Mário Behring O criador das Grandes Lojas Maçônicas do Brasil

O mineiro filho das Minas Gerais que iniciou uma luta sem quartel em favor da liberdade de pensamento e contra o radicalismo –  O jovem que aos 22 anos transpôs o pórtico da Loja Maçônica “União Cosmopolita” e logo empunharia o primeiro Malhete de sua Oficina – A atitude corajosa de um  Grão -Mestre em separar-se dos corpos do Grande Oriente. ’’   

 

Texto de Zelito Magalhães       

No ano de 1901, Mário Behring transfere-se de sua cidade natal, Ponte Nova, em Minas Gerais, para o Rio de Janeiro. Possuidor de certa experiência como maçom iniciado na Loja “União Cosmopolita”, de sua terra,  na capital da República filiou-se à Loja “Comércio e Arte”, vindo a ser  nomeado Membro da Comissão de Redação do Boletim  Oficial do Grande Oriente do  Brasil, criado em  17 de junho de 1822.  Ainda nas funções  da referida Comissão, desde 1902 até 1905, foi  eleito em 1906 Grande Secretário Adjunto. Em 1907 foi convidado a elaborar o projeto da Constituição do GOB, formado por 18 membros encarregados da sua redação final.  

 

Com o falecimento do Grão-Mestre  Adjunto Luiz Soares Horta Barbosa, a 28 de janeiro de1921, realizaram-se novas eleições, a 25 de abril seguinte, para preenchimento  do cargo,  sendo apresentados dois candidatos: Mário Behring e o general  José Maria Moreira Guimarães. Com o apoio de São Paulo, o general Moreira Guimarães obteve a maioria de sufrágios (2.770 contra 2.124 dados a Behring). Manipulados, todavia, os  dados, a junta apuradora anulou votos de ambos  os lados, principalmente os do  general, de tal maneira que Mário Behring  acabaria sendo eleito com l.410 votos.                                                                                                                            

 

A reação provocada  

O Grande Oriente de São Paulo era dirigido, desde 1920, pelo jurista José Adriano Marrey Júnior. No dia 29 de julho de 1921, atendendo a uma convocação do Grão- Mestre Marrey Júnior, representantes de 51 Lojas participaram de uma reunião, na qual  tratou-se  do desligamento desse Grande Oriente do Poder Central, sob a alegação de não terem sido computados os votos de São Paulo naquelas eleições suplementares. O Grande Oriente do Brasil, reagindo a essa brusca separação, declara extinto o Grande Oriente Estadual de São Paulo, pelo Decreto nº 694, de 27 de outubro de 1921, criando posteriormente a Grande Loja Simbólica de São Paulo.   

 

Behring Grão-Mestre   

20 de maio de 1922, Mário Behring seria eleito Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil e empossado a 28 de junho, tendo como Adjunto Bernardino de Almeida Senna  Campos. A 17 de junho de 1925,quase no fim da gestão do Grão-Mestre Mário Behring, pelo Decreto Nº 814, era extinta a Grande Loja Simbólica do Estado de São Paulo e criada uma Delegacia do Grande Oriente do Brasil no Estado. Behring estava licenciado   desde 21 de maio, mas reassumiu a 23 de junho, diante da celeuma provocada em torno da eleição para o Grão-Mestrado, ocorrida a 20 de maio. Com  o falecimento do Grão- Mestre  Vicente Neiva, a 18 de fevereiro de 1926, assumiu  o  Adjunto Fonseca Hermes, com quem Behring assinaria um tratado a 17 de junho, estabelecendo que o Rito Escocês Antigo e Aceito e os Graus Simbólicos ficariam com  o Grande Oriente, enquanto que os Altos Graus com o Supremo Conselho. O irmão Behring, ao tomar conhecimento do que iria ocorrer, promoveu às escondidas, dia 27 de junho de 1927, na Rua da Quitanda, 32, uma reunião extraordinária do Supremo Conselho, que contou com a presença de 13 membros efetivos de sua administração e declarou a sua separação do Grande Oriente. Isto sem esquecer de subtrair  todos os papéis e documentos dos arquivos do Supremo Conselho, no Lavradia, que foram transportados para  a Rua da Constituição nº 38. A atitude foi considerada um flagrante delito que foi levado ao conhecimento de todas as Obediências. Nessa ocasião, os seguidores do Irmão Mário  Behring foram renunciados aos cargos que ocupavam no Grande Oriente:  Amaro Albuquerque (Grande Secretário Geral) , Moreira Sampaio (2º Grande Vigilante do Conselho), Monteiro Chaves e Senna Campos, os dois últimos membros efetivos.   

 

O Desiderato                                     

O destemido Grão-Mestre Mário Behring, em breves palavras, conclamou a necessidade da sonhada separação do Grande Oriente, ensejo em que criou um substrato simbólico para  um Supremo Conselho na figura de Grandes Lojas na abrangência dos estados da Federação. A primeira Loja a independer-se do GOB foi a da Bahia, fundada a 22 de maio de 1927 (recebeu a Carta  Constitutiva Nº  21) seguida pelas do Rio de Janeiro e São Paulo, esta fundada a 18 de junho de 1927 por 23 Lojas das quais apenas uma permaneceu fiel ao GOB – a Prudente de Morais. A 3 de  agosto daquele ano, o Supremo Conselho de Mário Behring lançava  um Manifesto  às Oficinas Escocesas do Brasil e o Decreto Nº 7  foi considerado o “pai das Grandes Lojas Brasileiras”    

 

Perfil de Mário Behring 

Filho de José Ribeiro Behring e de Maria Francisca Behring, Mário Marinho de Carvalho Behring nasceu a 27 de janeiro de 1876 na cidade de Ponte Nova/MG. Cursou o Colégio Pedro II do Rio de Janeiro, formando-se em engenheiro agrônomo pela Escola Agrícola da Bahia, em 1896. Retornando à sua cidade natal, exerceu o cargo de Diretor de Obras do Município e fundou o “Externato Pontenovense”. Mudando-se  para  o Rio de Janeiro, em 1901, tornou-se diretor de duas destacadas revistas na  então capital da República: Kosmos e Para Todos(nesta escrevia sob o pseudônimo “O Operador”). Posteriormente, engajou-se na similar Cineasta, ao lado de Adhemar Gonzaga, especializando-se em assuntos das artes  cênicas. Polígrafo, colaborou nos jornais O Imparcial, Jornal do  Comércio, além das famosas revistas Fon-Fon, Careta, Ilustração Brasileira e Revista da Estrada de Ferro. “A vida  intelectual de Mário Behring foi exercida quando “pobre, casado e com muitos filhos” (GOMES, Paulo Emílio Salles. Perspectiva – São Paulo, 1974 – p.295)  MárioBehring  foi iniciado maçom na Loja “União Cosmopolita” de Minas Gerais, em 27 de dezembro de 1897 (aos 21 anos). No Rio de Janeiro, foi filiado à Loja Ganganelli  Nº 289 (Rito Moderno) fundada em 25 de junho de 1874. Faleceu em 14-06-1933. 

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