Tragédia em Brumadinho Negligência que pode custar caro

A fúria da natureza vence a ganância, mas deixa milhares de vítimas e os brasileiros choram a perda irreparável de seus entes queridos. Perdoe-me os nossos leitores ao abordar dessa forma uma tragédia de tamanha magnitude. Assuntos como esse é tudo que o Jornal do Comércio do Ceará(JCC) não desejaria abordar em seu editorial. O desejável é que não fosse uma realidade, mas essa situação deixa a todos intrigados, pois já tivemos um exemplo com o rompimento da barragem de Mariana. Como todos sabem houve negligência comprovada até na reparação e acolhimento das vítimas daquela tragédia. Os exemplos não serviram como alerta nem prevenção por parte dos dirigentes de uma das maiores mineradora do mundo. É impressionante como o Brasil vem se tornando omisso às políticas  globais de proteção ao meio ambiente.

Governos recém-eleitos em toda América Latina fazem pouco caso às questões primordiais que assolam os países, como as terras indígenas, desmatamento, queimadas e outros crimes ambientais.. Os riscos causam danos que por muitos séculos podem deixar consequências ao meio ambiente, contudo, o homem em razão de sua ganância despreza uma leitura mais apurada sobre o assunto. Para comprovar: os discursos do presidente dos EUA, que se abstém até de participar da conferência do clima, evento que reúne anualmente líderes mundiais para discutir o problema em todo o planeta.

Ao analisarmos a tragédia em Belorizonte, surge a pergunta: a que ponto chegaram as autoridades, os responsáveis pela fiscalização da barragem na Mina Feijão, em Brumadinho (MG)?

As buscas pelas vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale  continuam, a avalanche de lama e rejeitos de mineração que devastou parte da cidade da região metropolitana de Belo Horizonte até o presente momento, deixou 110 mortes confirmadas.

A tragédia causou um rastro de destruição: casas, pousadas e sítios foram soterrados e a lama poluente atingiu o rio Paraopeba, um dos afluentes do rio São Francisco. Familiares e amigos das vítimas desesperados, reclamam de falta de informações e apoio por parte da Vale.

Felizmente, a mão da Justiça começa a funcionar e a juíza Perla Saliba Brito expediu mandados de prisão contra engenheiros e funcionários da Vale. Os mandados foram cumpridos em uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF), os Ministérios Públicos de Minas Gerais e São Paulo e as Polícias Civis dos dois Estados. Segundo as investigações, os funcionários atestaram o laudo da barragem que se rompeu.  Os engenheiros deram parecer informando que a estrutura não apresentava risco de rompimento.

É notório que houve descaso dos funcionários da empresa Vale que atestaram a segurança da barragem, conforme as palavras da juíza do caso, Perla Saliba Brito: não é possível acreditar “barragens de tal monta, geridas por uma das maiores mineradoras mundiais, se rompam repentinamente, sem dar qualquer indício de vulnerabilidade”.

Até o fechamento desta edição do Jornal do Comércio do Ceará (JCC), os números da tragédia em Brumadinho já era de 110 mortos e 238 pessoas desaparecidas, entre funcionários da Vale, terceirizados e moradores.

Que dessa vez as autoridades procedam com todo o rigor da lei, a justiça seja feita e os responsáveis por essa tragédia amarguem um bom tempo na cadeia. Isso sirva como lição para os governos tomarem medidas drásticas de fiscalização nessas empresas sob sua responsabilidade e que não insistam em abandonar políticas públicas voltadas à proteção do meio ambiente.

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