BNB 66 ANOS Cada vez mais ativo

Tamanho, quando se avalia a estrutura de uma corporação, é documento, sim!  E idade, ainda mais. Principalmente quando a sua história é de luta, esforço, competência e resultados. Bons resultados regionais e nacionais. 65 anos não são somente seis décadas e meia, é a vida de uma Instituição que nasceu e se desenvolveu, marcando uma trajetória que se confunde com a própria evolução do Semiárido brasileiro, e a vida de homens, famílias e comunidades que no passado, somente conheciam a tragédia. 

 

(Pesquisa e texto: Rogério Morais) 

Há 66 anos, a vida nordestina, para a grande maioria de sua população, era somente de subsistência, e quando haviam boas chuvas. Quem imaginava as belas e poderosas – economicamente – capitais da região, entre elas Fortaleza, situada exclusivamente no JequitinhonhaJequitinhonhaJequitinhonhaseminário, onde está a sede do Banco do Nordeste do Brasil – BNB.  

Qual o Profeta sertanejo, entre centenas, há quem viu o “Sertão virar mar e o mar virar sertão”, que poderia prever o prever o solo sertanejo se transformar em frutas, peixes, camarão, mel, castanha, rosas e flores, cocos, leite; açudes, casas, prédios e fábricas; ruas, avenidas e estradas; e uma população de milhões de pessoas que nele planta, colhe, transforma, produz e consome, superando as adversidades climáticas e econômicas. 

Depois de completar 66 anos de atividades, ainda mais ativo e jovem, a REVISTA “COCO É VIDA” foi procurar os motivos de tanto vigor dessa instituição brasileira. Fomos encontrar em jornais antigos, alguns quase impossíveis de manuseio, de tão antigos, o início da sua história, da sua criação e da sua estrutura administrativa, econômica e financeira. 

 

Larga envergadura 

No Jornal “Correio do Ceará”, de 11 de junho de 1952, edição nº 1260 (quarta-feira), em sua última página, o título destaca: “Um dos pontos básicos para o desenvolvimento da nossa região. Criação Imediata do Banco do Nordeste”. Em um texto do jornalista correspondente Temístocles de Castro e Silva, as chamadas anunciam: “Agitam-se as Associações Comerciais. Quatorze recomendações de alta importância na “mesa redonda”. Campanha de Larga Envergadura”. 

E o jornalista escreve, direto do Rio de Janeiro, então capital do País:  

A mesa redonda das Associações Comerciais do Norte e Nordeste, pelas conclusões a que chegou, poderá proporcionar, sem dúvida, um sensível impulso à economia dos Estados dessas regiões, caso o Governo  se disponha a atender às suas  reivindicações.  

Todos os problemas que afligem atualmente a economia do Norte e Nordeste foram objeto de prolongados debates por parte das delegações na mesa redonda, através dos quais uma conclusão ressalta à primeira vista: As duas regiões vivem à margem do amparo federal. Esta, pelo menos, é a conclusão que se pode tirar da série de recomendações que a mesa redonda decidiu formular ao Governo, às quais pode este repórter antecipar, posto que acompanhou todas as discussões. 

1.Aumento dos limites de operações de crédito geral e de créditos agrícolas e industriais nas agências do Banco do Brasil; 2 Criação imediata do Banco do Nordeste, de conformidade com o projeto do Poder Executivo encaminhado ao Congresso. O jornal reproduz as 14 recomendações “de alta importância” para o Nordeste. 

2.O Banco foi criado em 19 de julho de 1952, pela Lei Federal nº 1649, assinada pelo Presidente Getúlio Vargas. O Governo Vargas, através de relatórios de seus Ministros, já tinha plano de criar a instituição, como medida para combater os efeitos da seca de 1951. A nova empresa teria as atribuições de dar assistência às populações residentes no chamado Polígono das Secas, grande parte do território brasileiro (todo o Nordeste e norte de Minas Gerais), atingido periodicamente por anos sucessivos de chuvas abaixo da média. 

Atualmente a atuação do BNB atinge cerca de 2 mil municípios, abrangendo toda a área dos nove estados da Região Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), além do Norte de Minas Gerais (incluindo os Vales do Mucuri e do Jequitinhonha) e o Norte do Espírito Santo.  

 

Ações redobradas 

Somente a vontade política do Governo não foi suficiente para a garantia de criação do banco ainda no ano de 1952. O País não passava por uma fase política e econômica que desse amplo respaldo ao Governo Federal nesse sentido, em prol de uma região pobre. Os Estados do Sul e Sudeste também tinham as suas solicitações encaminhados ao Presidente. E o banco, tecnicamente, só poderia ser criado com recursos garantidos para as suas operações de crédito. 

Ainda no mês de julho de 1952, no dia 18 desse mês, véspera da assinatura da Lei Federal de criação do banco, o Jornal Correio do Ceará, edição nº 12.606, destaca a seguinte manchete na “cabeça” da primeira página: “De uma emenda do Deputado Paulo Sarasate. SALVOS DE DEGOLA CERCA DE 180 MILHÕES DEVIDOS AO NORDESTE. 

Revelações: (Narra o jornalista Temístocles de Castro e Silva): Estava em grave perigo a criação do Banco do Nordeste. Nem ao menos em “restos a pagar” foram inscritos saldos orçamentários de 2 anos, para combates a seca.  

