Trabalhador do nordeste é o que menos gasta para almoçar fora de casa

Valor desembolsado é de R$ 32,66 em média. Valor está abaixo da média nacional, que é de R$ 34,84. Pesquisa mostra que trabalhador tem buscado menor preço

Destaques

  • Pesquisa foi feita em 51 cidades brasileiras em estabelecimentos comerciais que aceitam voucher refeição como forma de pagamento.
  • Preços de quase todas as cidades nordestinas sofreram retração. Valor médio da região diminuiu de R$ 33,39 para R$ 32,66 neste ano.
  • As exceções foram Jaboatão dos Guararapes (PE) e Salvador (BA) que tiveram aumento de 8,5% e 5,3%, respectivamente. Nas duas cidades os reajustes ficaram acima da inflação de 3,75% no mesmo período, segundo o IPCA/IBGE.
  • Preços variaram muito de cidade para cidade, de acordo com a realidade econômica local.
  • Valor desembolsado mensalmente com almoço fora de casa fica em torno dos R$ 766,00, o que corresponde a 34% do salário médio do brasileiro.

São Paulo, —— de abril, de 2019 – A pesquisa “Preço Médio da Refeição Fora do Lar”, realizada anualmente pela ABBT – Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador, aponta que o trabalhador nordestino desembolsa, em média, R$ 32,66 para almoçar fora de casa. O preço está abaixo da média nacional, de R$ 34,84 e levou a região Nordeste a se tornar a mais barata para almoçar fora de casa. O estudo foi feito em 22 Estados e no Distrito Federal, num total de 51 municípios, e coletou quase 6,2 mil preços de pratos, no período de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019.

Os dados foram apurados para a entidade pela GS & Inteligência, empresa do Grupo Gouvêa de Souza. Foi considerado o preço da refeição composta por: prato principal, bebida não alcoólica, sobremesa e café, na hora do almoço, em estabelecimentos que aceitam voucher refeição como forma de pagamento. “O estudo é um termômetro importante que auxilia as empresas a ponderar sobre o valor do auxílio concedido ao trabalhador. Além disso, serve como referencial para garantir que quem recebe o benefício possa ter acesso a refeições de qualidade, nutritivas e equilibradas”, afirma Jessica Srour, diretora-executiva da ABBT.

Resultados da pesquisa – Os preços da alimentação variam muito de cidade para cidade e refletem a realidade econômica local. “É importante ressaltar que a pesquisa é um retrato do momento avaliado. As oscilações podem mostrar reposição de perdas nos anos anteriores ou acomodação dos valores de acordo com o momento econômico vivido em cada município”, comenta Jéssica.

Das dez cidades pesquisadas do Nordeste, 7 apresentaram retração nos preços. Somente Salvador (BA), Jaboatão dos Guararapes (PE) e Fortaleza (CE) tiveram reajuste. Ainda assim, na capital cearense, o percentual de variação ficou abaixo do índice de inflação de 3,75% apurado pelo IPCA/IBGE no mesmo período (veja tabela). Nesta edição da pesquisa, posto de cidade mais barata ficou com Recife. No ano passado, o menor preço de almoço da região era de Jaboatão dos Guararapes. A cidade mais cara é capital baiana, ocupando o lugar que era de Aracaju (SE), segundo os dados anteriores. De acordo com a pesquisa, a variação de preço de um ano para outro foi diretamente impactada pela realidade econômica de cada município. “O país vem atravessando uma fase de econômica pouco aquecida, o emprego e a renda ainda não se fortaleceram e isso afeta diretamente o desempenho dos estabelecimentos. Mais do que qualquer outro segmento, restaurantes são sensíveis a qualquer oscilação”, pondera a diretora-executiva da ABBT. Acompanhe as variações pela tabela abaixo:

 

2017

2018

Variação

BRASIL

34,14

34,84

2,1%

NORDESTE

33,39

32,66

-2,2%

Salvador (BA)

34,78

36,62

5,3%

Aracaju (SE)

39,43

36,26

-8,0%

São Luís (MA)

35,81

34,90

-2,5%

Natal (RN)

36,15

32,80

-9,3%

Fortaleza (CE)

32,04

32,49

1,4%

Maceió (AL)

32,43

31,37

-3,3%

Teresina (PI)

34,26

31,36

-8,5%

Jaboatão dos Guararapes (PE)

28,49

30,91

8,5%

João Pessoa (PB)

33,41

30,58

-8,5%

Recife (PE)

