60 ANOS DA FESTA DE IEMANJÁ EM FORTALEZA
Os festejos de Iemanjá espalham pelo litoral Fortalezense e neste ano de 2025 é marcado com muita tradição e celebração à ancestralidade dos 60 anos de atuação da União Espírita Cearense de Umbanda – UECUM (Castro e Silva, 920, Centro). Aqui em Fortaleza, em 1967 foi quando a festa de Iemanjá passou a ser organizada em espaço público, como as ruas e à beira mar.
Desde que a umbanda existe acontece os rituais, mas de forma festiva e ao ar livre , rompendo diversas barreiras da intolerância e da ignorância sobre a cultura e a religiosidade afro-brasileira, somente no final da década de 60, inicia os primeiros movimentos na capital cearense. A atual presidenta da UECUM, a líder espiritual e gestora da federação que acolhe os terreiros registrados, a mãe de santo Tecla do Caboclo Tupinambá conduz a história da trajetória desses 60 anos de resistência e valorização da representatividade sociocultural dos Festejos de Iemanjá.
“Comemoramos as bodas de diamante, com 60 anos. Sou neta de mãe Júlia, a primeira mãe de santo a ser presidenta da federação de umbanda do Ceará, fundada pelo meu pai Manoel Rodrigues de Oliveira, e nos anos 60, fundou a UECUM. Minha mãe, Suzana Sá de Oliveira também esteve à frente da luta da nossa religião e hoje continuo o legado da minha ancestralidade para que a Festa de Iemanjá, que iniciou-se na Praia do Futuro continue por muitos anos”, demarca.

Mãe Tecla lembra que antigamente as celebrações eram nos terreiros, e depois passou a ser pública, com as passeatas pelas ruas de Fortaleza, até que seu pai organizou o movimento e levou a caminhada à beira mar. “Naquele tempo, a gente teve que seguir para uma praia mais distante, para driblar a perseguição e o preconceito, por isso foi escolhida a praia do Futuro. Com o passar dos anos a Praia passou a ser corredor turístico e hoje é palco para a maior festa de Iemanjá da capital”. A líder também comenta sobre a força de muitos terreiros locais e regionais e de muitas caravanas, além do público da praia e turistas que fortalecem a continuidade dos festejos.
Ela conta que na década de 30 os umbandistas se organizavam em seus terreiros, usando a mesma data da padroeira da cidade, se valendo do sincretismo religioso para celebrar a rainha do mar e camuflar a intolerância religiosa. Somente na década de 40 que seu pai, o senhor Manoel de Sá. A presidenta contou que logo as manifestações foram proibidas e seu povo voltou aos terreiros. A resistência da festa em público voltou na década de 60, através da UECUM, com a organização da Festa de Iemanjá, impulsionando o movimento, levando a passeata à beira da praia. “Que continuemos em nossos terreiros, muitos deles nos fundos das casas, em quintais, mas que possamos também viver nossa ancestralidade também, ocupando espaços públicos e celebrando nossa fé, como fazemos há 60 anos na Praia do Futuro”.
O festejo tradicional é considerado Patrimônio Imaterial conforme decreto nº 14.262, registrado pela Prefeitura de Fortaleza, um dos apoiadores do evento, por meio da Secretaria de Cultura de Fortaleza. Além de está incluído no calendário de eventos do Estado do Ceará, através da Lei nº 17.104.
Neste ano a festa de Iemanjá Praia do Futuro completa 60 anos com o tema
“ 60 anos de amor e luta ” e convida para programação gratuita:
SERVIÇO:
Festa de Iemanjá Praia do Futuro – 60 anos de amor e luta
Dia e Hora: 14 (18h às 00h) e 15 de agosto ( 08 às 18h).
Onde: Praia do Futuro, Barraca do Zé da Praia, 2551, Fortaleza – Ceará – Brasil. Evento gratuito
