Festival de Cinema Socioambiental destaca os 50 anos do Ano Internacional da Mulher
Em 1975, a ONU (Organização das Nações Unidas) declarou o Ano Internacional da Mulher, cujo marco foi a realização da I Conferência Mundial da Mulher, no México. Essa iniciativa foi uma importante forma de reconhecimento da luta por direitos e contra a discriminação por razões de gênero que, a partir da década de 1960, havia ganho novo fôlego. Essa etapa do movimento feminista, que durou aproximadamente duas décadas e foi marcada por profundas transformações sociais, ficou conhecida como “segunda onda do feminismo”. Desta maneira, no momento em que a data completa 50 anos e o fim de resgatar essa memória, a 14ª edição da Mostra Ecofalante de Cinema preparou uma retrospectiva intitulada “1975/85, Do Ano Internacional da Mulher à Década do(s) Cinema(s) Feminista(s)” , reunindo marcos dessa produção.
As principais características da segunda onda do feminismo são as lutas por direitos reprodutivos, equidade nas condições de trabalho, divisão justa das responsabilidades domésticas, denúncia da violência contra a mulher e crítica à objetificação do corpo feminino, entre outras pautas. O reconhecimento dessa luta por uma instituição de peso internacional — com a proclamação do Ano Internacional da Mulher e, na sequência, da Década da Mulher, encerrada em 1985 com a III Conferência Mundial realizada em Nairóbi, no Quênia — contribuiu significativamente para ampliar a inserção do debate sobre igualdade de gênero em diferentes setores da sociedade.
O cinema também refletiu essa efervescência e tornou-se parte ativa do movimento. Ainda em 1975, a UNESCO promoveu o I Seminário Internacional Mulheres no Cinema , apoiando o papel do audiovisual na luta das mulheres. Nesse contexto, lançaram diversos festivais dedicados ao cinema feito por mulheres, além de ciclos e mostras especiais para resgatar cineastas esquecidos e valorizar suas obras. As próprias realizadas passaram a refletir, em seus filmes, sobre as condições de gênero na produção cinematográfica e audiovisual.
Agendada para o período de 28 de março a 11 de junho, em São Paulo, a retrospectiva traz em sua programação o longa- “O Longo Caminho Até a Cadeira de Diretor” (2025), da diretora norueguesa Vibeke Løkkeberg. Inédito no Brasil, o filme traz imagens registradas em 1973 que documentam os primórdios do movimento cinematográfico feminista. As filmagens perdidas por 50 anos e foram recentemente recuperadas e editadas, com estreia no Festival de Berlim deste ano. Participam do filme diversas diretoras, produtoras e atrizes, entre elas as cineastas alemãs Helke Sander e Claudia von Alemann, além da própria Vibeke Løkkeberg.
Considerado um dos primeiros filmes feministas da era soviética, “ Algumas Entrevistas sobre Problemas Íntimos” (1978) é dirigido por Lana Gogoberidze, cineasta nascida na Geórgia e uma das vozes mais proeminentes do cinema daquele período em seu país. A trama acompanha uma jornalista que coleta depoimentos de mulheres, revelando suas angústias e questões pessoais. Trata-se de um retrato íntimo e raro das experiências femininas da época. A obra será exibida em cópia restaurada.
Um dos mais importantes nomes do cinema húngaro, a diretora Márta Mészáros está presente com “Adoção” (1975), grande vencedora do Festival de Berlim de 1975, onde conquistou ainda três outras premiações. A longa propõe um estudo psicológico de uma mulher da classe trabalhadora solteira que quer adotar uma criança.
A produção norte-americana “Born in Flames” (1983) explora questões de minorias, feminismo e direitos gays. Realizado ao longo de cinco anos, o filme apresenta uma distopia sobre mulheres de diversas classes sociais mobilizando-se contra um governo opressor, apresentando-se democrático. Considerado um ícone do movimento feminista da época, a obra antecipa algumas críticas à segunda onda do feminismo, apontando para uma possível terceira onda. Sua diretora, Lizzie Borden, possui uma carreira premiada, com reconhecimento em eventos como o Festival de Sundance.
Considerada como o evento mais importante sul-americano para a produção audiovisual ligada às questões socioambientais, a Mostra Ecofalante de Cinema tem entrada franca em todas as suas atividades.
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14ª Mostra Ecofalante de Cinema
de 28 de maio a 11 de junho de 2025
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