Rio (Agência Meridional) –  Os deputados do Nordeste andavam preocupados, de há muito, com o montante exato das importâncias recolhidas ao chamado Fundo das Secas, por conta da dotação constitucional prevista no parágrafo único do art. 198 da Constituição Federal. 

As informações prestadas oficialmente pelo Ministério da Fazenda, indicavam que o aludido Fundo se esgotara totalmente em dezembro, em face das despesas… para combater a seca do ano passado.”. Ainda na mesma matéria, o repórter alerta que somente no ano seguinte seria possível o recurso, e acrescenta: “A SOLUÇÃO  – A solução para o caso encontrou-a o Deputado cearense Paulo Sarasate, através de uma emenda que acaba de apresentar, na Comissão de Finanças da Câmara, ao projeto de iniciativa governamental que dá providências sobre a aplicação do saldo da execução orçamentária e destina um bilhão de cruzeiros do aludido saldo para pagamento de processos de exercícios findos, e um bilhão para o pagamento de créditos especiais abertos, autorizados ou a autorizar. O representante cearense valeu-se desse projeto do Governo para salvar mais de 180 milhões de cruzeiros para obras contra as secas”. 

 

Instalação 

Ainda o Jornal Correio do Ceará, terça-feira, 7 de julho, de 1953, edição nº 12.895, anuncia, na sua página 8: “INSTALAÇÃO DO BANCO DO NORDESTE EM OUTUBRO EM FORTALEZA”. Informa, ainda, que o “deputado Sá Cavalcante, sobre o Banco do Nordeste, pronunciou o seguinte discurso: No programa de promoção do desenvolvimento do trato nordestino, figura, como um dos pontos altos, a instalação do Banco do Nordeste.  

Iniciativa feliz do Presidente Vargas, a instituição encontrou da parte do Congresso a melhor receptividade, tendo nesta Casa e no Senado as bancadas dos Estados do Polígono das Secas assumido a vanguarda dos debates em torno da matéria, a ponto de haver tido andamento rápido a proposição governamental hoje transformada em Lei. De um capital inicial de cem milhões de cruzeiros, dos quais 70% de obrigação do Tesouro Nacional, o banco teve retardada a sua instalação, realmente em face da difícil situação das finanças federais….” 

Jornal Unitário, 29 de janeiro de 1954. Escreve na última página: Entrevista coletiva do Presidente do BNB, Rômulo de Almeida. Prever funcionamento do BNB dentro de 60 dias. Anuncia Edital do Concurso, fala do prédio. 

 

Colaboração Técnica 

Correio do Ceará, sábado, 10 de julho de 1954, edição nº 13.194, anuncia na última página: Vem para o Ceará um técnico Norte-Americano. PARA O BANCO DO NORDESTE O ECONOMISTA-CHEFE DO T.V.A. JÁ SE ENCONTRA NO RIO, SR. ROBOC. Declarações aos D.A. (Diários Associados) 

Rio (Meridional) – Encontra-se no Rio o Sr. Stefan Robock, economista – Chefe do Tenessee Vallery, Authority, que veio ao Brasil trabalhar junto ao Banco do Nordeste e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, como enviado da Organização das Nações Unidas”. 

“Falando à nossa reportagem, o Sr. Robock declarou-nos que a T.V.A. tem hoje no mundo um projeto tão grande que são numerosos os países que lhe pedem emprestados os seus técnicos, para uma colaboração desinteressada e eficiente. “Isto se verificou na Comissão do Vale São Francisco e na Índia, onde estão sendo utilizado os planos e as experiências dos Estados Unidos, em vinte anos de atividades neste setor. … 

… Recebemos, lá no Tennesse, a visita de dezenas de pessoas interessadas na  observação desses projetos. Ficam dias e às vezes meses observando os trabalhos do vale. O mesmo acontece com jornalistas, engenheiros, educadores e geógrafos brasileiros… 

… O Sr. Stefan Robock falou-nos, em seguida, sobre a importância  de um banco  como o do Nordeste para o desenvolvimento de uma região que tanto necessita de créditos e investimentos no seu trabalho e produção; “É uma solução  realmente inteligente esta de encarar o problema do ponto de vista regional. Em vários países, e também nos Estados Unidos (New England. Far West. Middle Est) esta solução tem sido adotada. … 

… Há apenas uma diferença: Não temos organização bancária mista, atuando no setor. Mas acredito sinceramente que, no caso brasileiro, elas serão muito eficientes…. 

 

A INICIATIVA DOS PLANOS 

…Entendo que o Banco do Nordeste, pelas suas condições, finalidades e características de ter a iniciativa dos planos em todas as questões de investimentos, pode ele agir numa espécie de integração de atividades com outros organismos que atuam na região, como a Companhia Hidroelétrica do São Francisco – CHESF, o Departamento Nacional de Obras Contras as Seca – DNOCS, etc. Não deve ficar numa situação passiva, limitando-se a receber os projetos e aplicar o dinheiro. Felizmente, a tendência dominante no Banco, pelo que vejo, é a de atuar diretamente em todos os pontos da região nordestina, a fim de cumprir a sua missão. Esta é a impressão que tenho podido recolher nos meus contatos com os Srs. Rômulo de Almeida e Cleantho de Paiva Leite. 

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