tamanho e a qualidade intrínseca dos tubos são as principais critérios, o ciclo vai de 120 até 130 dias.
“A batata para o mercado fresco é interrompida em cerca de 90 dias porque a intenção é que apresenta aparência, com pele lisa, para agradar o mercado. E para a indústria é necessário deixar crescer bastante e completar o ciclo de maturidade, que é quando atinge o máximo de matéria seca e o mínimo de açúcar. Essas são as qualidades intrínsecas para dar um produto de boa qualidade, como crocância e cor clara. Nesse caso, não importa que a fique pele mais áspera”, explica o pesquisador Arione Pereira , responsável pelo Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa.
O Zarc da batata não considera cultivares específicas, mas leva em conta a realidade do sistema de produção, que tende a ser semelhante em grande parte das regiões produtoras no Brasil. O manejo, que interrompeu a maturação natural das plantas antes do período para atender às necessidades específicas, faz com que as diferenças na produção entre as cultivares – geralmente ligadas ao comprimento do ciclo – não sejam importantes ao estudo.
“O zoneamento não há diferenças significativas entre as cultivares em função do ciclo da cultura ser definido pelo manejo no sistema de produção”, afirma o pesquisador da Embrapa Clima Temperado (RS) e um dos responsáveis pela elaboração do Zarc, Carlos Reisser Júnior . Esse é um dos motivos que justificam a necessidade da elaboração de estudos separados considerando as diferentes aptidões das batatas.
Principais riscos enfrentados pela cultura
No caso da batata, os aspectos climáticos, como as temperaturas extremas (altas ou baixas) e o volume de planejamento inadequado são os principais fatores de risco que provocam a morte das plantas ou a redução excessiva na produtividade. Especificamente em relação às chuvas, os períodos de seca têm impacto direto nas atividades, mas podem ser contornados com o uso de segurança. Já o excesso de chuvas, por sua vez, além do encantamento, causa danos indiretos, favorecendo o surgimento de doenças nas plantas e nos tubérculos.
Outros fatores climáticos importantes dizem respeito a reduções nos níveis de radiação e à incidência de granizo e efeitos. Além disso, também são considerados como critérios auxiliares no estudo aspectos como qualidade do solo, altitude e estimativa de produtividade das áreas, diminuição de regiões com maior ou menor potencial produtivo. Para a elaboração do zoneamento, essas condições são levadas em consideração ao longo de todo o ano, com definição dos níveis específicos quanto a cada uma delas, de maneira a se estabelecer as classificações de risco de perda.
Zoneamento nacional ajuda para identificar novas áreas com potencial de cultivo
As novas portarias substituem os antigos Zoneamentos Agroclimáticos da batata, que foram realizados por estados produtores. A partir da publicação dessas, o trabalho apresenta os resultados por municípios, considerando todas as regiões do País, a partir da busca na plataforma Painel de Indicação de Riscos do Mapa, ou via aplicativo Zarc Plantio Certo , desenvolvido pela Embrapa Agricultura Digital (SP).
Uma nova metodologia, unificada para todo o País, também ajuda a identificar novas áreas com potencial produtivo, como foi o caso de regiões em condições de altitude elevada na Bahia. Por serem climaticamente propícias, essas áreas apresentam risco climático dentro dos níveis aceitos nos Programas de Seguro Rural ( PSR ) e de Garantia da Atividade Agropecuária ( Proagro ), mesmo que não abriguem tradição a cultura. Isso não estava previsto nos estudos anteriores. No entanto, Reisser destaca a necessidade de realizar testes e considerar outros fatores, como disponibilidade de água e de mão-de-obra habilidades na região, bem como mercado e logística de distribuição, por exemplo, antes da implantação de novas áreas.
Para a consulta, produtores rurais e demais atores ligados ao setor selecionam o município de interesse e o sistema sinalizando quais os dados indicados para o planejamento, caso a área seja propícia ao cultivo, trazem também variações de riscos de perda de 20%, 30% e 40%. Variáveis como altitude da área e tipo de solo são levadas em consideração, bem como especificamente do plantio. O projeto indica risco menor em regiões de baixa variação para áreas com sistema de segurança já instalado.
Para o pesquisador, essas informações são fundamentais, porque mostrar as melhores épocas para se produzir com menores riscos. “É uma orientação para o sucesso do produtor”, afirma. Além disso, a Zarc organiza o sistema de produção nacional para que os interessados tenham um balizador para evitar riscos excessivos. “O estudo é realizado pela Embrapa, com a colaboração de especialistas de outras organizações, e também é utilizado pelo PSR, Proagro e sistema de seguro particular, o que mostra a importância dessa ferramenta”, justifica.
Estudo realizado em parceria
O trabalho para a elaboração do Zarc da batata foi coordenado pela equipe da Embrapa Clima Temperado, onde também é realizado o Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa, responsável pelo desenvolvimento de novas cultivares. O portfólio da empresa abriga cinco cultivares lançadas desde 2012 – três em processo de adoção -, e está avançando. Representa hoje cerca de 7% das cultivares disponíveis no mercado nacional, com materiais que conciliam produtividade com diferentes aptidões culinárias.
Ainda é revelado na validação do estudo pesquisadores da Embrapa Hortaliças (DF), que também faz parte do Programa de Melhoramento, e da Embrapa Agricultura Digital, responsável pelo banco de dados onde estão armazenados os dados ligados ao zoneamento. Outra parceria importante foi da Associação Brasileira da Batata ( ABBA ). A entidade deu apoio às equipes de pesquisa na articulação com produtores e indústrias para construção da metodologia e validação dos dados junto aos elos do setor produtivo.