31,65

29,70

-6,1%

Comparativos com outras regiões e cidades – A pesquisa retrata os preços médios da refeição nas cinco regiões brasileiras. O Sudeste se mantém como a região mais cara para almoçar fora de casa. Apesar de o aumento do custo no preço dos alimentos ter sido o principal responsável pela inflação no ano passado, o reajuste do preço médio do almoço do trabalhador no País ficou em 2,1%, abaixo do índice de 3,75% apurado pelo IPCA/IBGE no mesmo período. Veja a tabela:

2017

2018

Variação

BRASIL

34,14

34,84

2,1%

SUDESTE

34,49

35,72

3,6%

SUL

33,48

34,18

2,1%

CENTRO-OESTE

32,87

35,16

7,0%

NORTE

32,77

33,74

3,0%

NORDESTE

33,39

32,66

-2,2%

“Nossa percepção é a de que na maior parte do País, os estabelecimentos optaram por elevar menos ou até mesmo diminuir os preços do cardápio para reter seus clientes” pondera a diretora-executiva da ABBT. Apesar disso, de acordo com o estudo, o valor gasto com o almoço representa 1/3 da renda média do trabalhador. Isso equivale ao desembolso mensal em torno dos R$ 766,00, o que corresponde a 34% do salário médio do brasileiro, atualmente em R$ 2.285,00 no período de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019 (segundo a pesquisa PNAD/IBGE).

Pela segunda vez consecutiva, Florianópolis (SC) se mantém como a cidade mais cara para almoçar: R$ 43,35. Diadema (SP) é onde o trabalhador gasta menos em comparação a outros municípios: foi a cidade mais barata, com preço médio de R$ 28,85, em 2018. Jaboatão dos Guararapes, João Pessoa e Recife estão entre as dez cidades mais em conta. Acompanhe os destaques com os maiores e menores preços em algumas cidades pesquisadas:

 

Cidade Refeição Completa
Florianópolis (SC)

R$ 43,35

Serra (ES)

R$ 43,21

Palmas (TO)

R$ 42,79

Vitória (ES)

R$ 42,54

Niterói (RJ)

R$ 40,08

Vila Velha (ES)

R$ 39,85

Rio de Janeiro (RJ)

R$ 39,74

Santo André (SP)

R$ 38,98

Campinas (SP)

R$ 37,81

Barueri (SP)

R$ 37,59

Média Nacional

R$ 34,84

Belo Horizonte (MG)

R$ 31,10

Jaboatão dos Guararapes (PE)

R$ 30,91

Curitiba (PR)

R$ 30,61

João Pessoa (PB)

R$ 30,58

São Bernardo do Campo (SP)

R$ 30,46

Manaus (AM)

R$ 30,17

Nilópolis (RJ)

R$ 30,16

Guarulhos (SP)

R$ 29,96

Recife (PE)

R$ 29,70

Diadema (SP)

R$ 28,85

Alimentação saudável – Esta edição da pesquisa ABBT aponta que, para equilibrar os gastos, o trabalhador optou por restaurantes com preço mais acessível, mas sem deixar de lado a preocupação com uma alimentação equilibrada. A maioria dos restaurantes pesquisados registrou aumento na procura por produtos mais saudáveis, como verduras e legumes (55%) e sucos naturais (60%).

Atualmente cerca de 17 milhões de trabalhadores têm acesso aos benefícios refeição e alimentação, sendo que 80% possuem renda até cinco salários mínimos. O setor engloba as empresas operadoras do segmento de cartões refeição e faz parte do PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador do Governo Federal, criado por lei em 1976, que completa 43 anos em abril: “Antes do PAT, uma parcela expressiva da população era avaliada em estado de desnutrição e subnutrição, o que influía no baixo rendimento. O programa evoluiu e atualmente é um instrumento de desenvolvimento econômico e social”, destaca a diretora-executiva da ABBT.

Metodologia da pesquisa – A pesquisa avaliou os valores praticados pelos restaurantes, lanchonetes e padarias em quatro categorias: comercial (estabelecimentos com serviço mais simples e que serve o popular “prato feito”), autosserviço (sistema self-service por quilo ou buffet a preço fixo), executivo (oferece  opção de prato do dia com desconto em relação aos demais apresentados no menu)  e a la carte (ambiente mais sofisticado onde o consumidor escolhe o prato que será preparado na hora).

Sobre a ABBT – Fundada em 1981 com o nome de ASSERT – Associação das Empresas de Refeição e Alimentação -, em junho de 2017 a entidade ampliou seu escopo de atuação e mudou o nome para ABBT – Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador. Com isso, ampliou seu foco e, além dos benefícios alimentação e refeição, passou contemplar também o vale-cultura. Atualmente, conta com 16 associados que representam mais de 90% das operações do setor.

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